Móveis de Valor - Edição 258

18 moveisdevalor.com.br também com o mercado de produtos usados e com decisões familiares de postergação da compra. A estabilidade prolongada sugere baixo poder de repasse. Mesmo que os custos industriais tenham aumentado, fabricantes e varejistas parecem encontrar dificuldade para transferir integralmente esses acréscimos ao preço final. COLCHÕES REGISTRAM A MAIOR ALTA Os colchões foram o grande destaque do período. Os preços acumularam alta de 8,71% no primeiro semestre e de 11,25% em 12 meses, muito acima do IPCA geral e de todas as categorias de móveis analisadas. O desempenho, porém, foi marcado por fortes oscilações. Os preços caíram 0,51% em janeiro, 1,43% em fevereiro e 1,05% em março. Em abril, houve uma alta excepcional de 8,13%, seguida por aumentos de 1,16% em maio e 2,41% em junho. A intensidade dos reajustes pode refletir uma combinação de fatores. Entre eles estão o repasse de custos de matérias-primas, espumas, tecidos, componentes metálicos, transporte e mão de obra. Também pode haver uma questão de demanda. Categorias com vendas mais aquecidas oferecem maior espaço para recomposição de margens, especialmente quando o consumidor percebe diferenças de qualidade, tecnologia, conforto e durabilidade. A concentração da alta a partir de abril também pode estar relacionada a uma recomposição após as quedas do primeiro trimestre. Fabricantes e varejistas podem ter utilizado os primeiros meses do ano para realizar promoções e, posteriormente, reposicionado os preços. Por ser uma variação muito elevada, o comportamento dos colchões precisa ser acompanhado nos próximos meses. Caso os aumentos continuem, haverá um sinal mais claro de pressão de custos ou de demanda fortalecida. Se houver estabilidade ou redução, parte do avanço poderá ter sido um ajuste pontual. CAPITAIS TAMBÉM APRESENTAM MOVIMENTOS MUITO DIFERENTES A variação dos preços de mobiliário não foi uniforme entre as capitais pesquisadas. Em junho, São Paulo registrou queda de 0,94%, enquanto Belo Horizonte avançou 1,21%, Fortaleza subiu 1,27% e Porto Alegre teve aumento de 1,18%. No acumulado do primeiro semestre, o Rio de Janeiro apresentou queda de 1,57% e São Paulo recuo de 0,43%. Em contraste, Belo Horizonte acumulou alta de 3,84%, Grande Vitória avançou 3,18% e Belém registrou aumento de 3,02%. Curitiba teve elevação de 1,90% no período e Porto Alegre, de 1,77%. As diferenças regionais podem ser explicadas por condições distintas de demanda, estoques, concorrência, renda, custos logísticos e estratégias comerciais. Em mercados nos quais as vendas estão mais fracas, o varejo tende a utilizar os preços de maneira mais agressiva. Onde a demanda se mantém firme, existe maior espaço para reajustes. No acumulado de 12 meses, a distância é ainda maior. Os preços do mobiliário caíram 1,05% no Rio de Janeiro, mas subiram 7,01% em Belém, 6,01% em Porto Alegre e 5,61% em Curitiba. COMÉRCIO

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