Móveis de Valor - Edição 257

58 moveisdevalor.com.br proteção da fábrica e à redução da vulnerabilidade a futuras ocorrências. “Contratamos especialistas para avaliar os riscos e estamos estudando alternativas para proteger melhor a estrutura. Depois de uma experiência como essa, a forma de planejar muda completamente”, afirma Nilton. Mas, para ele, a cidade precisa avançar além da reconstrução. “Se continuarmos com a mesma mentalidade, isso pode acontecer novamente. Precisamos discutir obras preventivas, barragens e soluções estruturais. Não basta apenas reconstruir o que foi destruído”, alerta. A avaliação é compartilhada pelo presidente do Intersind. Segundo Gilberto Coelho, uma das principais lições deixadas pela tragédia foi a necessidade de fortalecer o planejamento urbano e preparar melhor a cidade para eventos climáticos extremos. “Precisamos investir em drenagem, manutenção de rios, contenção e infraestrutura preventiva. Também ficou evidente a importância dos planos de contingência dentro das empresas”, ressalta. DESAFIOS PERMANECEM Embora a recuperação industrial avance, ainda há obstáculos importantes para a retomada completa. Infraestrutura urbana, logística e acesso a crédito continuam entre as principais preocupações dos empresários. Muitas empresas ainda sentem os efeitos financeiros das perdas acumuladas e aguardam condições mais favoráveis para retomar investimentos. Além disso, as obras de reconstrução em diferentes pontos da cidade seguem impactando a mobilidade e o transporte de cargas. Mesmo assim, o sentimento predominante é de superação. A enchente expôs fragilidades, mas também revelou a força da mobilização coletiva do polo moveleiro de Ubá. Empresas concorrentes compartilharam equipamentos, fornecedores flexibilizaram condições comerciais, entidades coordenaram ações emergenciais e trabalhadores se uniram para reconstruir fábricas e comunidades. “Ubá aprendeu a ser mais humanitária. A cidade se uniu muito durante esse período”, resume Nilton Coeli. Quatro meses depois da tragédia, o polo moveleiro ainda enfrenta desafios. Mas a recuperação já demonstra que a capacidade de reação das empresas e da comunidade pode ser tão forte quanto os impactos provocados pela enchente. a empresa ainda não conseguiu restabelecer integralmente suas operações. Atualmente a Mademarcs trabalha com cerca de 80% da capacidade produtiva e aguarda a chegada de peças importadas para concluir a recuperação de alguns equipamentos. “Levamos quase 60 dias para voltar a produzir. Nosso foco era recuperar as máquinas o mais rápido possível para continuar atendendo os clientes”, explica. Apesar das dificuldades, Nilton destaca a compreensão dos lojistas e fornecedores, especialmente nos primeiros meses após a tragédia. “Fornecedores prorrogaram vencimentos, deram descontos e ajudaram de diversas formas. Os clientes também compreenderam a situação até determinado ponto, o que foi fundamental para atravessarmos esse período”, reconhece. UMA NOVA CULTURA DE PREVENÇÃO A experiência da enchente provocou mudanças profundas na forma como as empresas enxergam a gestão de riscos. Na Mademarcs, investimentos planejados para expansão foram temporariamente substituídos por ações voltadas à MERCADO Nilton Coeli, diretor da Mademarcs Pedro e Vicente de Paulo Noé Filho, diretores da Dimetal

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