Móveis de Valor - Edição 258

93 moveisdevalor.com.br avaliação de interesse público concluída em fevereiro de 2026. Isso não significa necessariamente que o Brasil esteja diante de uma falta generalizada de espuma. Significa, porém, que colchoeiros e estofadores precisam considerar a possibilidade de novas pressões de custo, redução das alternativas de fornecimento e maior volatilidade em um insumo essencial para seus produtos. A ESCASSEZ COMEÇA LONGE DA FÁBRICA DE MÓVEIS A fabricação da espuma flexível depende principalmente da reação entre poliol e isocianatos, especialmente TDI. Esses materiais são provenientes de grandes complexos químicos, ligados à cadeia do petróleo e do gás. O problema é que a capacidade mundial de produção está concentrada. Um grupo relativamente pequeno de companhias e instalações abastece grandes regiões consumidoras. Quando uma unidade realiza manutenção, sofre um acidente, reduz sua operação ou enfrenta dificuldades energéticas e logísticas, a disponibilidade pode diminuir rapidamente. O impacto não aparece necessariamente no mesmo dia no fabricante de móveis. Primeiro, a interrupção atinge os produtores e distribuidores de matérias-primas. Depois chega aos transformadores de espuma e, algumas semanas mais tarde, começa a afetar colchões, sofás, poltronas, cabeceiras e outros produtos estofados. Essa distância entre a origem do problema e sua manifestação no chão de fábrica costuma dificultar a reação. Quando o fabricante percebe que os preços subiram ou que os prazos aumentaram, a perturbação já percorreu boa parte da cadeia. O resultado pode ser uma sequência conhecida: fornecedores diminuem a validade das propostas comerciais, fabricantes antecipam compras, distribuidores passam a trabalhar com alocações, clientes tentam formar estoques e a demanda artificialmente concentrada agrava ainda mais a sensação de escassez. GEOPOLÍTICA E CLIMA AMPLIAM A INSTABILIDADE As matérias-primas da espuma não dependem TDI e poliol são provenientes de grandes complexos químicos, ligados à cadeia do petróleo e do gás Tensões em regiões produtoras ou em corredores marítimos estratégicos podem elevar rapidamente o preço dos fretes e dos combustíveis apenas da capacidade instalada das indústrias químicas. Elas também estão expostas ao fornecimento de petróleo e gás, aos custos energéticos, à navegação internacional, aos seguros e à disponibilidade de precursores petroquímicos. Tensões em regiões produtoras ou em corredores marítimos estratégicos podem elevar rapidamente o preço dos fretes, dos combustíveis e dos seguros. Mesmo quando os navios continuam circulando, a percepção

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