Móveis de Valor - Edição 260

28 moveisdevalor.com.br A própria trajetória recente do Magazine Luiza mostra como a discussão é mais complexa. Depois de reduzir sua rede física, a empresa decidiu voltar a inaugurar lojas. No segundo trimestre de 2026, suas vendas no físico cresceram 10,3%, enquanto o e-commerce recuou 11,9%. Portanto, talvez a divisão entre loja física e loja digital esteja ficando velha. O que importa é encontrar um modelo economicamente sustentável para conquistar, atender e manter o consumidor. UMA LIÇÃO PARA QUEM VENDE MÓVEIS É aqui que o caso da Lojas CEM fica particularmente interessante para o setor moveleiro. Móveis pertencem a uma categoria na qual a loja física ainda consegue oferecer vantagens difíceis de reproduzir completamente pela tela. O consumidor pode sentar no sofá, abrir portas e gavetas, perceber dimensões, tocar materiais, comparar acabamentos e conversar sobre entrega, montagem e condições de pagamento. Isso não torna automaticamente uma loja rentável. O que o contraste entre a Lojas CEM e as redes que estão reduzindo suas estruturas sugere é algo diferente: não é a quantidade de lojas que determina a qualidade de uma operação. Uma unidade precisa vender, girar estoque, oferecer serviço, conhecer seu consumidor e produzir retorno compatível com o capital que exige. Nesse sentido, talvez a Lojas CEM não seja exatamente um exemplo de varejo “à moda antiga”. Seu modelo pode ser tradicional, mas a lógica empresarial por trás dele é bastante atual: crescer sem perder produtividade, preservar relacionamento com o cliente, controlar o crédito, evitar endividamento excessivo e abrir lojas quando existe justificativa econômica para isso. Não significa que outros varejistas devam abandonar o e-commerce e copiar a estratégia. Empresas, públicos, regiões e estruturas financeiras são diferentes. O próprio caso apresentado inicialmente já deixa claro que não existe fórmula única para o varejo. Mas, num momento em que cinco gigantes eliminaram mais de 1,1 mil pontos físicos, uma rede que continua abrindo lojas merece ser observada. Talvez a principal conclusão seja justamente aquela que parece mais simples: o problema não é ter loja física. O problema é ter uma loja que não justifique sua existência. E tudo começou em 1952, com uma loja de bicicletas em Salto (SP) permite escolher datas de pagamento e antecipar parcelas com desconto. Isso transforma o crédito em parte da relação entre vendedor e consumidor – e não apenas em um meio de pagamento fornecido por terceiros. Em categorias de tíquete mais elevado, como móveis e eletrodomésticos, essa característica ganha importância. O vendedor não está apenas apresentando o produto; participa também da construção das condições que podem viabilizar a compra. O DIGITAL NÃO IMPORTA? Seria igualmente equivocado chegar a essa conclusão. O comércio eletrônico brasileiro continua crescendo. Em 2025, as vendas online movimentaram R$ 423 bilhões e representaram 14,4% do varejo, segundo estimativas do UBS BB citadas no levantamento da Broadcast. A projeção para 2026 é de R$ 518 bilhões e participação de 16,7%. VAREJO

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