Móveis de Valor - Edição 257

47 moveisdevalor.com.br A China tornou-se um gigantesco hub global de soluções para a indústria. Além dos móveis, oferece ferragens, componentes, alumínio, embalagens, automação, tecnologia produtiva e uma capacidade de customização que atende desde grandes indústrias até operadores de e-commerce com milhares de SKUs. A escala impressiona. Enquanto o Brasil produz cerca de 5 milhões de metros cúbicos de MDF por ano, a produção chinesa supera 50 milhões de metros cúbicos anuais. A diferença ajuda a explicar por que competir exclusivamente por preço se tornou uma tarefa cada vez mais difícil. O DESAFIO PARA OS POLOS BRASILEIROS O movimento, entretanto, levanta questionamentos importantes. Se por um lado a integração às cadeias globais permite ganhos de eficiência e rentabilidade, por outro aumenta a dependência de um único fornecedor internacional. Poucos mercados relevantes apresentam uma concentração tão elevada quanto a observada atualmente no Brasil. A questão central deixa de ser comercial e passa a ser estratégica: até que ponto a complementaridade pode evoluir para substituição? O histórico de setores como calçados, brinquedos, têxteis e eletrônicos mostra que a resposta nem sempre é simples. O Brasil ainda conta com vantagens importantes - mercado interno robusto, cultura de móveis sob medida, logística favorável para produtos volumosos e polos industriais consolidados -, mas os sinais de transformação são evidentes. O FUTURO SERÁ HÍBRIDO Tudo indica que o setor moveleiro brasileiro não caminhará para uma substituição total da produção nacional, mas para uma convivência cada vez maior entre fabricação local e fornecimento global. A pergunta que fica para empresários e lideranças do setor não é se a China continuará presente. Isso já é uma realidade. A questão é outra: Qual será o papel da indústria brasileira em uma cadeia de valor cada vez mais conectada ao maior fabricante de móveis do planeta? VERTICALIZAÇÃO INVISÍVEL O grau de verticalização de uma indústria indica o quanto ela realiza os processos internamente e o quanto depende de terceiros e insumos importados. O setor moveleiro passa por uma desverticalização invisível, se posicionando com um modelo híbrido. Embora a estrutura de madeira/MDF seja nacional, depende fortemente da importação de ferragens funcionais, componentes plásticos, tecidos especiais e insumos químicos para acabamento, vindos basicamente, da Ásia. Entre os setores que possuem os índices mais altos de produção majoritariamente interna estão as indústrias de alimentos e bebidas, celulose e papel, siderurgia e metalurgia. Já os setores com altíssima dependência externa são eletrônicos e TI, além de química e farmacêutica. Fontes: CNI, IBGE e MDIC / Comex Stat.

RkJQdWJsaXNoZXIy MzE5MzYz