53 moveisdevalor.com.br Para os fabricantes que dependem de operações contínuas ou de elevada utilização da capacidade instalada, a redução do tempo disponível de trabalho poderá exigir ganhos de produtividade, reorganização de processos ou contratação de pessoal. O efeito financeiro dependerá da estrutura de cada indústria, da produtividade e das condições estabelecidas nas negociações coletivas. LOJAS TERÃO DE REVER ESCALAS DE ATENDIMENTO No comércio de móveis e colchões, a principal preocupação será conciliar os novos períodos de descanso com o funcionamento das lojas, especialmente aos sábados e em outros dias de maior movimento. Estabelecimentos que atualmente utilizam escalas de seis dias de trabalho poderão precisar reorganizar equipes ou ampliar o quadro de vendedores para preservar os horários de atendimento. Em um segmento que enfrenta dificuldades de consumo e pressão sobre as margens, o eventual aumento de despesas operacionais representa mais um fator a ser considerado no planejamento das empresas. INDÚSTRIA ALERTA PARA AUMENTO DE CUSTOS A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com os efeitos econômicos da medida. O presidente da federação, Flávio Roscoe, argumenta que, sem aumento correspondente da produtividade, a redução das horas trabalhadas encarece o custo da hora de trabalho e pode resultar em preços mais elevados para produtos e serviços. A entidade também alerta para possíveis reflexos sobre os empregos formais. Essas consequências, entretanto, não são automáticas. A dimensão dos impactos dependerá das condições de cada atividade, da capacidade de reorganização das empresas e dos ganhos de eficiência obtidos durante a transição. DESAFIO SERÁ CONCILIAR CUSTOS E PRODUTIVIDADE A mudança também é defendida como uma forma de ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores e melhorar as condições de vida, preservando a remuneração. Para a indústria e o varejo moveleiro, o desafio será compatibilizar esse objetivo com a necessidade de manter a produção, o atendimento e a competitividade. A nova jornada chega em um momento de dificuldades para o comércio de móveis, pressionado por juros elevados, crédito caro e retração das vendas em diferentes regiões do país. Nesse cenário, o planejamento das escalas, a negociação coletiva e os investimentos em produtividade tendem a ganhar importância. Mais do que uma alteração na quantidade de horas trabalhadas, o fim da escala 6x1 exigirá que empresas revejam a maneira como organizam suas operações. Para o setor moveleiro, a questão central será produzir e vender com eficiência em menos horas de trabalho, sem comprometer a sustentabilidade financeira dos negócios.
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