Móveis de Valor - Edição 258

19 moveisdevalor.com.br PREÇO BAIXO NEM SEMPRE SIGNIFICA CENÁRIO POSITIVO Uma leitura superficial poderia concluir que a elevação moderada dos preços de móveis é necessariamente uma boa notícia para o consumidor. Para o setor, entretanto, o quadro é mais complexo. Quando o varejo reduz preços para destravar vendas, o volume pode crescer, mas as margens ficam pressionadas. Se a indústria também precisa conceder descontos ou absorver custos, a rentabilidade de toda a cadeia pode diminuir. Por outro lado, aumentos muito elevados não significam automaticamente apenas inflação de custos. Eles também podem refletir demanda forte, menor disponibilidade de produtos ou migração do consumidor para itens de maior valor agregado. O preço, portanto, funciona como um indicador do equilíbrio entre oferta, demanda, custos e capacidade de negociação. INDÚSTRIA ENFRENTA O DESAFIO DO REPASSE Para os fabricantes, a principal questão é saber até que ponto os aumentos dos custos podem ser transferidos ao varejo e ao consumidor. Em categorias com preços estáveis ou em queda, como móveis para sala e móveis infantis, a indústria provavelmente encontra maior resistência para realizar reajustes. Isso pode obrigar as empresas a buscar ganhos de eficiência, reformular produtos, reduzir custos ou trabalhar com margens menores. Nos móveis para quarto, cozinha e, principalmente, nos colchões, existe maior evidência de repasse. A demanda pode estar mais firme ou os aumentos de custos podem ter se tornado difíceis de absorver. A capacidade de reajustar preços também depende do posicionamento da marca. Produtos mais diferenciados, com design, tecnologia, personalização ou maior valor percebido, costumam ter mais espaço para repassar custos do que itens altamente comparáveis. UM MERCADO DIVIDIDO POR CATEGORIA O primeiro semestre de 2026 mostra que não existe uma única inflação de móveis. Cada categoria respondeu de maneira diferente às condições de mercado. Os móveis para sala ficaram mais baratos, possivelmente sob pressão promocional e menor força da demanda. Os móveis infantis permaneceram praticamente estáveis. Cozinhas e quartos tiveram aumentos mais consistentes, enquanto os colchões registraram uma elevação muito superior à média. No conjunto, o mobiliário subiu apenas 1,38%, diante de inflação geral de 3,36%. Isso demonstra que o setor ainda está utilizando o preço como instrumento para sustentar as vendas e que o repasse dos custos ocorre de maneira seletiva. A expectativa para o segundo semestre é de continuidade dessa diferença entre categorias. Produtos com estoques elevados e demanda mais fraca devem permanecer sujeitos a promoções e contenção de preços.

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