Móveis de Valor - Edição 258

22 moveisdevalor.com.br Diferentemente de categorias mais padronizadas, a compra de um colchão ou de um estofado continua altamente dependente da experimentação. O cliente quer sentar, deitar, comparar sensações, entender diferenças e reduzir riscos. Nesse contexto, o vendedor deixa de ser apenas um operador comercial para assumir o papel de consultor. A pesquisa reforça que as empresas mais bem- -sucedidas estão investindo justamente nessa direção. O conhecimento técnico das equipes, a capacidade de explicar benefícios e a construção de confiança tornam-se ativos estratégicos. Em um ambiente cada vez mais digitalizado, o fator humano não perde importância; ao contrário, ganha relevância. PROMOVER EVENTOS, SIM! Outro aprendizado valioso está relacionado à experiência proporcionada pelas lojas. Os consumidores entrevistados demonstram grande interesse por eventos, atividades comunitárias e iniciativas que transformem o varejo em algo além de um simples local de compra. No Reino Unido, mercados temáticos, encontros comunitários e eventos colaborativos aparecem entre os principais geradores de tráfego. No Brasil, o conceito pode ser adaptado com enorme potencial. Semanas dedicadas ao sono saudável, encontros com arquitetos, workshops de decoração, consultorias de ergonomia, apresentações de tendências e eventos para síndicos e construtoras são exemplos de iniciativas capazes de fortalecer o relacionamento com o público. O objetivo não é apenas aumentar o fluxo de pessoas, mas criar razões para que o consumidor escolha visitar determinada loja. Nesse ponto, a pesquisa mostra outro dado revelador. Embora quase 90% dos varejistas que realizam ações colaborativas relatem ganhos comerciais, apenas uma pequena parcela trabalha essas iniciativas de forma estruturada. O cenário brasileiro apresenta situação semelhante. Ainda são poucas as empresas que exploram plenamente parcerias com arquitetos, designers, clínicas do sono, academias, construtoras ou imobiliárias. Encontros comunitários e eventos colaborativos aparecem entre os principais geradores de tráfego GESTÃO & MERCADO dade mais complexa. Os consumidores continuam valorizando o contato humano, a experimentação dos produtos e a orientação especializada. Mais do que isso: nove em cada dez entrevistados afirmam que o avanço da inteligência artificial aumenta sua disposição de visitar lojas físicas e conversar com especialistas. O dado pode parecer paradoxal à primeira vista, mas faz sentido. Quanto maior a quantidade de informação disponível na internet, maior se torna o valor da curadoria. O consumidor chega à loja após pesquisar, comparar e assistir vídeos. Ainda assim, busca alguém capaz de ajudá-lo a interpretar essas informações e transformá-las em uma decisão segura. Para o varejo de móveis e colchões, trata- -se de uma vantagem competitiva natural.

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