89 moveisdevalor.com.br sofisticada e um varejo que conhece a categoria. A segunda é a oportunidade. O mercado de volume é extremamente bem atendido, enquanto o segmento genuinamente premium, no qual a escolha considera a forma como o colchão é produzido e não apenas o preço, ainda tem espaço para crescer. É exatamente aí que a Millbrook pretende atuar. Além disso, encontramos um consumidor que viaja mais, está atento ao design e disposto a investir na casa. Não queríamos ser apenas mais uma marca competindo nos mesmos termos. Queríamos trazer algo diferente ao mercado brasileiro. MV: Quais características da Plumatex foram decisivas na escolha da empresa para representar a Millbrook no Brasil? RT: Escolher um parceiro para uma marca como a Millbrook não é simplesmente uma decisão comercial. Estamos colocando em jogo uma reputação construída ao longo de 80 anos. Por isso, confiança, capacidade e ambição foram fundamentais. A Plumatex reúne escala industrial, presença nacional e relações de longa data com importantes varejistas. Isso é essencial porque uma marca premium precisa não apenas de um bom produto, mas também de confiabilidade na entrega e de uma apresentação adequada no ponto de venda. Mas escala, sozinha, não seria suficiente. Rodrigo de Melo e eu nos conhecemos há alguns anos e percebemos rapidamente a possibilidade de trabalharmos juntos, embora naquele momento as condições ainda não fossem as ideais. Mantivemos contato e, em janeiro deste ano, retomamos a conversa. Quando a equipe da Plumatex esteve em Southampton e acompanhou o trabalho de nossos artesãos, entendeu que um colchão Millbrook não se resume a uma especificação técnica. Existe uma cultura de fabricação por trás dele. E percebemos que havia disposição para preservar essa identidade, em vez de simplesmente colocar a marca sobre uma linha de produtos. MV: O acordo brasileiro é um licenciamento de marca ou envolve também transferência de tecnologia, processos produtivos, especificações de materiais e know-how da Millbrook? RT: É muito mais do que uma licença. O projeto trabalha em duas frentes. Colchões feitos à mão em nossa fábrica de Southampton estão sendo importados para o Brasil, permitindo ao consumidor ter acesso ao produto genuinamente britânico. Paralelamente, a Plumatex produzirá modelos Millbrook no país. Para levar o nosso nome, a produção brasileira precisa seguir os princípios e padrões da marca. Por isso, métodos construtivos, especificações de materiais e know-how fazem parte do acordo. Cada modelo é desenvolvido em conjunto e aprovado pela Millbrook antes de chegar ao varejo. Colocar o nome de uma marca em uma etiqueta é fácil. O que estamos transferindo é o conhecimento que existe por trás de um colchão Millbrook. MV: Como garantir que um produto fabricado no Brasil preserve as qualidades que tornam um colchão Millbrook reconhecível no Reino Unido? RT: Sendo rigorosos com aquilo que realmente define a marca. Existem características construtivas e padrões de acabamento que são inegociáveis. Eles são especificados, ensinados e verificados. Não aprovamos um produto apenas a partir de um projeto ou desenho. Avaliamos o colchão pronto e, se ele não atingir o padrão estabelecido, não é lançado. Há ainda uma referência muito concreta: os produtos fabricados em Southampton estarão no mercado brasileiro ao lado dos produzidos aqui. O colchão brasileiro precisa estar ao lado do original britânico e ser reconhecido como integrante da mesma família. Isso cria uma disciplina importante e, para nós, é uma das melhores garantias de qualidade. MV: A Millbrook vai supervisionar a produção brasileira desde o desenvolvimento até o controle de qualidade e a aprovação dos modelos? RT: Sim. E não será uma aprovação feita a distância. O desenvolvimento é conjunto, com as equipes da Millbrook e da Plumatex trabalhando em cada modelo, e a aprovação final antes do lançamento cabe à Millbrook. Também haverá intercâmbio entre as equipes. Muito do nosso conhecimento está nas mãos de pessoas que fabricam camas há décadas, e esse
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