Móveis de Valor - Edição 258

36 moveisdevalor.com.br acompanha uma sucessão de fases, e não apenas um endereço. Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Escrivano comenta que, em 2025, os domicílios unipessoais já representavam 19,7% dos lares brasileiros, enquanto o número de imóveis alugados cresceu mais de 54% em comparação com 2016. Embora a casa própria continue sendo um símbolo importante de estabilidade, o caminho até ela tornou-se mais longo e menos previsível. Para ele, isso não significa que as pessoas tenham abandonado o desejo de construir patrimônio, mas que passaram a estabelecer outra relação com aquilo que escolhem possuir. "O consumidor não quer necessariamente acumular tudo. Ele quer preservar o que tem história, qualidade e significado e flexibilizar aquilo que pode circular, ser revendido, reformado, trocado ou reaproveitado", observa. Essa percepção também ajuda a desfazer uma interpretação comum sobre o mobiliário nômade. À primeira vista, poderia parecer que consumidores mais móveis procuram produtos temporários ou descartáveis. O comportamento observado pelas pesquisas aponta exatamente na direção oposta. A durabilidade continua sendo um atributo valorizado. O que muda é a forma de compreendê-la. Se antes um móvel era considerado durável porque permanecia vinte anos na mesma sala, agora ele precisa conservar suas características depois de inúmeras desmontagens, transportes e remontagens. Resistência, nesse contexto, não está ligada apenas ao tempo de uso, mas à capacidade de acompanhar diferentes fases da vida sem perder funcionalidade, qualidade ou significado. O mobiliário nômade reflete essa mudança no comportamento do consumidor. Em uma sociedade cada vez mais dinâmica, o desafio da indústria torna-se desenvolver móveis que acompanhem as pessoas ao longo de suas trajetórias, entendendo que, muitas vezes, a vida muda mais rápido do que a necessidade de substituir aquilo que faz parte dela. Pessoas nômades buscam móveis mais duráveis, resistentes e que acompanhem as diversas fases da vida “Flexibilidade sem durabilidade é apenas descartabilidade com outro nome”. Paulo Escrivano, cientista de consumo TENDÊNCIA

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