99 moveisdevalor.com.br Outros estudos apontam redução de 66% no consumo de água, 3% no uso de matérias-primas, 23% na geração de resíduos sólidos e 93% na geração de efluentes. Além dos ganhos ambientais, houve redução do custo de produção por unidade. O RESÍDUO COMO RECURSO A transformação de resíduos em matéria-prima abre possibilidades interessantes para o setor moveleiro. Porém, mais material reciclado não significa necessariamente menor impacto. Em uma Avaliação do Ciclo de Vida de 25 peças de mobiliário, uma cadeira composta por 52% de materiais reciclados apresentou impacto ambiental superior ao de outra com 27%. Entre os fatores estava a quantidade total de material utilizado na primeira peça. O estudo indica que reduzir o volume de matéria-prima empregado em cada produto pode ser tão ou mais relevante do que simplesmente aumentar a participação de conteúdo reciclado. Esse olhar mais amplo aproxima a discussão sobre materiais da própria lógica da economia circular. Projeto, produção, uso, manutenção, reutilização, reforma, remanufatura e reciclagem precisam ser considerados em conjunto. Na indústria moveleira, essa perspectiva também favorece o desenvolvimento de produtos que possam ser desmontados e reaproveitados, além de novos modelos capazes de conectar fabricantes, designers, prestadores de serviço e consumidores. Para João Carlos Livoti, diretor de criação da Desmobilia (famosa marca brasileira de móveis, peças vintage e design retrô), o mercado brasileiro ainda está amadurecendo. “Existe interesse crescente por materiais alternativos, mas acreditamos que o consumidor dificilmente compra um móvel apenas porque ele é sustentável. Antes de tudo, ele precisa funcionar como design: ter qualidade, durabilidade, boa construção e uma linguagem coerente. O aspecto sustentável acrescenta valor quando está integrado a essas características". O executivo também identifica uma oportunidade na aproximação entre grandes indústrias, pequenos fabricantes e designers independentes. Sobras, aparas, peças fora de especificação e excedentes que não justificam um novo processo industrial João Carlos Livoti, diretor de criação da Desmobilia Durante a produção da mesa e banqueta Gather, a serragem gerada pelo corte da mesa foi coletada e transformada em polímeros de origem vegetal usados na impressão 3D dos bancos podem encontrar outras aplicações em empresas menores ou em séries limitadas. MATÉRIAS-PRIMAS INOVADORAS Entre as iniciativas que ilustram esse movimento está a Model No., empresa norte- americana que utiliza resíduos agrícolas de palha de milho, cana- -de-açúcar e beterraba na fabricação de móveis por impressão 3D. A companhia desenvolveu uma linha formada por mesa, criado-mudo e mesa de centro, com modelos que podem ser personalizados em forma, dimensão e cor. Também utiliza madeira certificada FSC, aço e alumínio em seus produtos. A proposta combina aproveitamento de subprodutos agrícolas e fabricação sob demanda, reduzindo a
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