Móveis de Valor - Edição 255

75 moveisdevalor.com.br Há também um elemento mais crítico, destacado por Rodrigo de Melo: o risco de ruptura no abastecimento. “Se, por um lado, o aumento de custos pode ser parcialmente repassado ao mercado, a falta de insumos paralisa a produção - um cenário muito mais grave e difícil de administrar”, admite. ESTRATÉGIAS DISTINTAS, MESMA TENSÃO Apesar do consenso sobre o cenário, as respostas variam conforme o posicionamento de cada empresa. A Herval adota uma postura pragmática e direta, com repasse inevitável de preços. “Além disso, reforçamos a gestão de estoques e estamos priorizando clientes estratégicos”, pontua Agnelo. A fala revela uma empresa estruturada, com planejamento robusto e capacidade de absorver parte do impacto, ainda que com pressão sobre capital de giro. Já a Castor demonstra cautela, sustentada por relações sólidas com fornecedores e uma leitura de curto prazo ainda sem ruptura concreta. “Adotamos o tom de atenção, mas sem reação imediata”, destaca Helio Antônio, revelando uma estratégia típica de empresas com cadeias bem estabilizadas. A Plumatex, por sua vez, explicita o dilema clássico da indústria em momentos de crise: repassar custos sem perder competitividade. “Não há decisão fácil. Qualquer movimento pode comprometer mercado ou margem”, reconhece Rodrigo. Essa diferença de postura não indica divergência de diagnóstico, mas sim o estágio e a resiliência de cada operação. O PANO DE FUNDO GLOBAL O que acontece agora no setor colchoeiro não é um fenômeno isolado. Trata-se de mais um capítulo de um ciclo global iniciado com a pandemia, intensificado por tensões geopolíticas e agravado por uma reorganização das cadeias produtivas. Desde 2020, o mundo vem experimentando: ȟ Reconfiguração das cadeias de suprimentos (menos dependência de regiões específicas) ȟ Volatilidade no preço de commodities, especialmente energia ȟ Aumento estrutural dos custos logísticos ȟ Pressão inflacionária global ȟ Juros elevados, reduzindo consumo e investimento Nesse contexto, o setor colchoeiro sofre um duplo impacto: de um lado, custos crescentes; de outro, demanda ainda fragilizada no varejo. O resultado é um ambiente de compressão de margens e aumento do risco operacional. UMA NOVA LÓGICA DE MERCADO Talvez o ponto mais relevante da análise esteja na percepção, compartilhada especialmente por Rodrigo de Melo de que “dificilmente as coisas irão voltar a ser como eram antes”. Essa afirmação sintetiza uma mudança estrutural. A indústria deixa de operar em um ambiente de relativa previsibilidade e passa a conviver com ciclos mais curtos, maior volatilidade e necessidade constante de adaptação. Agnelo Seger, CEO do grupo Herval Helio Antônio Silva, CEO do grupo Castor Rodrigo de Melo, CEO do grupo Plumatex

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