Móveis de Valor - Edição 257

29 moveisdevalor.com.br Todos esses dados mostram que a saúde mental precisa ser colocada em pauta, então, a Norma Regulamentadora nº1 (NR-1), criada em 08 de junho de 1978, passou por uma reformulação que inclui riscos psicossociais e passou a vigorar em 26 de maio de 2026, depois de um adiamento pedido em 2025. Para entender melhor qual a importância e como ela deve ser aplicada conversamos com Marcia Tolotti, psicanalista e especialista em programas corporativos de saúde mental. Ao começar a explicação, Marcia avisa que a nova NR-1 deixa claro que não se trata de fazer um trabalho de saúde mental individual para cada colaborador, mas sim de saúde mental do ambiente. “A saúde mental deixa de ser uma ação de sensibilização e passa a se tornar uma gestão de risco”, evidencia. E esses riscos psicossociais são 13 (confira lista no box ao lado), que as empresas devem identificar, avaliar e controlar, oferecendo programas continuados para que esses fatores de risco diminuam. Dentro desse contexto, a psicanalista acredita que seja fundamental as lideranças receberem uma orientação e um treinamento específico sobre a NR-1. “As lideranças são um canal direto entre os colaboradores e a alta gestão. Eles recebem muitos insumos e informações a respeito de como está a moral, a cultura e o aspecto de bem-estar emocional dos colaboradores”, orienta, lembrando que também deve ser feito um trabalho de treinamento específico para os colaboradores, através de um programa continuado e estruturado para combater os 13 fatores. Marcia Tolotti explica que para que a empresa fique totalmente adequada às normas, ela precisa começar com um levantamento dos riscos psicossociais por setor. Isso deve acontecer independentemente do segmento, número de funcionário e se o regime é PJ ou CLT. “A NR-1 não especifica o tipo de profissional que vai fazer isso, mas ele precisa ter conhecimento técnico para mapear em cada setor qual é o grau desses 13 fatores, assinando o laudo de acordo com o que está estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego”, reforça. Mesmo que a empresa tenha feito o mapeamento e tenha sido constatado baixo risco, é preciso seguir para a próxima etapa, que é a implementação dos programas e treinamentos continuados, já citados por Marcia. “Como sou especialista reconhecida pelo MEC em NR-1 sou um exemplo de profissional que pode ser contratado para ministrar esses programas, portanto, as empresas devem buscar especialistas na hora de colocá-los em prática”. Segundo a psicanalista, que também Marcia Tolotti, psicanalista e especialista em programas corporativos de saúde mental CONFIRA A LISTA COM OS 13 FATORES DE RISCOS PSICOSSOCIAIS: 1. Assédio de qualquer natureza 2. Baixa clareza de papel/função 3. Baixa demanda de trabalho (subcarga) 4. Baixa justiça organizacional 5. Baixas recompensas e reconhecimento 6. Baixo controle no trabalho / Falta de autonomia 7. Eventos violentos ou traumáticos 8. Excesso de demandas (sobrecarga) 9. Falta de suporte no trabalho 10. Más relações no ambiente de trabalho 11. Má gestão de mudanças organizacionais 12. Trabalho em condições de difícil comunicação 13. Trabalho remoto e isolado

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