Móveis de Valor - Edição 261

94 moveisdevalor.com.br BED REPORT Produzir mais colchões não significa lucrar mais Luciano Raduan Dias, presidente da Abicol, avalia que produzir mais colchões já não significa necessariamente crescer. Para ele, além do volume, a indústria precisa considerar rentabilidade, valor agregado e mudanças no comportamento de compra do consumidor Durante muito tempo, aumentar o número de colchões produzidos era praticamente sinônimo de crescimento. Mais unidades saindo da fábrica significavam um ano melhor. A transformação do mercado, a pressão sobre a renda das famílias e as mudanças no comportamento de compra começam, porém, a colocar essa conta em discussão. Para Luciano Raduan Dias, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol), acompanhar a quantidade produzida continua sendo fundamental, mas deixou de ser suficiente para avaliar a qualidade do desempenho de uma empresa. A questão agora envolve também quanto valor, margem e rentabilidade são gerados por cada unidade colocada no mercado. O cenário brasileiro ajuda a explicar essa mudança. Segundo dados do IBGE citados por Dias, o volume de vendas de móveis caiu 2,7% em julho de 2026 na comparação anual. O segmento ainda acumulava recuo de 2,4% no ano e de -3,4% em 12 meses. Embora o indicador não seja específico para colchões, serve como referência para o comportamento de bens duráveis, segmento particularmente sensível às condições de crédito, renda e confiança do consumidor. RENDA COMPROMETIDA PRESSIONA A DECISÃO DE COMPRA Outro componente dessa equação está no endividamento. Dados do Banco Central apresentados pelo presidente da Abicol mostram que os pagamentos previstos das dívidas das famílias correspondiam a 28,85% da renda mensal em junho de 2026, ante 27,17% um ano antes. O reflexo chega diretamente ao varejo. Mesmo reconhecendo a necessidade de trocar o colchão, o consumidor pode postergar a compra, pesquisar mais e negociar condições de pagamento. Quando decide desembolsar mais, também passa a exigir razões mais claras para escolher um produto de maior valor. Essa realidade ajuda a explicar por que faturamento, quantidade produzida e crescimento precisam ser analisados em conjunto. Uma indústria pode preservar receita e, simultaneamente, vender menos unidades e utilizar menos sua capacidade. No sentido inverso, pode produzir mais e comprometer a rentabilidade com descontos, prazos excessivos e produtos de margem insuficiente. MERCADO MUNDIAL TAMBÉM MUDA A LÓGICA O fenômeno não está restrito ao Brasil. Dados da CSIL apresentados por Dias estimam o mercado mundial de colchões em aproximadamente US$ 30 bilhões em 2025, em valores de fábrica. Enquanto a Ásia-Pacífico concentra cerca de 40% do consumo e mais da metade da produção, Europa e América do Norte enfrentam demanda mais enfraquecida.

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