Móveis de Valor - Edição 259

77 moveisdevalor.com.br TECNOLOGIA ESTÁ DEMOCRATIZANDO COMPETÊNCIAS Algo semelhante acontece com a tecnologia. Softwares que anteriormente exigiam grandes departamentos de TI hoje podem ser contratados mensalmente. Um pequeno varejista consegue integrar estoque, ERP, marketplace, pagamento e logística sem desenvolver toda essa infraestrutura. Segundo Dias, quando esses sistemas trabalham de maneira integrada, o pedido pode entrar, ser processado e encaminhado à entrega praticamente em um único fluxo. Erros diminuem. Atrasos podem ser reduzidos. Estoques ficam mais visíveis. E isso ataca justamente um dos maiores problemas das pequenas operações: perder eficiência à medida que as vendas aumentam. O crescimento deixa então de depender apenas de contratar mais pessoas e passa também pela capacidade de automatizar processos. MARKETPLACE NIVELA O JOGO, MAS COBRA POR ISSO Existe, entretanto, outro lado dessa história. Os marketplaces deram aos pequenos acesso imediato a milhões de consumidores, mas também aumentaram brutalmente a transparência da competição. Preço, prazo de entrega, reputação, avaliações e condições comerciais podem ser comparados em segundos. A loja que anteriormente disputava clientes com cinco ou dez concorrentes de sua cidade pode agora concorrer com centenas de vendedores de diferentes estados – e até de outros países. Além disso, participar dessas plataformas tem custos. Comissões, frete, publicidade dentro do próprio marketplace e pressão promocional podem comprometer margens. O pequeno ganhou a vitrine do gigante. Mas passou a disputar cada centímetro dela. E O MÓVEL TEM UMA PARTICULARIDADE Para o setor moveleiro, existe uma questão adicional. Móveis não são produtos digitais e, em boa parte dos casos, também não possuem a simplicidade logística de categorias pequenas e leves. Cubagem, montagem, avarias, devoluções e custo de transporte tornam a última milha especialmente importante. Isso pode favorecer operações regionais bem estruturadas. Uma loja ou fabricante que domine determinada região pode, em alguns casos, oferecer entrega mais rápida, montagem, atendimento e pós-venda superiores aos de uma operação nacional que precisa movimentar o produto por milhares de quilômetros. A vantagem deixa então de estar no tamanho da empresa e passa a estar no desenho da operação. É uma mudança relevante para fabricantes e varejistas de móveis. O GIGANTE TAMBÉM TEM SEUS PROBLEMAS Escala traz vantagens extraordinárias. Mas também produz complexidade. Quanto maior a empresa, mais difícil pode ser alterar processos, personalizar atendimento, modificar rapidamente um mix ou responder a características muito específicas de determinado mercado. O pequeno normalmente possui o problema contrário: flexibilidade abundante e recursos limitados. É justamente nesse contraste que surge sua oportunidade. Ele não precisa ter o maior estoque se souber escolher melhor o estoque. Não precisa falar com milhões de consumidores se conhecer profundamente alguns milhares. Não precisa possuir dezenas de centros de distribuição se conseguir atender extraordinariamente bem determinada região. E não precisa vencer o gigante em tudo. Precisa vencê-lo naquilo que decidiu fazer melhor. DAVI GANHOU NOVAS ARMAS. GOLIAS TAMBÉM Talvez essa seja a melhor maneira de compreender a nova disputa. A tecnologia não eliminou as vantagens das grandes empresas. Ao contrário, os gigantes também estão utilizando inteligência artificial, automação, dados e logística para ficarem ainda mais eficientes. O que mudou foi o acesso às armas. Pequenas empresas podem utilizar tecnologias que seriam financeiramente inacessíveis poucos anos atrás. Podem vender nacionalmente sem construir uma rede de lojas. Podem acessar milhões de consumidores sem investir milhões

RkJQdWJsaXNoZXIy MzE5MzYz