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CONSUMO Como conquistar o novo consumidor de móveis? DESTAQUE O sucesso da São Carlos nasce de sua trajetória NRF 2026 IA se consolida como a “eletricidade” do varejo TRABALHO Escassez de mão de obra muda o ritmo das fábricas Norte & Nordeste Edição 45 | Janeiro • Fevereiro • Março de 2026 As regiões Norte e Nordeste, este ano, respondem por quase 24% de todo o potencial de consumo de móveis do país POTENCIAL DE CONSUMO DE MÓVEIS EM 2026 É R$ 26,8 BI moveisdevalor.com.br @moveisdevalor

4 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Redação e Administração Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 3º andar Portão • Curitiba • PR • Brasil • CEP 81070-430 (41) 99912-9877 moveisdevalor.com.br Diretores Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Administração e Finanças Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br Redação Inalva Corsi | 3035 PR Jornalista Responsável redacao@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino | 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sul Inalva Corsi (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sudeste e Nordeste Cidinha Leal (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br Diagramação e Direção de Arte Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br Assinaturas e Circulação (41) 99912-9877 assina@moveisdevalor.com.br Apoiam esta publicação Sindmóveis/PE • Sindicato das Indústrias de Móveis de Pernambuco Presidente: Guilherme Brito (81) 3338-1370 Sindimir • Sindicato das Indústrias de Madeira de Imperatriz e Região Presidente: Manoel Messias Nunes Sarmento (99) 3524-8624 Sindmóveis/CE • Sindicato das Indústrias do Mobiliário no Estado do Ceará Presidente: Osterno Junior (85) 3261-9769 EXPEDIENTE A revista Móveis de Valor Norte & Nordeste é uma publicação trimestral de responsabilidade do Intelligence Group e que conta com o apoio dos sindicatos e entidades de classe do Norte e Nordeste. Tem como objetivo a divulgação e promoção exclusiva da indústria e do varejo de móveis destas regiões. Norte & Nordeste @moveisdevalor Acompanhe a Móveis de Valor também em nossas redes sociais Acesse a versão digital da revista Chega até você a edição número 45 da Móveis de Valor Norte & Nordeste, que marca o início do décimo segundo ano da publicação criada para ser vitrine da indústria moveleira das duas regiões. Nesta edição mostramos por que o Nordeste é hoje o verdadeiro termômetro da sensibilidade da indústria de móveis. A região atua como acelerador dos ciclos nacionais e tornou-se peça-chave para qualquer planejamento estratégico que vise cobertura do varejo em todo o País. Essa percepção se torna ainda mais evidente quando analisamos o potencial de consumo para 2026. Norte e Nordeste juntos concentram R$ 26,8 bilhões, o equivalente a 23,7% do potencial nacional, com forte concentração em poucos municípios. No Nordeste, 100 cidades respondem por 66,2% do consumo. No Norte, a concentração é ainda maior: apenas 50 municípios representam 75% do potencial regional de móveis neste ano. Ao mesmo tempo, uma análise da última década revela que a indústria moveleira nacional - incluindo Norte e Nordeste - segue profundamente dependente do ambiente econômico. Com forte vínculo ao crédito e à renda, o setor entra em 2026 pressionado por juros elevados e consumo cauteloso. Ainda assim, há empresas que crescem apesar do cenário. A pernambucana Móveis São Carlos, ao completar 40 anos de atuação, vive plena expansão de seu parque fabril. Outro exemplo é a fabricante de espumas industriais e colchões Artfoam, que negocia com o governo de Alagoas a instalação de uma nova planta no estado, com investimentos superiores a R$ 15 milhões e geração de mais de 100 empregos diretos. As feiras nordestinas realizadas neste início de ano, como o Salão Móvel Paraíba (PB) e a Expoaju (SE), também evidenciam a força da indústria e do varejo regionais, reforçando o dinamismo do mercado. PALAVRA DA EDITORA Para as indústrias, a leitura obrigatória desta edição é o conteúdo sobre governança como caminho para aumentar a lucratividade. O artigo do designer Jorge Montaña, atualmente residente na Colômbia, relata como uma cadeira se transformou em troféu para homenagear um ícone do setor, Vikentios Kakakis - uma reflexão que ultrapassa o design e alcança legado e identidade. A NRF continua sendo referência global em inovação. A edição deste ano consolidou a tese de que a Inteligência Artificial é a “eletricidade” do novo varejo, redefinindo processos e modelos de negócio. O ano começa de forma paradoxal: inflação sob controle e mercado de trabalho aquecido de um lado; crise fiscal e juros elevados de outro. Em ano eleitoral, essa combinação cria o ambiente perfeito para redefinir estratégias empresariais. E não podemos ignorar o desafio estrutural da falta de mão de obra. A matéria final aborda como a indústria busca substituir trabalhadores experientes enquanto enfrenta a resistência dos jovens a ocuparem postos considerados pouco atrativos. Vale a leitura. Publisher

5 12 Potencial de consumo de móveis Norte e Nordeste em 2026 NRF 2026: IA se consolida como “eletricidade” do novo varejo 44 Como conquistar o novo consumidor de móveis do país? 22 Escassez de mão de obra muda o ritmo das fábricas 48 SUMÁRIO 06 CÁ ENTRE NÓS 08 NOTAS 10 O NORDESTE REVELA TENDÊNCIAS E OSCILAÇÕES DO MERCADO MOVELEIRO 20 POR QUE A PRODUÇÃO DE MÓVEIS SEGUE REFÉM DA ECONOMIA? 24 MOVELEIROS MIRAM RECUPERAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES AOS EUA 26 O SUCESSO DA SÃO CARLOS NASCE DE SUA TRAJETÓRIA 30 NORDESTINO CRESCE FAZENDO MÓVEIS SOB MEDIDA EM PORTUGAL 32 GRUPO INVESTE R$ 15 MILHÕES EM FÁBRICA DE ESPUMAS EM ALAGOAS 34 SALÃO MÓVEL PARAÍBA SE CONSOLIDA NO CALENDÁRIO DO NORDESTE 36 EXPOAJU REÚNE 50 EXPOSITORES E LOJISTAS DE TODO NORDESTE 40 O CAMINHO DA GOVERNANÇA PARA UMA INDÚSTRIA MAIS LUCRATIVA 42 ARTIGO: COMO UMA CADEIRA VIROU TROFÉU EM HOMENAGEM A UM ÍCONE 46 JUROS ELEVADOS E ANO ELEITORAL REDEFINEM O JOGO EMPRESARIAL

6 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ARI BRUNO LORANDI CÁ ENTRE NÓS A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos muda o jogo. Tarifas deixam de ser apenas instrumentos comerciais e passam a integrar uma lógica mais ampla de proteção econômica, cadeias produtivas e produção doméstica. Isso significa menos previsibilidade e mais política nas decisões de importação. Apostar que o mercado americano simplesmente “abrirá” para o móvel brasileiro pode ser uma leitura otimista demais. Talvez a estratégia mais inteligente não seja esperar uma virada nos EUA, mas diversificar mercados e reduzir a dependência de um cenário cada vez mais volátil. O mundo mudou. E quem entender isso antes, sai na frente. Leia a análise completa no QR Code. A cautela no Brasil não é conjuntural, é estrutural. Endividamento alto, renda pressionada e crédito caro fazem parte do cenário há anos - e isso moldou um consumidor naturalmente defensivo. Em 2026, o que muda é a intensidade. A compra ficou mais racional. Menos impulso, mais comparação. Menos desejo puro, mais percepção de valor. O consumo não desaparece - ele se reorganiza. Ganha espaço quem comunica melhor, entrega confiança e reduz o risco percebido. O jogo deixa de ser volume e passa a ser estratégia. Leia a análise completa no QR Code. O setor reclama que o cliente só pergunta “qual é o mais barato?”. Mas quem treinou esse comportamento? Durante anos, o varejo priorizou fechar rápido em vez de vender certo. Menos diagnóstico, menos explicação, mais pressão por preço. O resultado é um consumidor condicionado a decidir pelo critério mais simples. Margem não melhora com promoção constante. Melhora com venda de valor, preparo de equipe e coragem para mudar o modelo mental. Antes de culpar o consumidor, talvez seja hora de rever como estamos vendendo. Leia o texto completo no QR Code. Mais do que queda digital, os números revelam comportamento: o consumidor não deixou de comprar móveis - ele prefere decidir na loja física. Móvel exige toque, conversa, confiança e serviço bem executado. Promoções impulsionam o clique, mas o fechamento continua acontecendo no chão da loja. O recado é claro: o futuro do setor não está em disputar tráfego, e sim em elevar a experiência presencial. Quem investir em pessoas, serviço e propósito sai na frente. Leia o texto completo no QR Code. Os últimos dez anos mostram um setor moveleiro preso a um ciclo de picos curtos e quedas recorrentes. Cresce um pouco, perde fôlego logo depois. Não é acaso - é padrão. O problema não está apenas na fábrica. A indústria é o meio da cadeia, não o fim. Produção instável reflete consumo instável, crédito restrito e um modelo que ainda responde com preço quando o consumidor pede valor. Não é mais sobre produzir mais. É sobre vender melhor, integrar a cadeia e reconstruir desejo. Leia a análise completa no QR Code. Quando falamos em inovação, pensamos logo em tecnologia. Mas o Brasil tem um ativo poderoso - e pouco explorado - para competir lá fora: o fator local. Cultura, hábitos, clima, formas de morar e de usar o móvel são fontes reais de diferenciação. Num mercado global saturado de produtos padronizados, identidade vira valor. Mas atenção: não é caricatura, é tradução inteligente da cultura em design, funcionalidade e narrativa. Quem transforma identidade em estratégia sai da guerra de preço e entra na disputa por margem. Leia a análise completa no QR Code. FATOR LOCAL: NOSSA VANTAGEM COMPETITIVA INVISÍVEL EUA: OPORTUNIDADE OU ILUSÃO ESTRATÉGICA? O CONSUMIDOR BRASILEIRO NÃO TRAVOU - ELE FICOU MAIS ESTRATÉGICO QUEM ENSINOU O CONSUMIDOR A SÓ OLHAR PREÇO? O E-COMMERCE DE MÓVEIS OSCILOU AO LONGO DO ANO O SOBE E DESCE QUE VIROU PADRÃO

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8 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Crédito: Sertão Play para ML Comunicação Depois de janeiro ainda positivo, com alta de 0,8%, o setor entrou em trajetória de queda contínua ao longo do ano. A partir de março, as perdas se aprofundam mês a mês, chegando ao pior momento em agosto, com retração de 4,7%. De setembro a dezembro há uma leve estabilização, mas fechou o ano com queda próxima de 4% no volume. O consumidor está mais seletivo, mais cauteloso e comprando menos móveis. E isso muda completamente a lógica de 2026: não será um ano de repasse, será um ano de disputa por volume. NOTAS SEBRAE-BA PROMOVE EVENTO DA MARCENARIA SOBRE REFORMA TRIBUTÁRIA CASAS BAHIA AMPLIA PREJUÍZO NO 1º TRIMESTRE E FECHA 21 LOJAS VAREJO DE MÓVEIS EM 2025 MOSTRA UM ANO NEGATIVO EM VOLUME O Sebrae-BA e a Associação de Marceneiros do Sul da Bahia (AMSB) realizaram um seminário sobre como a Reforma Tributária afeta o setor de marcenaria, no dia 17 de março, na sede do Sebrae em Itabuna. O objetivo foi apresentar um panorama detalhado da situação atual, incluindo os impostos pagos por profissionais enquadrados como MEI, micro ou pequenas empresas, além das obrigações tributárias vigentes. A alternativa também ajudou a preparar o setor para os efeitos das alterações, que vão além da carga tributária e envolvem o surgimento de novas obrigações fiscais. A Casas Bahia elevou seu prejuízo líquido para R$ 408 milhões no primeiro trimestre, contra perda de R$ 261 milhões no mesmo período do ano passado, apesar de um desempenho operacional positivo. Dentro da estratégia da companhia, a varejista fechou 21 lojas em abril, informou o diretor financeiro da Casas Bahia, Elcio Ito, após a abertura de uma unidade nos primeiros três meses de 2025. Quanto ao encerramento de lojas, Ito disse que podem acontecer mais fechamentos, mas as decisões serão avaliadas caso a caso. Dados da CNDL em parceria com o SPC Brasil mostram que 84,7% dos consumidores negativados em dezembro de 2025 já haviam passado pelo cadastro nos 12 meses anteriores. Pior: dois terços ainda não tinham quitado dívidas antigas quando voltaram a ficar inadimplentes. Em média, o intervalo entre uma dívida e outra foi de apenas 70 dias. Para o setor de móveis, altamente dependente de parcelamento, o alerta é direto: vender sem critério de crédito não é estratégia de crescimento — é risco financeiro. Em 2026, gestão de risco será tão importante quanto volume de vendas. INADIMPLÊNCIA REINCIDENTE ATINGE 84,7% E PREOCUPA O CRÉDITO

9 O empresário Marlon Aguiar, acionista do grupo Jacaúna e nome de destaque no cenário político-empresarial cearense, morreu aos 73 anos no dia 16 de janeiro, em Fortaleza. Irmão do ex-deputado estadual Rogério Aguiar, Marlon era reconhecido pela influência exercida no Vale do Acaraú, tanto no setor empresarial quanto na articulação política regional, além do envolvimento em ações comunitárias ao longo de décadas. Marlon estava internado em estado grave após ter sido encontrado com ferimentos na cabeça na fazenda onde residia, no município de Marco, no interior do Ceará. Um incêndio de grandes proporções destruiu completamente um galpão da fábrica Império dos Colchões Pajuçara, no município de Maracanaú, dia 24 de janeiro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas, mas a estrutura foi totalmente arruinada. Não há informações sobre o que causou o incêndio. O mercado de consórcios fechou 2025 em crescimento, mas é em 2026 que o produto ganha papel mais estratégico. Tradicionalmente ligado a veículos e imóveis, o consórcio avança agora para dentro das residências, consolidando-se como alternativa para móveis planejados. O movimento acompanha as mudanças no mercado imobiliário, com imóveis menores e projetos mais personalizados. Diante de um consumidor atento ao custo total de morar, o consórcio deixa de ser crédito emergencial e passa a ser ferramenta de planejamento. Mais do que financiar, organiza o investimento. E isso muda a lógica da compra no setor. Entre 2021 e 2025, o IPCA geral acumulou 32,9%. Já o IPCA de mobiliário subiu 51,7% — quase 19 pontos percentuais acima da inflação média do país. Na prática, móveis ficaram cerca de 4% ao ano mais caros que o restante da cesta de consumo. O pico veio em 2021 e 2022, no auge da pressão de custos, e mesmo com desaceleração posterior, o acumulado já estava consolidado. Quando um produto sobe muito acima da inflação média, ele passa a disputar espaço no orçamento familiar. A pergunta agora é direta: o consumidor vai continuar absorvendo esses preços ou o setor entrará em um ciclo de maior resistência, mais promoções e margens comprimidas? 2026 pode ser o ano da resposta. MAIS UM GRANDE INCÊNDIO DESTRÓI FÁBRICA DE COLCHÕES NO CEARÁ CONSÓRCIO DE MÓVEIS PLANEJADOS SE CONSOLIDA COMO ALTERNATIVA O BOLSO DO CONSUMIDOR SENTE: MÓVEIS SUBIRAM BEM ACIMA DO IPCA MORRE EMPRESÁRIO MARLON AGUIAR, SÓCIO DO GRUPO JACAÚNA

10 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE O NORDESTE REVELA TENDÊNCIAS E OSCILAÇÕES DO MERCADO MOVELEIRO tuada da renda disponível e do acesso ao crédito em comparação à média do país. Essa característica ficou evidente no ciclo iniciado em 2016, quando a crise nacional derrubou a receita do varejo de móveis em quase 10%. Na região, o tombo foi mais profundo, superando os 13% de retração. Mesmo quando o país começou a ensaiar uma recuperação em 2017, o Nordeste ainda patinava em terreno negativo. Esse atraso na retomada reforça o padrão estrutural de que os choques econômicos demoram mais para serem digeridos pela base de consumo regional, exigindo estratégias de longo prazo das indústrias que desejam atuar no local. O Nordeste atua como um acelerador dos ciclos nacionais, sendo peça-chave para qualquer planejamento estratégico que vise a cobertura nacional de varejo A última década consolidou uma lição importante para a indústria moveleira nacional: o Nordeste não é apenas um mercado de grande volume, mas sim o principal termômetro da sensibilidade econômica do setor no Brasil. Enquanto o desempenho nacional do varejo de móveis desenhou uma trajetória de relativa estabilidade, a região Nordeste operou em uma montanha-russa de ciclos intensos, revelando-se uma região que responde com rapidez — e amplitude — tanto aos estímulos quanto às crises macroeconômicas. O PREÇO DA DEPENDÊNCIA DE CRÉDITO Historicamente, o Nordeste apresenta uma dependência mais acenPor Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor

11 A análise deixa muitas orientações para os empresários nordestinos ENTRE AJUSTES SEVEROS E RETOMADAS AGRESSIVAS Se nas crises o impacto é maior, nos momentos de bonança o Nordeste demonstra uma elasticidade invejável. O biênio 2024–2025 ilustra bem essa "agressividade" na recuperação. Enquanto o crescimento nacional em 2024 ficou na casa dos 7,2%, o Nordeste acelerou acima da média, registrando uma expansão de 8,4%, impulsionada diretamente pela melhora do mercado de trabalho e pela expansão das linhas de crédito. Contudo, essa força é volátil. O período de aperto monetário e juros elevados entre 2022 e 2023 trouxe um novo ajuste severo: enquanto o Brasil ainda conseguia crescer discretamente (2,4%), o Nordeste registrava uma retração média superior a 4%. O DESAFIO PARA A INDÚSTRIA EM 2026 Chegamos a 2025 com um cenário de desaceleração mútua, com o país enfrentando uma leve retração e a região buscando uma estabilidade moderada. O diagnóstico para o empresário moveleiro é claro: o comportamento do Nordeste indica que a região não é estruturalmente mais fraca que as demais, mas sim mais sensível às oscilações de política econômica. Para a indústria, o desafio agora é entender essa elasticidade. Em momentos de expansão, é preciso estar pronto para uma demanda que cresce acima da média nacional; em tempos de juros altos, a resiliência operacional é o que separa as marcas que permanecem das que perdem espaço nesse mercado vibrante, porém exigente. Esta análise de 10 anos reforça que o Nordeste atua como um acelerador dos ciclos nacionais, sendo peça-chave para qualquer planejamento estratégico que vise a cobertura nacional de varejo. LEITURA ESTRATÉGICA PARA A INDÚSTRIA O QUE ISSO SIGNIFICA PARA A INDÚSTRIA MOVELEIRA A análise dos últimos 10 anos sugere três conclusões: 1. Maior volatilidade regional O Nordeste oscila mais que a média nacional, tanto para cima quanto para baixo. 2. Recuperação mais intensa em ciclos positivos Quando crédito e renda reagem, a região responde rapidamente. 3. Dependência de fatores macroeconômicos Política de juros e renda disponível impactam de forma mais direta o desempenho regional. • Estratégias de estoque precisam considerar maior volatilidade. • Políticas comerciais e prazos devem ser calibradas regionalmente. • Campanhas promocionais tendem a gerar resposta mais rápida no Nordeste. • O risco é maior — mas o potencial de aceleração também. O Nordeste não é um mercado secundário. É um mercado mais sensível. E sensibilidade, em economia, pode significar risco — ou oportunidade. Depende de como a indústria decide atuar.

12 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE POTENCIAL DE CONSUMO DE MÓVEIS NO NORTE E NORDESTE EM 2026 representa 66,2% de todo o potencial da região. • Capilaridade: Quase metade da população nordestina (47,2%) vive nesses 100 principais centros urbanos. • O maior número de municípios é da Bahia (31), seguido de Pernambuco (21) e Ceará (15) NORTE: OPORTUNIDADE EM EXPANSÃO • Volume Total: O Norte projeta um potencial de R$ 5,5 bilhões. • Densidade: Os 50 maiores municípios nortistas respondem por R$ 4,1 bilhões, ou Os dados da pesquisa do Mapa do Mercado, estudo anual desenvolvido pelo Instituto Impulso com dados secundários do IPC Marketing, revelam que o Brasil projeta um potencial de consumo de mobiliário superior a R$ 113 bilhões para 2026. O recorte regional para o Norte e Nordeste é extremamente significativo, representando uma fatia estratégica do mercado nacional. O PESO DO NORTE E NORDESTE NO CENÁRIO NACIONAL • Representatividade: As duas regiões somadas detêm um potencial de consumo de R$ 26,8 bilhões. Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor • Participação de Mercado: O Norte e o Nordeste respondem por 23,7% de todo o potencial de consumo de móveis do país. • Demografia: Essas regiões concentram 35,6% da população brasileira e 33% do total de domicílios. NORDESTE: O GIGANTE REGIONAL • Volume Total: O Nordeste sozinho possui um potencial de R$ 21,3 bilhões. • Concentração Urbana: Os 100 maiores municípios do Nordeste concentram R$ 14,1 bilhões desse consumo, o que

13 A análise deixa muitas orientações para os empresários nordestinos seja, 75% do potencial da região está focado nesses polos. • O maior número de municípios é do Pará (24) e depois Rondônia (10). INSIGHT PARA A INDÚSTRIA O dado mais impactante para o setor é a concentração de mercado. No Nordeste, focar nos 100 maiores municípios (ranking a seguir) garante acesso a mais de 66% do potencial de vendas da região. No Norte, essa concentração é ainda mais agressiva: focar nos 50 maiores municípios atinge 75% do potencial regional. IPC MÓVEIS 2026 NORTE POPULAÇÃO DOMICÍLIOS POSIÇÃO NACIONAL POTENCIAL DE CONSUMO MANAUS AM 2.279.686 645.522 10 795.739.530 BELÉM PA 1.398.531 418.500 14 641.749.885 PORTO VELHO RO 514.873 154.810 54 318.998.752 RIO BRANCO AC 387.852 126.635 94 214.433.311 ANANINDEUA PA 507.838 155.818 83 208.459.259 PALMAS TO 323.625 111.709 74 163.266.679 MACAPÁ AP 487.200 126.647 87 133.742.012 PARAUAPEBAS PA 298.854 96.310 142 121.035.224 SANTARÉM PA 357.311 98.708 164 102.166.944 MARABÁ PA 288.513 88.169 165 99.948.821 BOA VISTA RR 470.169 129.829 90 94.526.217 JI-PARANÁ RO 139.359 45.698 261 84.031.387 CASTANHAL PA 207.603 64.997 222 78.278.821 VILHENA RO 108.528 36.470 306 72.214.421 ARAGUAÍNA TO 181.493 59.135 227 63.534.424 ARIQUEMES RO 108.573 35.364 340 60.387.214 CACOAL RO 97.637 32.604 369 52.849.291 ALTAMIRA PA 136.982 43.111 321 52.405.729 MARITUBA PA 118.998 36.371 364 50.755.957 GURUPI TO 89.574 31.153 348 39.481.239

14 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE IPC MÓVEIS 2026 NORTE POPULAÇÃO DOMICÍLIOS POSIÇÃO NACIONAL POTENCIAL DE CONSUMO TUCURUÍ PA 96.238 27.302 447 37.421.876 REDENÇÃO PA 91.947 28.749 434 37.309.435 ITAITUBA PA 133.684 38.166 385 37.079.317 ROLIM DE MOURA RO 62.559 21.508 508 36.746.321 PARAGOMINAS PA 112.843 33.615 423 35.710.375 ABAETETUBA PA 170.999 43.932 401 35.152.737 CRUZEIRO DO SUL AC 98.382 27.663 533 34.269.011 BRAGANÇA PA 131.679 37.706 442 32.553.621 CANAÃ DOS CARAJÁS PA 86.629 29.196 494 32.319.175 SANTANA AP 118.353 29.146 418 29.165.942 SANTA IZABEL DO PARÁ PA 78.317 24.453 565 26.078.565 CAPANEMA PA 74.808 23.471 578 25.900.650 JARU RO 55.583 18.932 644 23.291.454 PIMENTA BUENO RO 39.053 12.560 767 23.142.116 PORTO NACIONAL TO 68.555 22.389 557 21.445.009 MANACAPURU AM 110.691 27.772 502 21.319.005 PARAÍSO DO TOCANTINS TO 55.164 18.883 577 21.309.653 ITACOATIARA AM 112.520 28.603 501 21.266.000 XINGUARA PA 56.999 18.804 664 20.461.173 TAILÂNDIA PA 75.526 21.319 649 20.410.267 GUAJARÁ-MIRIM RO 43.553 11.825 910 19.477.233 OURO PRETO DO OESTE RO 38.681 13.251 791 19.117.183 PARINTINS AM 101.956 23.746 570 18.571.844 BARCARENA PA 137.331 39.570 411 18.391.985 CAMETÁ PA 143.837 33.964 623 18.352.541 SALINÓPOLIS PA 48.168 13.979 832 17.239.071 BENEVIDES PA 68.191 21.296 662 16.868.792 BREVES PA 115.051 25.004 728 16.367.709 TEFÉ AM 79.278 18.035 686 16.072.168 SENA MADUREIRA AC 43.916 12.939 1.053 14.710.768 Municípios do Norte (Total) 18.669.345 5.345.032 5.504.766.401 50 maiores do Norte 11.153.690 3.285.338 4.195.526.112 Representatividade 50 60% 61% 76%

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16 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE IPC MÓVEIS 2026 NORDESTE POPULAÇÃO DOMICÍLIOS POSIÇÃO NACIONAL POTENCIAL DE CONSUMO SALVADOR BA 2.568.928 947.079 6 1.915.042.369 FORTALEZA CE 2.574.412 859.425 7 1.419.845.544 RECIFE PE 1.587.707 548.497 12 982.900.649 SÃO LUÍS MA 1.088.057 351.880 19 642.036.586 NATAL RN 785.368 268.195 29 502.770.616 MACEIÓ AL 994.464 338.801 26 483.756.805 JOÃO PESSOA PB 888.679 304.967 24 467.564.788 FEIRA DE SANTANA BA 657.948 226.290 51 374.606.016 JABOATÃO DOS GUARARAPES PE 683.285 235.875 47 373.162.883 ARACAJU SE 628.849 221.161 41 367.523.470 TERESINA PI 902.644 284.187 34 327.881.671 VITÓRIA DA CONQUISTA BA 394.024 133.900 100 224.918.626 OLINDA PE 365.402 126.111 99 210.257.884 CAMPINA GRANDE PB 440.939 150.335 79 207.254.075 CARUARU PE 402.290 143.286 96 205.877.486 CAMAÇARI BA 319.394 113.985 125 194.056.546 PAULISTA PE 362.960 127.149 119 193.672.740 PARNAMIRIM RN 269.298 93.654 117 175.495.669 PETROLINA PE 414.083 134.964 122 166.534.873 CAUCAIA CE 375.730 123.153 128 154.105.972 IMPERATRIZ MA 285.146 92.235 146 153.246.766 LAURO DE FREITAS BA 217.960 78.389 149 152.708.572 JUAZEIRO DO NORTE CE 303.004 100.209 157 130.500.114 MOSSORÓ RN 278.034 93.115 150 130.425.692 ITABUNA BA 196.676 71.279 190 124.950.270 JUAZEIRO BA 254.481 81.716 181 120.710.477 MARACANAÚ CE 249.684 81.304 179 117.140.641 PORTO SEGURO BA 181.007 63.495 224 99.314.720 ILHÉUS BA 189.028 66.427 216 99.094.520 BARREIRAS BA 170.667 55.901 235 94.605.305 NOSSA SENHORA DO SOCORRO SE 202.450 69.283 221 94.446.166 CABO DE SANTO AGOSTINHO PE 216.969 73.033 228 93.097.861 TEIXEIRA DE FREITAS BA 153.332 53.235 251 90.916.414 ALAGOINHAS BA 160.662 56.353 250 90.336.840

17 IPC MÓVEIS 2026 NORDESTE POPULAÇÃO DOMICÍLIOS POTENCIAL NACIONAL POTENCIAL DE CONSUMO JEQUIÉ BA 168.733 58.645 274 87.119.653 ARAPIRACA AL 243.661 79.201 206 84.601.764 SOBRAL CE 215.286 69.432 236 83.772.710 CAMARAGIBE PE 155.771 53.742 281 79.614.550 TIMON MA 182.241 55.398 290 77.159.283 LUÍS EDUARDO MAGALHÃES BA 116.662 40.191 285 75.636.745 EUNÁPOLIS BA 120.515 42.465 316 72.091.860 GARANHUNS PE 151.064 49.936 314 66.049.623 SANTO ANTÔNIO DE JESUS BA 109.267 39.109 349 62.550.412 SIMÕES FILHO BA 120.394 42.218 370 61.385.884 PAULO AFONSO BA 119.128 39.189 356 61.296.408 PACO DO LUMIAR MA 152.306 50.538 322 61.069.165 VITÓRIA DE SANTO ANTÃO PE 143.799 48.781 357 57.340.297 PARNAÍBA PI 169.552 52.740 260 56.666.435 IGARASSU PE 122.312 41.392 368 56.362.822 SANTA RITA PB 159.121 51.154 337 55.747.010 CRATO CE 138.232 45.310 343 53.934.972 SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE PE 104.277 35.642 381 53.194.385 PATOS PB 107.774 36.602 344 51.964.022 CAXIAS MA 163.428 48.366 390 51.883.873 SÃO GONÇALO DO AMARANTE RN 123.207 41.820 373 51.360.590 ABREU E LIMA PE 103.945 35.538 394 50.881.356 BALSAS MA 106.094 31.967 410 47.944.005 SÃO LOURENÇO DA MATA PE 117.759 39.967 437 46.831.073 GUANAMBI BA 93.065 30.963 454 43.966.242 SANTA INÉS MA 88.167 27.086 479 43.610.713 ITAPETINGA BA 68.735 23.992 499 42.886.646 AÇAILÂNDIA MA 110.506 34.619 421 42.482.615 DIAS D'ÁVILA BA 75.053 26.218 513 41.619.547 SÃO CRISTÓVÃO SE 100.360 35.136 425 40.999.127 IPOJUCA PE 105.638 34.465 451 40.377.744 BACABAL MA 107.620 33.149 493 39.693.561 EUSÉBIO CE 80.304 27.223 480 39.469.265 IRECÊ BA 78.425 26.575 549 39.443.530

18 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE IPC MÓVEIS 2026 NORDESTE POPULAÇÃO DOMICÍLIOS POTENCIAL NACIONAL POTENCIAL DE CONSUMO CANDEIAS BA 75.083 25.892 535 38.871.798 SERRA TALHADA PE 98.143 33.307 474 38.722.716 ITABAIANA SE 108.408 39.145 438 38.578.875 IGUATU CE 102.251 35.194 432 38.038.421 ARCOVERDE PE 82.003 28.681 509 37.591.227 VALENÇA BA 90.028 32.293 525 37.395.271 GRAVATA PE 91.887 32.830 522 37.239.408 CARPINA PE 83.205 27.992 542 36.661.386 BAYEUX PB 84.404 27.633 497 35.994.368 JACOBINA BA 86.649 31.245 536 35.605.365 CABEDELO PB 70.067 23.391 458 34.681.340 SENHOR DO BONFIM BA 77.976 27.066 562 34.402.155 AQUIRAZ CE 84.737 28.592 541 34.350.677 MARANGUAPE CE 108.937 34.675 490 33.334.698 RIO LARGO AL 97.435 32.719 488 32.320.244 BRUMADO BA 74.095 24.936 567 31.972.479 CODO MA 118.295 34.758 566 31.890.879 BELO JARDIM PE 83.647 29.688 571 31.764.082 CAICO RN 63.339 22.141 544 31.549.387 CRUZ DAS ALMAS BA 63.203 21.896 614 31.426.779 SERRINHA BA 84.428 29.372 564 31.326.627 GOIANA PE 85.160 28.398 588 29.187.766 ITABERABA BA 68.244 23.788 654 28.641.309 CATU BA 50.153 18.131 673 27.757.903 PICOS PI 86.228 29.590 449 27.721.022 PACATUBA CE 85.873 27.957 605 27.628.625 ITAITINGA CE 70.679 25.060 665 27.628.111 ITAPIPOCA CE 137.892 42.481 539 26.997.565 PACAJUS CE 74.825 24.622 600 26.967.003 CAJAZEIRAS PB 66.171 22.808 556 26.759.419 HORIZONTE CE 79.934 26.929 667 26.632.258 SÃO JOSÉ DE RIBAMAR MA 257.414 86.748 244 26.623.149 Municípios do Nordeste (Total) 57.112.096 18.967.283 21.330.229.057 100 maiores do Nordeste 26.976.755 9.177.595 14.138.029.828 Representatividade 100 47% 48% 66%

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20 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE POR QUE A PRODUÇÃO DE MÓVEIS SEGUE REFÉM DA ECONOMIA? nor dependência de parcelamento, o móvel permanece fortemente atrelado ao mercado interno e à capacidade das famílias de assumir compromissos financeiros. Em períodos de juros elevados e inadimplência crescente, o consumo de bens duráveis tende a ser postergado. O impacto é imediato na indústria, que sente o recuo nas encomendas, na reposição de estoques e no ritmo das linhas de produção. Para 2026, o cenário permanece desafiador. O ambiente combina juros ainda altos, crédito restrito e um contexto eleitoral que, historicamente, gera cautela nas decisões de consumo e investimento. A expectativa predominante é de estagnação ou, na melhor hipótese, leve retração. Diante desse quadro, a agenda esNos últimos dez anos, a indústria moveleira brasileira alternou breves recuperações e quedas profundas. Com forte dependência de crédito e renda, o setor entra em 2026 ainda pressionado por juros elevados e consumo cauteloso A indústria moveleira brasileira encerrou 2025 após uma década marcada por instabilidade e forte influência do ambiente macroeconômico. O período foi menos uma trajetória de crescimento contínuo e mais uma sucessão de altos e baixos, com momentos de recuperação intercalados por retraçõeas significativas. Em 2016, a produção caiu 10,1%. Em 2022, o recuo foi ainda mais intenso: 16,2%. Houve respiros importantes, como em 2017, quando o Por Guilherme Arruda, jornalista convidado setor avançou 4,5%, e em 2024, com crescimento de 9,8%, impulsionado por melhora temporária na renda e no crédito. Ainda assim, o saldo da década é negativo: a média anual foi de -2,23%, revelando um setor estruturalmente pressionado. A explicação está menos dentro das fábricas e mais no ambiente econômico. Simulações estatísticas indicam que variáveis como taxa de juros, inadimplência e renda familiar explicam cerca de 78% da variação anual da produção. Em termos práticos, significa que quase quatro quintos da oscilação do setor estão diretamente ligados ao cenário macroeconômico. Isso evidencia um ponto central: a indústria de móveis está entre as mais sensíveis ao ciclo de crédito. Diferentemente de segmentos com maior vocação exportadora ou me-

21 tratégica das empresas ganha peso. Eficiência operacional deixa de ser diferencial e passa a ser condição de sobrevivência. Gestão de estoques mais ajustada, controle rigoroso de custos, revisão constante de portfólio e maior inteligência comercial tornam-se fundamentais. A diversificação de mercados, inclusive com ampliação de exportações e busca por novos nichos, também surge como alternativa para reduzir a dependência exclusiva do consumo doméstico. Embora o mercado externo não seja solução imediata para todos, representa caminho relevante para mitigar riscos estruturais. A última década deixou uma lição clara: o desempenho da produção de móveis no Brasil está profundamente conectado ao ambiente econômico. Esperar apenas por ciclos favoráveis já não é estratégia suficiente. Em 2026, mais do que torcer por melhora no cenário macro, as empresas precisarão transformar cautela em planejamento, disciplina financeira em vantagem competitiva e eficiência em base para atravessar um período que ainda exige prudência. Um fator decisivo para alavancar a indústria de móveis é a construção de casas

22 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Capacidade de variar sem perder escala se torna ativo estratégico COMO CONQUISTAR O NOVO CONSUMIDOR DE MÓVEIS DO PAÍS? DURABILIDADE COMO ARGUMENTO COMERCIAL O consumo impulsivo perde espaço para escolhas mais ponderadas. O móvel volta a ser visto como investimento de médio prazo. Durabilidade, conforto real e design atemporal tornam-se atributos centrais. A promessa de permanência substitui o apelo da novidade constante. O consumo de móveis no Brasil passa por uma transformação estrutural. Mais do que oscilações de renda ou crédito, o setor enfrenta mudanças profundas no comportamento do consumidor, que afetam projeto, mix de produtos, comunicação e formato de loja. A fadiga com ofertas padronizadas, a racionalidade nas compras e a busca por identidade e permanência dentro do lar redefinem o mercado. A casa deixa de ser apenas espaço funcional e passa a expressar propósito e estilo de vida. O consumidor demonstra menor tolerância a ambientes genéricos. O “móvel neutro para agradar a todos” perde força diante da valorização da identidade. Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor Isso pressiona fabricantes e varejistas a oferecer coleções com posicionamento claro, mesmo em linhas de maior volume. A personalização deixa de ser exclusividade do planejado e passa a ser expectativa também no seriado — dentro de limites viáveis de escala. FLEXIBILIDADE PRODUTIVA GANHA VALOR O excesso começa a gerar fricção. Catálogos superlotados e opções pouco distintas dificultam a decisão. A curadoria ganha protagonismo: menos produtos, melhor explicados, organizados por uso e estilo de vida. O valor deixa de estar na variedade e passa para a clareza.

23 Menos opções dispersas, mais clareza de aplicação e posicionamento Fornecedor que orienta o desenvolvimento deixa de ser commodity Rastreabilidade e eficiência material ganham peso nas escolhas Desempenho técnico e longevidade influenciam a decisão do fabricante Desempenho técnico e longevidade influenciam a decisão do fabricante Textura, toque e cor agregam valor antes mesmo do móvel pronto SUSTENTABILIDADE CONCRETA, NÃO RETÓRICA O consumidor busca menos ruído e mais sentido. Rastreabilidade, eficiência material e coerência ganham relevância. Empresas que ajustarem produto, comunicação e varejo a esse novo perfil tendem a construir relevância duradoura. As que insistirem apenas em volume e repetição correm o risco de perder conexão com um consumidor que mudou — e não pretende voltar atrás. SENSORIALIDADE APLICADA AO MATERIAL Mesmo com mais racionalidade, a emoção continua decisiva. Texturas, cores, volumes e iluminação influenciam a percepção de valor. O luxo passa a ser associado à experiência e ao bem-estar, não à ostentação. PORTFÓLIO MAIS ENXUTO, MAIS ESTRATÉGICO A loja física assume papel de orientadora. Ambientes intencionais e narrativas claras ajudam o consumidor a decidir com segurança. Experiência substitui transação. APOIO TÉCNICO E NARRATIVA FORTALECEM A PARCERIA A demanda mais cautelosa exige revisão das políticas de estoque. Comprar por volume sem lastro de demanda aumenta risco financeiro. Estoque passa a ser decisão estratégica, não apenas operacional. O QUE MUDA NA PRÁTICA PARA A INDÚSTRIA E O VAREJO DE MÓVEIS 1. Menos linhas genéricas, mais identidade clara Coleções com posicionamento definido geram conexão. 2. Personalização viável em escala Modularidade e variações controladas ampliam percepção de escolha. 3. Curadoria substitui excesso Menos SKUs, melhor organização por uso e estilo. 4. Durabilidade como argumento central Vida útil e desempenho passam a orientar venda. 5. Experiência sensorial no ponto de venda Textura, iluminação e narrativa elevam valor percebido. 6. Loja como mediadora de decisão Ambientes ajudam o consumidor a escolher com segurança. 7. Estoque como estratégia Mix e giro devem refletir um consumidor mais cauteloso.

24 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE MOVELEIROS MIRAM RECUPERAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES AOS EUA pelos EUA “é positiva para a competitividade da indústria moveleira e pode significar a retomada dos negócios com o principal mercado consumidor internacional”. Para o presidente do Sindimóveis Pernambuco, Guilherme Brito, “todo protecionismo, que tem como intenção salvar empregos, nem sempre alcança, e, muitas vezes, traz consigo um aumento do custo de vida para a população. É fundamental os governos permitirem que o setor privado ofereça o melhor que tem disponível para a população”. Já entre associações industriais mais amplas, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a avaliação mistura alívio e alerta. Ricardo Alban, presidente da CNI, disse que a decisão é observada com “atenção e cautela”, A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o amplo “tarifaço” imposto pelo governo norte-americano ao Brasil foi recebida com otimismo cauteloso pela indústria moveleira brasileira, que vinha sofrendo com aumento de barreiras comerciais e perda de competitividade no principal mercado externo para seus produtos. ENTIDADES DESTACAM ALÍVIO, COM RESSALVAS Representantes da indústria avaliam a decisão como um alívio importante, mas reforçam que o ambiente comercial ainda exige cautela e ação estruturada. A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) afirma que o setor acompanhou de perto as discussões judiciais nos EUA e que a decisão pode reduzir a pressão sobre exportadores brasileiros, que vinham enfrentando tarifas de até 40% em alguns segmentos. Em comunicado, a entidade ressaltou que a indústria brasileira já vinha operando em um “novo paradigma comercial”, arcado por maior fragmentação, regulamentação e imprevisibilidade, e que a potencial retirada das sobretaxas pode acelerar a estabilização do comércio, mas não elimina desafios estruturais, como a necessidade de diversificação de mercados e competitividade industrial. Outro posicionamento veio do Sindusmobil, que representa fabricantes de móveis e madeira. Para o presidente Luiz Carlos Pimentel, a redução das tarifas de importação anunciada

25 Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel Luiz Carlos Pimentel, presidente do Sindusmobil Guilherme Brito, presidente do Sindimóveis-PE considerando a “relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, mas destacou a importância de previsibilidade nas relações comerciais. EXPECTATIVAS DOS EXPORTADORES O segmento exportador moveleiro teve desempenho oscilante em 2025, com queda significativa nas remessas destinadas aos EUA nos últimos períodos do ano, após o início das tarifas elevadas. Historicamente, os Estados Unidos eram o principal destino das exportações brasileiras de móveis e colchões, chegando a responder por cerca de 30% do total antes da escalada tarifária. Em 2025, esse percentual caiu para cerca de 23,5%, refletindo o impacto das barreiras impostas. Com a decisão, há a expectativa de que esse movimento possa ser parcialmente revertido ao longo de 2026, desde que as tarifas sejam efetivamente reduzidas ou revertidas em categorias chave; haja previsibilidade sobre a aplicação do novo quadro tarifário (que hoje utiliza a chamada Seção 122 com sobretaxas de até 15% temporárias); as negociações comerciais e diplomáticas avancem de forma coordenada. SETOR MANTÉM POSTURA DE CAUTELA ESTRATÉGICA Apesar do alívio, há consenso entre especialistas de que a decisão da Suprema Corte não resolve todos os problemas: O ambiente comercial americano ainda é considerado protecionista, e novas bases jurídicas podem ser usadas para impor tarifas a produtos estrangeiros, inclusive móveis brasileiros; a aplicação prática das mudanças tarifárias ainda depende de regulamentação técnica por parte das autoridades aduaneiras dos EUA; a experiência de 2025 reforçou, no setor, a importância de diversificar mercados, reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a competitividade industrial. O QUE SIGNIFICA PARA O BRASIL Embora o cenário ainda não represente uma normalização automática do comércio com os EUA, as reações das entidades revelam que há um alívio significativo na perspectiva de exportações em curto prazo; a medida pode criar um ambiente comercial menos volátil e mais favorável, desde que consolidada; e o setor vê a necessidade de conectar política comercial, diplomacia e estratégia exportadora para realmente aproveitar essa janela de oportunidade. EUA NO RADAR Antes da escalada tarifária, os Estados Unidos respondiam por cerca de 30% das exportações brasileiras de móveis e colchões, sendo historicamente o principal destino externo do setor. Com a imposição das sobretaxas, essa participação caiu para algo próximo de 23% a 24%, segundo dados consolidados do setor. A decisão da Suprema Corte norte-americana, ao considerar ilegais as tarifas ampliadas, abre espaço para: Recuperação gradual de market share Exportadores que perderam competitividade podem retomar negociações e contratos suspensos. Reequilíbrio de preços A retirada ou redução de sobretaxas melhora a margem e reposiciona o produto brasileiro frente a concorrentes asiáticos. Retomada de volumes Especialmente móveis de madeira, estofados e linhas com maior valor agregado. Mas o cenário ainda exige cautela. Parte das tarifas pode permanecer sob outros instrumentos legais, e o ambiente comercial dos EUA continua marcado por volatilidade regulatória. A janela está aberta, mas aproveitar depende de estratégia, diplomacia comercial e competitividade industrial.

26 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE O SUCESSO DA SÃO CARLOS NASCE DE SUA TRAJETÓRIA Moisés, dono da empresa, a me deixar trabalhar. De tanto ele me mandar para casa e eu não o atender, fiz ouvido de mercador e invadi literalmente seu ambiente de trabalho. Fiquei com ele por uns três anos, adquirindo experiência”, afirma. Foi a partir daí que Carlos Brito se arriscou mais, viajando para São Paulo na casa de parentes e sem passagem de volta. Ele conta que ficou por lá e arrumou um emprego no ramo calçadista, mas sua verdadeira paixão eram os móveis. “Por sorte, tinha uma indústria de móveis próxima da casa de meu tio. Falei com o Sr. José Turon, que de imediato me deu uma oportunidade, foi onde aprendi a fazer móveis seriados. Fiquei uns três anos em sua fábrica, a Móveis Pirineus”, relata. Ele lembra que, na sequência, quis mudar e buscou novas oportuniSão 40 anos de experiência na produção de móveis seriados para o Nordeste e outros estados brasileiros. Empresa ampliou seu parque fabril recentemente visando expansão no mercado Toda a trajetória da Móveis São Carlos, de Afogados da Ingazeira (PE), passa pelo conhecimento adquirido por Carlos Brito, seu fundador. Desde muito jovem ele já demonstrava interesse pela produção de móveis e conseguiu colocar em prática tudo que aprendeu ao longo dos anos em que construía seus próprios brinquedos, e depois, numa indústria paulista de móveis seriados. Foi essa experiência que fez com que a empresa se transformasse no que é hoje, uma marca com clientes em todo o Brasil e buscando agora conquistar outros países. “Quando criança, meus pais tinham poucos recursos, não tinha dinheiro para comprar brinquedos. De vez em quando eles encomendavam móveis para nossa casa (na época não existiam lojas de móveis prontos ou seriados) e eu aproveitava esses momentos para pegar sobras de materiais, cola, lixa, tudo que pudesse fazer algum tipo brinquedo, começa aí a empatia com móveis”, recorda-se Carlos Brito. A partir daí, vemos que as histórias da São Carlos e de seu fundador se misturam muito. Ele conta que teve sorte e felicidade de frequentar uma escola que tinha muitas opções de atividades como marcenaria, mecânica, música, corte e costura, e artesanato. “Meu primeiro trabalho assalariado foi justamente em uma fábrica de calçados, na minha cidade. Na verdade, eu obriguei o Sr Por Natalia Concentino, jornalista

27 dades, conseguindo vaga de trabalho temporário no Mappin (um grande magazine no passado) e depois resolveu ser fotógrafo. “Desde adolescente já andava com uma máquina fotográfica registrando o que via, comecei a fotografar casamentos, aniversários e batizados”. Mas, como sabemos, o destino dele estava ligado aos móveis... Foi em 1985 que Carlos voltou para o sertão pernambucano, já casado e com dois filhos. “No ano seguinte iniciamos com meu irmão Alexandre a tentativa de transformar uma pequena marcenaria em indústria moveleira. Sempre buscando inovações no segmento, achamos um grande canal de oportunidades e conhecimento nas feiras setoriais”, conta o empresário sobre sua primeira empreitada no ramo moveleiro. “Após procurar o pessoal da Duratex, fui convidado a frequentar esses eventos, fomos muito bem tratados e respeitados por nossos compatriotas do Sul e Sudeste, que nos abriram muitas portas e nos deram muitas oportunidades. Sou muito grato a esse povo! Até hoje não é diferente, temos grandes amigos no setor”. O empresário aproveita para fazer um relato que serve como uma homenagem a um grande líder do setor moveleiro no Nordeste. “Após esse avanço, conhecemos o Sr Vikentios Kakakis, (grego de nascimento) que naquela época era presidente do Sindmovéis- -PE. Ele, juntamente com a FIEPE e o Sebrae, levaram algumas vezes mais de um ônibus com pequenos fabricantes de móveis de todo Nordeste para as feiras no Sul, abrindo muitas oportunidades para conterrâneos crescerem em suas atividades”, relembra. MÓVEIS SÃO CARLOS CELEBRA AMPLIAÇÃO Com 40 anos de mercado, a Móveis São Carlos conta agora com um parque fabril de 34mil m² de área coberta, desses, 20 mil m² concluídos no ano passado. “Tudo feito sob medida para superarmos os desafios do mercado atual. O importante é que onde chegamos somos bem aceitos, os produtos giram bem em qualquer mercado que vendemos”, comemora o empresário. Com um mercado consumidor cada vez mais dinâmico, Carlos diz que estão constantemente aprendendo e buscando competências para alcançar resultados. “Esse ano por exemplo, devemos participar de mais de 12 feiras como expositor. É muito importante estar presente, recebendo nossos clientes e criando mais aproximação da indústria com o comércio. Entendo ser fundamental esses eventos”, conclui. Carlos Brito, fundador da Móveis São Carlos Mesa Luna, em cinamomo com off White, com cadeira Mônaco, em tecido Asgard, um dos destaques de 2026 da São Carlos Infraestrutura inclui uma fábrica moderna e um sistema de logística eficiente

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30 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE NORDESTINO CRESCE FAZENDO MÓVEIS SOB MEDIDA EM PORTUGAL serva diferenças culturais no consumo: portugueses tendem a preferir linhas clássicas e retas, enquanto brasileiros arriscam mais no design. Em comum, destaca a valorização do atendimento e da confiança. Apesar da rotina intensa — que já incluiu longos deslocamentos e fins de semana de trabalho —, Cosme afirma que o esforço valeu a pena. Recentemente, concluiu o equivalente ao ensino médio em Portugal e planeja ingressar, em 2027, na faculdade de arquitetura e urbanismo. Para o futuro, o empresário projeta a abertura de duas novas carpintarias, uma no Porto e outra na Espanha, onde identifica escassez de mão de obra especializada. “A maior experiência é a força de vontade. Quem quer, aprende”, resume. *Texto elaborado por IA com informações e imagem www.publico.pt Da imigração ao empreendedorismo, Cosme Santos construiu uma carpintaria de mobiliário sob medida em Portugal baseada em trabalho intenso e credibilidade Com apenas 2.700 euros no bolso, o sergipano Cosme Santos chegou a Portugal há três anos para recomeçar a vida. Hoje, é proprietário da Santos Carpintaria, empresa de mobiliário sob medida instalada em Santa Maria da Feira, no distrito do Porto, com cerca de 500 mil euros investidos em maquinário, frota própria e planos de expansão internacional. Nascido em Salgado, no interior de Sergipe, Cosme teve contato com a carpintaria ainda adolescente. Aos 13 anos, dividia o tempo entre a escola e o trabalho manual; aos 15, já atuava com autonomia profissional. Criado apenas pela mãe, conquistou independência financeira cedo e chegou a montar sua própria carpintaria em Aracaju antes de decidir emigrar. A chegada a Portugal, em 2023, marcou um novo começo. Durante um ano e meio, trabalhou como funcionário em uma carpintaria local, de domingo a domingo, enquanto investia na compra de máquinas e ferramentas. Após uma breve sociedade, decidiu seguir sozinho — escolha que se mostrou acertada. Hoje, a Santos Carpintaria atende clientes em diversas cidades portuguesas, como Porto, Maia e Lisboa, com foco em mobiliário sob medida. Entre os principais produtos estão cozinhas completas, móveis para quartos, salas e banheiros. Uma cozinha pode ficar pronta, em média, em seis dias, com produção mensal que varia entre seis e oito unidades. A equipe conta atualmente com cinco colaboradores — portugueses e brasileiros — e deve ganhar mais um integrante nos próximos dias. Embora tenha um representante comercial, Cosme faz questão de fechar pessoalmente os negócios. “Prometer só o que pode cumprir é regra”, afirma. Segundo ele, esse cuidado é decisivo para a fidelização dos clientes. A matéria-prima utilizada vem de países como Brasil, Espanha, França e China. Entre as madeiras mais usadas estão o carvalho, conhecido pela resistência, e a faia, de acabamento mais uniforme. Cosme ob-

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32 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE O polo industrial de Marechal Deodoro, em Alagoas, destaca-se como um hub estratégico, impulsionando a economia local através da atração de empresas de diversos setores Crédito: Edvan Ferreira e Tallyta Marques GRUPO INVESTE R$ 15 MILHÕES EM FÁBRICA DE ESPUMAS EM ALAGOAS O mapa da indústria de colchões no Nordeste está prestes a ganhar um novo e robusto capítulo. O Governo de Alagoas iniciou negociações estratégicas para a instalação da Artfoam, empresa especializada na fabricação de espumas industriais e colchões, em um projeto que prevê investimentos superiores a R$ 15 milhões. A chegada da unidade produtiva deve movimentar o mercado de trabalho local já em sua fase inicial, com a estimativa de geração de mais de 100 empregos diretos. Para além dos postos de trabalho na fábrica, projeta-se um efeito multiplicador na cadeia produtiva alagoana, beneficiando os setores de logística, suprimentos e o comércio regional. A escolha do estado não foi por acaso. Segundo o diretorpresidente da Artfoam, João Luís Carvalho Barbosa, a decisão foi pautada por uma análise rigorosa da logística e do potencial econômico do Nordeste. • O estado oferece vantagens competitivas para a distribuição e exportação de produtos. • O crescimento do polo moveleiro regional cria o ambiente ideal para a expansão. • A fábrica terá capacidade para atender desde o segmento popular até o mercado de alto padrão, integrando a produção de espumas à montagem final dos colchões. INFRAESTRUTURA NO POLO DE MARECHAL DEODORO As tratativas apontam o polo industrial de Marechal Deodoro como o local mais provável para o empreendimento. A área é considerada estratégica por oferecer: Terrenos com alta capacidade de expansão fabril; Acesso direto e facilitado às principais rodovias; Infraestrutura completa com energia e gás natural. Atualmente, o projeto avança nas etapas técnicas e na definição dos pacotes de incentivos fiscais e locacionais pelo Governo Estadual. Caso as tratativas sigam o cronograma estabelecido, a expectativa é que a Artfoam inicie suas operações em solo alagoano até o final de 2026, incluindo planos futuros para a abertura de uma rede de lojas próprias no estado.

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