Móveis de Valor - Edição 259

57 moveisdevalor.com.br Os colchões ocuparam o espaço principal e foram, naturalmente, os protagonistas. Mais do que conhecer uma nova marca, os visitantes puderam experimentar uma proposta diferente para o segmento premium. E boa parte dessa diferença estava justamente onde os olhos não alcançavam. O QUE EXISTE LÁ DENTRO O mercado brasileiro acostumou-se durante décadas a explicar colchões principalmente pela espuma, densidade ou tipo de mola. A Millbrook acrescenta outros elementos a essa conversa. Lã, algodão, seda e cashmere aparecem entre as matérias-primas empregadas pela fabricante inglesa em suas diferentes coleções. São fibras associadas à respirabilidade, ao gerenciamento da umidade e à regulação térmica, além de carregarem uma percepção de naturalidade que ganha espaço no universo do sono. Em vez de depender apenas de sucessivas camadas de espuma, a construção combina essas fibras naturais com uma sofisticada estrutura de suporte. Foi um dos aspectos que mais surpreenderam durante a feira: abrir conceitualmente o colchão e descobrir que conforto pode ser construído de outra maneira. CINCO MIL. SETE MIL MOLAS Os próprios nomes dos modelos apresentados já provocavam uma pergunta inevitável. Cardiff 5000 e Kingston 7000. Cinco mil e sete mil molas? A resposta ajudava a demonstrar outra particularidade dos produtos. A Millbrook trabalha com combinações de molas ensacadas individualmente e micromolas, criando diferentes níveis de resposta ao peso e aos movimentos do corpo. Em suas coleções, milhares desses elementos são combinados para formar sistemas de suporte mais elaborados. O número impressiona, mas não deve ser visto isoladamente. O que importa é o resultado da interação entre suporte, materiais e construção. O consumidor não vê cinco ou sete mil molas quando olha para o colchão. Ele sente o que elas fazem quando se deita. ARTESANAL EM PLENA ERA DA AUTOMAÇÃO Talvez uma das características mais interessantes da Millbrook seja justamente uma aparente Rodrigo de Melo, CEO da Plumatex, e Ross Thurston, diretor de vendas e marketing da Millbrook Beds Guilherme Borges, da Mister Colchões, do Rio Grande do Sul contradição. Enquanto a indústria mundial avança em automação, a fabricante britânica preserva o trabalho artesanal como parte do valor de seus produtos. Não se trata de rejeitar tecnologia. Pelo contrário. Sistemas sofisticados de molas convivem com matérias-primas naturais e processos manuais de fabricação e acabamento. Essa combinação é conhecida em outros universos do luxo. Automóveis de alto padrão recebem acabamentos feitos à mão. Móveis de autoria podem sair de máquinas de altíssima precisão e terminar nas mãos de um marceneiro. A alta relojoaria construiu parte de seu prestígio sobre essa convivência entre engenharia e artesania. A Millbrook transporta a mesma lógica para a cama.

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