Móveis de Valor - Edição 261

68 moveisdevalor.com.br quer lugar, consiga olhar para o móvel e se relacionar com ele. Conhecer sua origem acrescenta uma camada à experiência.” O designer ressalta, entretanto, que a origem brasileira não é suficiente para determinar o valor de um produto. Para ele, o potencial está na combinação entre identidade, qualidade de execução e funcionalidade. Essa perspectiva ganha uma dimensão particular quando a referência é a Amazônia, região frequentemente utilizada no imaginário internacional. Para Igor, a maneira de trabalhar esse território parte de sua própria experiência. “No meu caso, o ponto de partida é a experiência de ter vivido ali. Nasci em Manaus, perto de uma área de floresta, e cresci entre a vida da cidade, a presença da natureza e as histórias que circulavam naquele ambiente.” O aparador Rocca é um exemplo desse processo. Inspirado nas lembranças de passeios em Presidente Figueiredo, no Amazonas, o móvel incorpora ao desenho as diferentes formas e perspectivas das formações rochosas observadas pelo designer. “Meu desejo era trazer para dentro de casa um pouco daquela sensação de descoberta que eu tinha ao percorrer esses lugares. É assim que minha experiência da Amazônia participa do projeto, orientando a relação entre a forma, o espaço e quem convive com o móvel.” DA AMAZÔNIA PARA UM REPERTÓRIO BRASILEIRO A ideia de construir uma identidade nacional, portanto, não precisa estar concentrada em uma única região. A diversidade brasileira reúne diferentes materiais, técnicas, modos de viver e referências culturais que podem alimentar o desenvolvimento de novos produtos. No Estúdio Igor Lima, esse movimento começa a aparecer na transição da coleção Amazônia 1 para a coleção Brasil. “A coleção Amazônia 1 nasceu de uma relação muito pessoal com o lugar de onde vim, com a madeira e com as formas que fazem parte da minha memória. Com o Banco Pedras e a luminária Broto, começo a coleção Brasil, abrindo espaço para outros materiais, técnicas e referências do país.” O objetivo, segundo o designer, é construir esse repertório a partir do encontro entre diferentes linguagens. “Cada região reúne conhecimentos, modos de viver e maneiras de trabalhar a matéria que podem contribuir para o mobiliário contemDESIGN Banco Capivara, da Plataforma4. Peça em madeira maciça Jequitibá ou Tauari, inspirado na forma suave e amigável da capivara, com assento levemente curvado e pernas robustas e cônicas Igor Lima, Engenheiro Civil, arquiteto, designer de mobiliário e dono do Estúdio que leva seu nome significados e reconhecer quem a produz.” UMA IDENTIDADE QUE PODE VIAJAR A construção de uma linguagem brasileira também levanta uma questão sobre a presença do mobiliário nacional no exterior. Em um mercado no qual referências visuais circulam internacionalmente, elementos associados a um território podem funcionar como parte da identidade de uma peça sem limitar sua capacidade de dialogar com consumidores de outras culturas. Na avaliação de Igor Lima, o principal potencial está justamente na possibilidade de apresentar um olhar próprio. “Quero que uma pessoa, em qual-

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