49 moveisdevalor.com.br exemplos de soluções que facilitam a manutenção e prolongam a utilização da peça. Para João Carlos Livoti, diretor de criação da Desmobilia, a experiência com móveis antigos mostra na prática o impacto dessas escolhas. “Na Desmobilia, entendemos a reparabilidade como parte do projeto, e não como uma solução posterior para um problema. Recebemos peças com 40, 50, 70 anos que continuam em uso justamente porque foram construídas de forma a permitir desmontagem, substituição de componentes, renovação de acabamentos ou restauração de estruturas.” Essa experiência influencia também a maneira como novos produtos são concebidos. Segundo Livoti, a empresa evita soluções que tornem materiais inseparáveis e prioriza construções nas quais as partes possam ser acessadas individualmente. UM PRODUTO PENSADO PARA ENVELHECER A reparabilidade acrescenta outra dimensão ao valor de um móvel. Uma peça que pode receber novo revestimento, recuperar sua estrutura ou ter determinado componente substituído ganha possibilidades de permanência que produtos de construção mais fechada não oferecem. “Existem peças produzidas há décadas que hoje valem mais do que quando eram novas. Evidentemente entram nessa equação autoria, fabricante, raridade e relevância histórica, mas há outro fator fundamental: elas sobreviveram porque puderam ser conservadas e restauradas”, afirma Livoti. A possibilidade de manutenção também pode entrar na avaliação de compra, principalmente em móveis de maior valor e concebidos para permanecer muitos anos no ambiente. Para a indústria, isso amplia a discussão sobre o ciclo de vida do produto: além da venda inicial, passam a ganhar importância assistência, reposição de componentes, restauração e relacionamento com o consumidor ao longo do tempo. Produto de Design for Repair visa facilitar a manutenção e o conserto ao longo da vida útil do produto O próprio conceito de DfR aproxima essas decisões da economia circular, considerando desde a escolha dos materiais até as possibilidades de reutilização, reciclagem e reintegração de componentes. O DIREITO DE REPARAR A discussão já ultrapassou o campo do design e chegou às políticas públicas. Em maio de 2024, o Conselho da União Europeia aprovou a Diretiva Direito à Reparação, criada para facilitar a escolha pelo conserto em vez da substituição de produtos. A legislação prevê mecanismos como informações mais claras, acesso a serviços e peças e, em determinadas situações, extensão de 12 “Um móvel que aceita manutenção tem a possibilidade de envelhecer. O que não aceita reparo simplesmente se deteriora até ser descartado.”
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