31 moveisdevalor.com.br de que o móvel pode não durar tanto." Ela observa que essa abordagem incentiva os consumidores a trocarem de móveis com mais frequência, o que, em última análise, impulsiona as vendas. Nos últimos anos, porém, sinais vindos de diferentes mercados indicam uma mudança de comportamento. Em vez de substituir móveis com frequência, parte dos consumidores passou a priorizar produtos com maior durabilidade, qualidade construtiva e potencial para acompanhar diferentes fases da vida. Um dos exemplos mais recentes vem do Reino Unido. Em um cenário de retração do mercado de móveis e artigos para casa, a varejista The Cotswold Company registrou vendas recordes de R$ 837 milhões e crescimento de quase 25% no lucro. O resultado foi impulsionado por uma estratégia baseada em móveis de madeira maciça, produção artesanal e peças desenvolvidas para permanecer por décadas nas residências. Segundo o CEO Ralph Tucker, os consumidores analisam as compras com mais critério e buscam produtos capazes de atravessar gerações. Essa transformação parece estar relacionada não apenas ao design, mas também a fatores econômicos, ambientais e demográficos. Em diversos mercados, consumidores passaram a enxergar o mobiliário como um investimento de longo prazo, priorizando materiais resistentes, facilidade de manutenção e um desenho capaz de atravessar diferentes tendências. O designer de interiores Flávio Pio, que acompanha as principais feiras internacionais do setor, percebeu esse movimento durante o Salone del Mobile, em Milão. Segundo ele, muitas marcas reduziram o ritmo de lançamentos e concentraram esforços em atualizar coleções já consolidadas. "Mudaram tecidos, acabamentos e cores, mas sem a necessidade de substituir completamente os produtos. A sensação foi de um mercado mais maduro". Na avaliação do profissional, essa mudança também aparece no comportamento do consumidor. Para ele, existe um resgate da ideia de comprar um móvel para acompanhar a família durante muitos anos. O crescimento desse modelo ampliou o acesso ao mobiliário, mas também levantou Flávio Pio, designer de interiores Conforto e durabilidade caminham juntos, na era do consumidor mais consciente Crédito - bottomlineinc.com questionamentos sobre a durabilidade dos produtos. Para Flávio, longevidade vai além da resistência estrutural. Ele explica que uma peça atemporal é aquela que continua fazendo sentido depois de muitos anos. Ela acompanha mudanças na decoração, na casa e no estilo de vida sem perder sua identidade. SUSTENTABILIDADE AMPLIA O CONCEITO DE VALOR A valorização de móveis mais duráveis também acompanha uma mudança na forma como consumidores e fabricantes enxergam a sustentabilidade. Em vez de concentrar o debate apenas na origem dos materiais, cresce a percepção de que prolongar a vida útil dos produtos pode gerar impactos ambientais tão relevantes quanto a utilização de insu-
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