98 moveisdevalor.com.br Na interzum, por exemplo, soluções relacionadas à recuperação de fibras de MDF e HDF, materiais biocirculares, componentes de fontes renováveis e alternativas destinadas a facilitar futuros ciclos de reciclagem estiveram entre as inovações apresentadas. Isso interessa diretamente ao fabricante brasileiro. Escolher um material deixa de ser apenas decidir entre preço, padrão e disponibilidade. Sua durabilidade, estabilidade, origem, possibilidade de reaproveitamento e comportamento durante toda a vida do móvel tendem a adquirir importância crescente. O fornecedor, nesse cenário, também deixa de ser apenas vendedor de insumos e pode assumir um papel maior no desenvolvimento do produto. A MELHOR TECNOLOGIA TALVEZ SEJA AQUELA QUE DESAPARECE Outra tendência destacada por Oliveira parece contradizer a obsessão recente por tornar tudo “smart”. A inovação no móvel não necessariamente precisa aparecer. Sistemas de abertura discretos, mecanismos magnéticos, compartimentos ocultos, ferragens mais eficientes e soluções incorporadas à estrutura mostram que tecnologia pode significar justamente eliminar interferências na experiência do usuário. É uma lógica diferente daquela em que inovação significa acrescentar telas, comandos ou dispositivos eletrônicos ao produto. Em muitos casos, o consumidor talvez não precise perceber a tecnologia. Precisa perceber que o móvel funciona melhor. E isso muda a pergunta que a indústria deveria fazer. Em vez de “qual tecnologia podemos colocar neste móvel?”, talvez seja mais produtivo perguntar produção para se tornar parte do próprio processo criativo”, observa Oliveira. Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes para o desenvolvimento de produtos nos próximos anos. Design e engenharia tendem a se aproximar. O MATERIAL DEIXA DE SER COADJUVANTE Há outra transformação acontecendo nos bastidores: a evolução dos materiais. Painéis, superfícies, adesivos, ferragens, espumas, tecidos, componentes e matérias-primas estão sendo pressionados a entregar não apenas aparência, mas desempenho. “O futuro do móvel pode estar justamente naquilo que o consumidor nunca verá, mas perceberá todos os dias.” Deiveson Ricardo de Oliveira, designer de interiores TENDÊNCIAS
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