99 moveisdevalor.com.br “qual problema do consumidor podemos eliminar com tecnologia?”. DURABILIDADE TAMBÉM PODE VOLTAR A SER ARGUMENTO DE VENDA Existe ainda uma questão comercial. Em mercados pressionados por preço, a indústria frequentemente busca diferenciação acrescentando atributos visíveis ao produto. Mas, se o consumidor começar a valorizar cada vez mais longevidade e desempenho, durabilidade poderá voltar a ocupar espaço importante na construção de valor. Um móvel capaz de permanecer relevante por muitos anos pode representar uma proposta econômica diferente daquela baseada apenas na substituição frequente. Isso não significa abandonar tendências. O Salone del Mobile de Milão de 2026 mostrou que a estética continua extremamente viva. Formas escultóricas, materiais expressivos, madeira, pedra, metais e superfícies táteis apareceram com força nas coleções e instalações. A diferença é que a discussão não termina mais na aparência. A INDÚSTRIA PRECISA OLHAR ALÉM DA PRÓXIMA COLEÇÃO Talvez esteja justamente aí a principal contribuição da reflexão proposta por Deiveson Ricardo de Oliveira. A indústria moveleira continuará precisando acompanhar cores, formas, comportamentos e estilos. Afinal, móveis também são desejo, identidade e expressão cultural. Mas acompanhar tendências não pode significar apenas perguntar qual será o próximo ripado. A próxima vantagem competitiva pode estar em um painel mais estável, numa ferragem substituível, numa construção que facilite desmontagem, numa máquina capaz de produzir algo antes inviável, num material com maior vida útil ou em um projeto pensado desde o início para consumir menos recursos. Na prática, isso exige uma aproximação muito maior entre quem desenha, quem fornece, quem produz e quem vende. Design precisa conversar com engenharia. Engenharia precisa conversar com materiais. Materiais precisam conversar com sustentabilidade. E todos eles precisam conversar com aquilo que o consumidor realmente valoriza. Oliveira acredita que a principal tendência para 2026 e 2027 não será necessariamente um acabamento, uma cor ou um novo desenho de portas. Sua aposta está na capacidade de unir design, engenharia e tecnologia. Para a indústria moveleira, talvez essa seja uma reflexão ainda maior. Porque cores passam. Formas mudam. Acabamentos entram e saem de moda. Mas um móvel que funciona melhor, dura mais e resolve de maneira inteligente a vida das pessoas dificilmente se torna ultrapassado. Fonte e colaboração: esta matéria foi desenvolvida a partir do artigo “Depois do ripado: por que a próxima revolução da marcenaria não será estética”, de Deiveson Ricardo de Oliveira, designer de interiores e especialista em marcenaria de alto padrão. Tecnólogo em Design de Interiores, fundador da Estúdio Carioca, em Belo Horizonte. Deiveson Ricardo de Oliveira
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