Móveis de Valor - Edição 257

30 moveisdevalor.com.br A especialista trata isso tudo como uma oportunidade e um desafio. “É uma abordagem muito ampla e é um momento em que o Brasil precisa dar esse salto. Se as empresas não se adequarem para valer, dependendo do processo trabalhista que ela responder, pode colocar em risco a sua própria sustentabilidade e a vida da empresa, principalmente no caso das menores”, afirma. Por outro lado, Marcia Tolotti avalia que essas exigências podem aproximar as empresas dos princípios da Indústria 5.0, modelo que coloca as pessoas no centro das estratégias de desenvolvimento. “Além da tecnologia, da automação e da Inteligência Artificial, há um olhar mais atento para a saúde física e mental, a qualidade de vida, a segurança psicológica e o desenvolvimento humano”, destaca. Segundo ela, investir no bem-estar dos colaboradores não é apenas uma questão social, mas também de desempenho. “Quando as pessoas estão com a saúde mental equilibrada, tendem a produzir mais. Muitas vezes, um profissional focado e mentalmente saudável entrega mais resultados em cinco horas do que alguém que trabalha 12 horas sob pressão e desgaste constante”, afirma. A especialista ressalta ainda que os fatores psicossociais impactam diretamente a produtividade e a segurança no ambiente de trabalho. Trabalhadores que enfrentam problemas relacionados à saúde mental estão mais suscetíveis a acidentes, afastamentos e ao aumento da demanda por consultas e atendimentos médicos. Para Marcia, a relação entre bem-estar e resultados é clara. “Quando a empresa consegue identificar seus gargalos e implementar ações alinhadas à NR-1, há ganhos em produtividade e maior controle sobre situações de assédio, sobrecarga, conflitos e riscos psicossociais. Isso se traduz em melhores resultados financeiros e redução de custos”, explica. Na avaliação da psicanalista, o desafio está em mudar a forma como as organizações enxergam seus profissionais. “Precisamos superar a visão de que colaboradores são apenas números. Eles são seres humanos e precisam de condições adequadas para desempenhar seu trabalho da melhor forma possível. Quando isso acontece, todos ganham”, conclui. As empresas devem realizar treinamentos e programas contínuos sobre saúde mental no ambiente de trabalho participa do HUB de Inteligência Colaborativa da Móveis de Valor, mais de 90% das empresas ainda não estão adequadas às novas regras estabelecidas pela NR-1. “Temos mais de 90 dias a partir de maio, até o dia 26 de agosto, para as empresas se enquadrarem, por isso elas são obrigadas a fazer esse levantamento de riscos e a implementação dos programas”, avisa. MUDANÇAS NAS RELAÇÕES PÓS-IMPLEMENTAÇÃO Perguntamos o que pode mudar nas relações trabalhistas a partir da implementação da NR-1. Marcia Tolotti observa que as empresas, agora, têm de estabelecer um canal para que os próprios colaboradores possam fazer denúncias, caso queiram, a partir dos fatores de risco. “A saúde mental deixa de ser uma coisa supérflua e passa a ser obrigatória”, dispara. Ela acredita também que a adequação não seja tão simples, pois muitas lideranças estão acostumadas com um sistema antigo, e as próprias empresas não costumam ter essa cultura de cuidado. “Começamos a ver muitas situações em que os colaboradores, por um ambiente ruim de trabalho, acabam adoecendo e muitas empresas já estão sofrendo processos trabalhistas em relação à burnout e ansiedade generalizada. Então, precisamos treinar lideranças para que consigam ter uma comunicação adequada, para que entendam até onde elas podem estabelecer uma pressão ou não com os seus colaboradores”, esclarece, acrescentando que as mudanças da NR-1 são uma das maiores revoluções dentro das relações trabalhistas no país. ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

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