94 moveisdevalor.com.br representar até 55% da composição da espuma e até 35% do custo final de um colchão, dependendo da construção do produto. A medida foi adotada para proteger a indústria doméstica de práticas consideradas desleais no comércio internacional. Entretanto, para os setores consumidores, a preocupação está na possibilidade de redução da concorrência, aumento do custo da matéria-prima e menor flexibilidade para buscar fornecedores externos em momentos de restrição. É justamente aí que a realidade brasileira se torna diferente da britânica ou europeia. Um fabricante instalado próximo de vários polos químicos, portos e fornecedores regionais possui alternativas logísticas diferentes das encontradas por uma empresa brasileira localizada no interior do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais ou do Nordeste. No Brasil, as distâncias são maiores, o transporte ocorre predominantemente por rodovias e o custo de manter grandes estoques pode comprometer o capital de giro. Uma matéria-prima aparentemente disponível no país pode não estar disponível, na quantidade e no prazo necessários, para todos os polos consumidores. ESTOQUE MAIOR NEM SEMPRE SIGNIFICA MAIS SEGURANÇA A primeira reação diante do risco de desabastecimento costuma ser comprar mais. Essa estratégia pode ser necessária em situações específicas, mas também envolve riscos. Formar estoques elevados exige capital, espaço adequado e previsão confiável da demanda. Caso as vendas desacelerem ou os preços recuem, a empresa pode ficar presa a uma matéria-prima cara. Em produtos químicos, também existem condições de armazenamento, controle de validade, segurança e rastreabilidade que precisam ser observadas. Portanto, resiliência não significa simplesmente encher os depósitos. Uma estratégia mais consistente começa pelo mapeamento da cadeia. O fabricante precisa conhecer não apenas seu fornecedor direto de espuma, mas também entender de onde vêm os principais componentes, qual é o nível de de- Antidumping impactou seriamente o preço das espumas PU no Brasil de risco já é suficiente para modificar rotas, ampliar prazos e tornar as operações mais caras. Também aumentou a preocupação com eventos climáticos extremos. Parte importante da indústria petroquímica mundial está instalada em áreas sujeitas a furacões, inundações, ondas de calor e interrupções no fornecimento de energia. Quando instalações altamente especializadas são afetadas, a produção perdida nem sempre pode ser compensada rapidamente por outras unidades. É essa combinação que diferencia a situação atual de episódios anteriores. No passado, uma escassez podia ser tratada como interrupção temporária: esperava-se a normalização de uma fábrica ou rota e o mercado retomava seu ritmo. Agora, os fatores de risco parecem mais frequentes e simultâneos. A geopolítica interfere na logística, o clima afeta a produção, os custos regulatórios aumentam e a concentração industrial limita a capacidade de reação. A crise pode até passar, mas a vulnerabilidade permanece. O AGRAVANTE BRASILEIRO No Brasil, o debate sobre o poliol ganhou força com a aplicação do direito antidumping sobre importações provenientes da China e dos Estados Unidos. A medida abrange determinados polióis poliéteres classificados na NCM 3907.29.39 e terá vigência de até cinco anos, salvo eventual revisão ou alteração. A Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol) se posicionou contrariamente à aplicação, argumentando que o poliol é um insumo estratégico e de difícil substituição imediata na fabricação de espumas flexíveis. Segundo a entidade, ele pode DOSSIÊ Crise da espuma
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