94 moveisdevalor.com.br BED REPORT Produzir mais colchões não significa lucrar mais Luciano Raduan Dias, presidente da Abicol, avalia que produzir mais colchões já não significa necessariamente crescer. Para ele, além do volume, a indústria precisa considerar rentabilidade, valor agregado e mudanças no comportamento de compra do consumidor Durante muito tempo, aumentar o número de colchões produzidos era praticamente sinônimo de crescimento. Mais unidades saindo da fábrica significavam um ano melhor. A transformação do mercado, a pressão sobre a renda das famílias e as mudanças no comportamento de compra começam, porém, a colocar essa conta em discussão. Para Luciano Raduan Dias, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol), acompanhar a quantidade produzida continua sendo fundamental, mas deixou de ser suficiente para avaliar a qualidade do desempenho de uma empresa. A questão agora envolve também quanto valor, margem e rentabilidade são gerados por cada unidade colocada no mercado. O cenário brasileiro ajuda a explicar essa mudança. Segundo dados do IBGE citados por Dias, o volume de vendas de móveis caiu 2,7% em julho de 2026 na comparação anual. O segmento ainda acumulava recuo de 2,4% no ano e de -3,4% em 12 meses. Embora o indicador não seja específico para colchões, serve como referência para o comportamento de bens duráveis, segmento particularmente sensível às condições de crédito, renda e confiança do consumidor. RENDA COMPROMETIDA PRESSIONA A DECISÃO DE COMPRA Outro componente dessa equação está no endividamento. Dados do Banco Central apresentados pelo presidente da Abicol mostram que os pagamentos previstos das dívidas das famílias correspondiam a 28,85% da renda mensal em junho de 2026, ante 27,17% um ano antes. O reflexo chega diretamente ao varejo. Mesmo reconhecendo a necessidade de trocar o colchão, o consumidor pode postergar a compra, pesquisar mais e negociar condições de pagamento. Quando decide desembolsar mais, também passa a exigir razões mais claras para escolher um produto de maior valor. Essa realidade ajuda a explicar por que faturamento, quantidade produzida e crescimento precisam ser analisados em conjunto. Uma indústria pode preservar receita e, simultaneamente, vender menos unidades e utilizar menos sua capacidade. No sentido inverso, pode produzir mais e comprometer a rentabilidade com descontos, prazos excessivos e produtos de margem insuficiente. MERCADO MUNDIAL TAMBÉM MUDA A LÓGICA O fenômeno não está restrito ao Brasil. Dados da CSIL apresentados por Dias estimam o mercado mundial de colchões em aproximadamente US$ 30 bilhões em 2025, em valores de fábrica. Enquanto a Ásia-Pacífico concentra cerca de 40% do consumo e mais da metade da produção, Europa e América do Norte enfrentam demanda mais enfraquecida.
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