Móveis de Valor - Edição 255

28 moveisdevalor.com.br mais altos, transporte mais caro, consumo pressionado e crescimento mais lento. Esse cenário caracteriza a chamada estagflação – um fenômeno raro, mas historicamente associado a crises profundas, como nos anos 1970. Hoje, os sinais já estão presentes: energia mais cara encarece toda a cadeia produtiva, reduz o poder de compra das famílias e limita a expansão econômica. E O BRASIL NISSO TUDO? Embora distante dos conflitos, o Brasil não está isolado desse movimento. Pelo contrário – a economia brasileira é altamente dependente de insumos importados, fertilizantes, combustíveis e componentes industriais. Qualquer ruptura logística global impacta diretamente custos internos, inflação e competitividade. Além disso, o país enfrenta um desafio adicional, principalmente porque depende de exportações de commodities e importa grande parte dos insumos industriais. Isso cria uma vulnerabilidade dupla em cenários de disrupção global. UM SISTEMA QUE INSISTE EM NÃO MUDAR O que a crise atual revela não é o fim da globalização – mas sim sua resiliência, mesmo diante de riscos crescentes. As cadeias globais continuam operando, se expandindo e, paradoxalmente, se tornando mais expostas a choques. A pergunta que fica não é se haverá desglobalização. Mas sim até que ponto o sistema atual consegue absorver novas crises sem provocar efeitos mais severos na economia mundial. E, sobretudo, quanto tempo ainda levará para que eficiência deixe de ser o único critério – e dê espaço a um modelo que equilibre custo, segurança e previsibilidade. CADEIA GLOBAL SOB PRESSÃO: O QUE MUDA NA PRÁTICA A nova onda de disrupções logísticas não é pontual — ela revela um ambiente estruturalmente mais instável. Para indústria e varejo, o impacto deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégico. 1. Estoque volta ao centro da estratégia O modelo “estoque mínimo” perde espaço. Empresas mais preparadas já trabalham com níveis de segurança maiores, especialmente para insumos críticos. 2. Custo logístico deixa de ser variável secundária Frete, energia e prazos passam a influenciar diretamente margens e formação de preço. Ignorar isso pode comprometer competitividade. 3. Diversificação de fornecedores é prioridade Dependência de uma única origem, especialmente internacional, aumenta o risco. O movimento agora é combinar fornecedores globais e regionais. 4. Regionalização ganha espaço, mas com limites Trazer produção para mais perto do mercado consumidor reduz riscos, mas nem sempre é viável economicamente. O equilíbrio entre custo e segurança será decisivo. 5. Pressão inflacionária exige mais inteligência comercial Com custos mais altos, repasses precisam ser estratégicos. Comunicação de valor e posicionamento passam a ser tão importantes quanto preço. 6. Planejamento substitui reação Empresas que ainda operam no improviso tendem a sofrer mais. Cenários, previsibilidade e gestão de risco entram definitivamente na agenda. ECONOMIA

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