92 moveisdevalor.com.br Escassez da espuma desafia a cadeia de colchões e estofados A espuma flexível de poliuretano está presente em grande parte dos colchões e móveis estofados produzidos no Brasil. Embora seja vista na fábrica como um componente relativamente comum, sua fabricação depende de uma cadeia química complexa, internacionalizada e concentrada em um número limitado de grandes produtores. Por isso, quando falta espuma ou seu preço aumenta rapidamente, o problema raramente começa no fabricante do colchão, no estofador ou mesmo no transformador que produz os blocos. A origem geralmente está vários elos antes, no fornecimento de polióis, TDI, MDI e outros derivados petroquímicos indispensáveis à produção do poliuretano. Essa estrutura ajuda a explicar por que as crises de abastecimento deixaram de ser acontecimentos excepcionais. Após as dificuldades enfrentadas durante a pandemia, o mercado internacional continuou registrando períodos de menor disponibilidade, preços elevados e prazos mais longos de entrega. O fenômeno revela uma cadeia capaz de operar com eficiência em condições normais, mas bastante vulnerável quando uma fábrica para, uma rota logística é interrompida ou algum insumo básico se torna mais caro. Para a indústria brasileira de colchões e estofados, a discussão ganha uma dimensão adicional. Além da exposição às oscilações internacionais de petróleo, câmbio, frete e oferta, o país passou a conviver com direitos antidumping definitivos sobre determinados polióis poliéteres importados da China e dos Estados Unidos. A medida entrou em vigor em julho de 2025 e foi mantida após a Dependência de poucos fornecedores, instabilidade petroquímica e aumento dos custos obrigam fabricantes brasileiros a rever compras, estoques, projetos e alternativas de materiais Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor DOSSIÊ Crise da espuma
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