Móveis de Valor - Edição 261

69 moveisdevalor.com.br porâneo. O interesse está justamente nessa diversidade e na possibilidade de criar a partir dela, preservando as particularidades de cada origem.” Esse processo também envolve aproximação com comunidades que detêm conhecimentos específicos. O estúdio já mantém contato com comunidades ribeirinhas, especialmente no desenvolvimento da luminária Broto. Na coleção Amazônia 1, a madeira ocupa posição central. O conjunto reúne bancos, mesas, peças decorativas e o aparador Rocca, todos relacionados às memórias do designer, à floresta e à observação das formas naturais. “A fauna, a vegetação e as referências culturais com que cresci se transformam em curvas, proporções, encaixes e estruturas.” Segundo Igor, características como veios, tonalidades, toque e resistência se encontram com os encaixes e com a função estrutural das peças. As decisões relacionadas à matéria-prima também alcançam aspectos ambientais. O estúdio utiliza madeiras certificadas e dá preferência àquelas provenientes de áreas de manejo, trabalhando com espécies como muiracatiara e freijó. Na coleção Brasil, outras soluções são incorporadas, como o tecido produzido com resíduos de garrafas PET retirados dos oceanos e o aproveitamento de sobras da marcenaria nos pés de madeira do Banco Pedras. A fauna brasileira, nesse contexto, aparece como parte de um repertório maior. Animais, vegetação, materiais, técnicas, memórias e conhecimentos regionais podem alimentar diferentes caminhos de criação, desde que transformados em decisões efetivas de projeto. Para o mobiliário brasileiro, essa diversidade amplia as possibilidades de desenvolver produtos que carreguem referências do território sem depender exclusivamente de modelos externos. O resultado é uma relação em que natureza e cultura não funcionam apenas como elementos decorativos, mas como fontes de pesquisa para forma, matéria e construção. Ao levar essas referências para o mobiliário, designers como Igor Lima mostram que a identidade brasileira pode ser construída a partir das experiências e dos conhecimentos presentes no próprio país, encontrando no mercado internacional não uma barreira, mas outro espaço para apresentar diferentes maneiras de olhar, criar e transformar a cultura em design. Aparador Rocca, coleção Amazônia 1, de Igor Lima. Peça de mobiliário que reflete as complexidades das formações no Amazonas. Linhas sinuosas remetem as curvas calcárias encontradas nessas formações geológicas Luminária Broto, coleção Brasil, de Igor Lima. Inspirada pelos ritmos da natureza e por saberes vernaculares, a peça traduz crescimento, resistência e continuidade, transformando matéria em atmosfera e presença Poltrona Tatu, de Sergio J. Matos. A concha da peça e a armadura do animal são formadas por um mosaico de corda naval. Os pés sustentam de forma elegante a estrutura, que ganha leveza na junção dos dois elementos

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