Móveis de Valor - Edição 259

72 moveisdevalor.com.br É quando ocorre uma ruptura financeira que o risco se torna visível. Os números da Casas Bahia dão dimensão concreta a essa discussão. Uma única recuperação judicial colocou centenas de milhões de reais da cadeia moveleira em negociação, atingindo desde grandes fabricantes nacionais até empresas muito menores de componentes e insumos. Não significa que a indústria deva abandonar os grandes clientes. Significa que concentração, limite de crédito, garantias, prazo e diversificação da carteira precisam fazer parte da estratégia comercial com a mesma importância dada ao volume de vendas. A CONTA CHEGA PERTO DE R$ 470 MILHÕES O levantamento consolidado permite dimensionar o alcance identificado até agora: • Móveis e estofados aproximadamente R$ 367,7 milhões • Colchões aproximadamente R$ 44,9 milhões • Fornecedores da cadeia produtiva aproximadamente R$ 54,9 milhões Total identificado cerca de R$ 467,5 milhões. Mais importante do que o número absoluto, entretanto, é perceber como ele está distribuído. Não são quase R$ 470 milhões concentrados em uma única indústria ou em meia dúzia de grandes companhias. São recursos espalhados por fabricantes de móveis, estofados e colchões e por fornecedores de diferentes matérias-primas e componentes. A crise começa no caixa do varejista, mas percorre a cadeia no sentido inverso. Chega a quem vendeu o móvel. Atinge quem fabricou o colchão. Alcança quem forneceu o painel, a ferragem, a espuma, o adesivo, a tinta ou o vidro. É assim que uma dívida do varejo se transforma em quase R$ 470 milhões de preocupação para toda uma cadeia produtiva. Até o dia 25 de agosto haviam sido fechadas 298 lojas no País CASAS BAHIA TEM R$ 28 BILHÕES EM DÍVIDAS PARA REORGANIZAR A situação da Casas Bahia é ainda mais complexa do que mostrou inicialmente o pedido de recuperação judicial. Além dos R$ 17,3 bilhões incluídos no processo, a empresa possui outros R$ 11 bilhões em dívidas que ficaram de fora da RJ. Com isso, o passivo a ser reorganizado chega a aproximadamente R$ 28 bilhões. Entre esses débitos estão valores bilionários com bancos, fornecedores e obrigações tributárias. Isso significa que a Casas Bahia terá de conduzir duas negociações ao mesmo tempo: uma dentro da recuperação judicial e outra diretamente com os credores que não estão sujeitos ao processo. Para uma empresa que já enfrenta queda de vendas, fechamento de lojas e necessidade de recuperar rentabilidade, R$ 28 bilhões ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. A recuperação judicial pode organizar parte do problema. Mas, neste caso, está longe de representar o problema inteiro. VAREJO

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