Móveis de Valor - Edição 258

27 moveisdevalor.com.br por identidade estética. Em vez de escolher entre três opções de tecido, o consumidor moderno espera encontrar dezenas. Em vez de um único tamanho, deseja versões adaptadas ao seu espaço e estilo de vida. Na avaliação da arquiteta de interiores Juliana Faria, essa personalização pode enriquecer significativamente os projetos quando está alinhada à identidade do cliente. “A escolha do tecido, da cor e das texturas pode transformar completamente o ambiente e reforçar sua personalidade. A exclusividade só compromete a harmonia quando os elementos deixam de conversar entre si ou refletem mais uma tendência passageira do que o estilo de quem utiliza o espaço”, afirma. Para a indústria, isso significa lidar com uma explosão de combinações possíveis e, ao mesmo tempo, manter eficiência operacional. O desafio torna-se fabricar com agilidade e precisão. Outra transformação relevante é a consolidação do design resimercial, conceito que ganhou força após o avanço do trabalho híbrido e combina o conforto dos ambientes residenciais com os requisitos de durabilidade dos espaços corporativos. Hotéis, coworkings, restaurantes, clínicas e escritórios passaram a buscar ambientes mais acolhedores, com formas orgânicas, tecidos suaves, texturas como bouclé – superfície felpuda e irregular, feita a partir de fios retorcidos que formam pequenos nós ou laços—, e paletas em tons terrosos e naturais. “Hoje vemos salas de espera de hospitais e escritórios que lembram verdadeiras salas de estar. O objetivo deixou de ser criar espaços excessivamente formais e passou a ser oferecer acolhimento e bem-estar”, observa Juliana. Porém, os móveis precisam oferecer conforto semelhante ao residencial sem perder resistência para suportar anos de uso intenso. Por isso, cresce a procura por tecidos com alta resistência ao desgaste. A sustentabilidade também ganhou peso estratégico nas decisões de compra, especialmente no mercado corporativo. Compradores buscam cada vez mais rastreabilidade de materiais, certificações e soluções alinhadas aos princípios da economia circular, com produtos desenvolvidos para facilitar manutenção, reparos e prolongar a vida útil. Esse movimento também altera a forma como fabricantes desenvolvem seus produtos. Componentes modulares, tecidos de maior resistência e estruturas projetadas para futuras reformas ajudam a reduzir o custo total de propriedade, uma variável cada vez mais considerada por hotéis, escritórios e outros empreendimentos que operam com mobiliário de uso intenso. Além do impacto ambiental, a durabilidade passa a representar uma vantagem econômica para empresas e consumidores. Na avaliação da arquiteta, a durabilidade é o principal aspecto considerado pelos consumidores. "Como um estofado representa um investimento importante, as pessoas valorizam peças resistentes, fáceis de limpar e que possam ser reformadas no futuro. Quando a estrutura é de qualidade, é possível trocar o tecido diversas vezes e prolongar muito a vida útil do móvel", afirma. A tecnologia também avança nos estofados, incorporando recursos de IoT como carregadores sem fio, sensores de ocupação e sistemas ergonômicos de forma discreta. Para Juliana Faria, arquiteta de interiores

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