Móveis de Valor - Edição 257

64 moveisdevalor.com.br adiáveis, reduz tíquete médio e passa a priorizar gastos essenciais. Ao mesmo tempo, parte significativa dos custos das varejistas permanece elevada mesmo diante da desaceleração das vendas. Aluguéis, centros de distribuição, operações logísticas, estoques e estruturas físicas continuam pressionando o caixa. Nos últimos anos, muitas empresas migraram para modelos híbridos, em que lojas funcionam como showroom enquanto estoques ficam concentrados em centros logísticos. O formato trouxe ganhos operacionais em algumas frentes, mas aumentou a dependência da cadeia de abastecimento e deixou as empresas mais vulneráveis a atrasos, ruptura de estoque e problemas financeiros de fornecedores. A deterioração operacional da Tok&Stok deixou isso evidente. Com a recuperação judicial, fornecedores passaram a endurecer condições comerciais, reduzir entregas e exigir pagamentos antecipados diante do aumento da percepção de risco. O efeito apareceu rapidamente nas lojas: menos variedade; atraso em entregas; ruptura de produtos; redução de estoques; e fechamento de unidades menos rentáveis. O PROBLEMA ESTRUTURAL DO VAREJO DE MÓVEIS A crise também expôs um problema histórico do setor moveleiro: o varejo de móveis opera com estruturas muito mais pesadas do que outros segmentos do comércio. Diferentemente de setores com maior giro e logística simplificada, operações de móveis dependem de grandes áreas físicas, armazenagem complexa, transporte caro e operações de entrega mais delicadas. Além disso, boa parte das vendas depende diretamente da oferta de crédito. Quando os juros sobem, o impacto sobre o setor acontece quase imediatamente. O consumidor posterga compras consideradas REPORTAGEM ESPECIAL: Crise no Varejo de Móveis

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