MV Norte & Nordeste

VAREJO Menos lojas e mais estratégias no Nordeste PESQUISA O que faz o consumidor escolher uma loja de móveis? ESPECIAL O quarto mudou e a indústria deve acompanhar TENDÊNCIA Moda e natureza inspiram o design de móveis Norte & Nordeste Edição 48 | Outubro • Novembro • Dezembro de 2026 Vendas avançam no Ceará, Bahia mostra recuperação tímida e Brasil acumula queda de 2,4% no volume vendido PERNAMBUCO PUXA CRESCIMENTO DO VAREJO DE MÓVEIS NO NORDESTE moveisdevalor.com.br @moveisdevalor

4 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Redação e Administração Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 3º andar Portão • Curitiba • PR • Brasil • CEP 81070-430 (41) 99912-9877 moveisdevalor.com.br Diretores Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Administração e Finanças Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br Redação Inalva Corsi | 3035 PR Jornalista Responsável redacao@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino | 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães | 15396 PR caetano@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sul Inalva Corsi (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sudeste e Nordeste Cidinha Leal (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br Diagramação e Direção de Arte Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br Assinaturas e Circulação (41) 99912-9877 assina@moveisdevalor.com.br Apoiam esta publicação Sindmóveis/PE • Sindicato das Indústrias de Móveis de Pernambuco Presidente: Guilherme Brito (81) 3338-1370 Sindimir • Sindicato das Indústrias de Madeira de Imperatriz e Região Presidente: Manoel Messias Nunes Sarmento (99) 3524-8624 Sindmóveis/CE • Sindicato das Indústrias do Mobiliário no Estado do Ceará Presidente: Osterno Junior (85) 3261-9769 EXPEDIENTE A revista Móveis de Valor Norte & Nordeste é uma publicação trimestral de responsabilidade do Intelligence Group e que conta com o apoio dos sindicatos e entidades de classe do Norte e Nordeste. Tem como objetivo a divulgação e promoção exclusiva da indústria e do varejo de móveis destas regiões. Norte & Nordeste @moveisdevalor Acompanhe a Móveis de Valor também em nossas redes sociais Acesse a versão digital da revista Quando nos aproximamos do final do ano, fica a impressão de que 2026 mal começou. Pelo menos é o que sugere o desempenho do comércio de colchões no Nordeste. Dos três estados pesquisados pelo IBGE, apenas um apresenta resultados que destoam, inclusive, do cenário nacional. Nesta edição, analisamos o comportamento das vendas de janeiro a agosto. E, por falar em comércio, enquanto grandes redes reduzem sua presença física na região, pequenas redes regionais ganham espaço e desenvolvem estratégias para proteger suas margens. Mas o que leva o consumidor a escolher uma loja de móveis? Uma pesquisa realizada pela Móveis de Valor ajuda a responder essa pergunta, revelando hábitos de compra, expectativas de atendimento e os serviços mais valorizados. O quarto também está mudando. A questão é saber se a indústria moveleira acompanha essa transformação. As pessoas buscam mais conforto e bem-estar, mas os espaços cada vez mais compactos exigem móveis inteligentes e funcionais. Até a queda da natalidade está redesenhando o mercado de móveis infantis. Com menos crianças e orçamentos familiares mais apertados, cresce a necessidade de produtos multifuncionais, capazes de acompanhar diferentes fases da infância. Ainda no universo do quarto, mostramos como o aumento dos custos PALAVRA DA EDITORA e a concorrência dos importados pressionam a indústria de colchões. A edição traz também a cobertura da Expomóvel Pernambuco, que reuniu mais de quatro mil visitantes e marcas de diferentes regiões do País. E há espaço para a criatividade. Uma reportagem especial mostra como a moda e a natureza inspiram o design de móveis. A biodiversidade brasileira oferece referências para desenvolver produtos com identidade própria, valorizados tanto no mercado nacional quanto no exterior. Esses e muitos outros assuntos estão nas próximas páginas. Boa leitura! Publisher

5

6 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE 14 Menos lojas e mais estratégias no varejo regional O quarto mudou e a indústria precisa acompanhar 38 O que faz o consumidor escolher uma loja de móveis? 20 Quando moda e natureza inspiram o design de móveis 52 SUMÁRIO 08 CÁ ENTRE NÓS 10 NOTAS 12 PERNAMBUCO PUXA CRESCIMENTO DO VAREJO DE MÓVEIS 14 MENOS LOJAS E MAIS ESTRATÉGIAS NO VAREJO REGIONAL 20 O QUE FAZ O CONSUMIDOR ESCOLHER UMA LOJA DE MÓVEIS? 24 CUSTO E IMPORTAÇÃO PRESSIONAM A INDÚSTRIA DE COLCHÕES 26 EXPOMÓVEL PE TEM EDIÇÃO COM MAIS DE 150 EXPOSITORES 30 SALÃO MÓVEL PARAÍBA 2027 VISA FORTALECER OS NEGÓCIOS 32 TUBOARTE TEM MAIOR CAPACIDADE PRODUTIVA E TECNOLOGIA 34 ORTOLITE AMPLIA SEU MERCADO E INVESTE EM EXPANSÃO 36 BEMOL TRANSFORMA CONHECIMENTO EM ESTRATÉGIA DE VAREJO 38 O QUARTO MUDOU E A INDÚSTRIA PRECISA ACOMPANHAR 44 QUEDA DA NATALIDADE E OS CAMINHOS DO MÓVEL INFANTIL 52 QUANDO MODA E NATUREZA INSPIRAM O DESIGN DE MÓVEIS 56 MADEIRA DO SEMIÁRIDO PODE AMPLIAR OFERTA PARA FÁBRICAS

7

8 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ARI BRUNO LORANDI CÁ ENTRE NÓS A eleição terminou. E, para muitos empresários do setor moveleiro, ficou uma pergunta que talvez seja mais difícil de responder do que escolher um candidato: e agora? É uma pergunta legítima. Afinal, estamos falando de quem acorda todos os dias preocupado com vendas, produção, empregos, fornecedores, impostos e contas para pagar. De quem olha para tudo aquilo que recolhe em tributos e conclui que não recebe serviços públicos compatíveis com esse esforço. E que, depois de uma eleição, continua enfrentando os mesmos problemas. Porque existe uma realidade que não muda com o resultado das urnas: a empresa precisa continuar funcionando. E o ambiente econômico não oferece respostas simples. Os dados do IBGE mostram que o varejo brasileiro cresceu apenas 0,1% em agosto, na comparação com julho. A indústria também enfrenta oscilações. E, para quem fabrica móveis, o problema não é apenas produzir. É encontrar consumidores dispostos e capazes de comprar. Móvel não é uma compra obrigatória todos os meses. Pode ser adiada. E, quando o orçamento familiar aperta, frequentemente é isso que acontece. O empresário sabe disso. Ele sente antes de aparecer nas estatísticas. Mas há uma questão que considero fundamental. Durante uma campanha eleitoral, discutimos o que o próximo governo poderá fazer pela economia. Depois da eleição, precisamos lidar com a economia que existe. Isso não significa deixar de cobrar. O empresário tem todo o direito de exigir eficiência do Estado, qualidade dos serviços públicos, previsibilidade tributária e condições adequadas para investir. Aliás, essa cobrança precisa ser permanente, independentemente de quem esteja governando. Porque o governo tem responsabilidades sobre o ambiente econômico. E as decisões tomadas em Brasília repercutem diretamente nos custos, no crédito, no consumo e na capacidade de investimento das empresas. Mas cobrar do governo é uma coisa. Esperar que uma mudança política resolva os problemas da empresa é outra. E aqui está, na minha opinião, o grande desafio para 2027. A ELEIÇÃO PASSOU. E AGORA, EMPRESÁRIO? O empresário moveleiro precisa olhar com ainda mais atenção para a produtividade, para os custos que não consegue repassar, para os produtos que realmente dão resultado e para os mercados onde ainda existem oportunidades. Precisa também repensar sua relação com o varejo. Porque uma indústria pode ter bons produtos, preços competitivos e capacidade de produção. Mas, se o lojista não consegue – ou não sabe – vender, toda a cadeia sofre. E há outra questão importante: não confundir faturamento com resultado. Vender mais, sacrificando margens, não significa necessariamente ganhar mais. E crescer sem rentabilidade pode acabar enfraquecendo a própria empresa. Então, que expectativa podemos ter? Não há elementos para prometer uma recuperação rápida. E existem dificuldades que podem continuar pressionando o setor nos próximos anos. A economia depende de crédito, renda, confiança, investimentos e produtividade. E parte importante dessas condições está relacionada às decisões do governo. O empresário não controla tudo isso. Mas pode agir sobre aquilo que está ao seu alcance. Pode rever custos, melhorar processos, avaliar sua carteira de produtos, fortalecer parcerias comerciais e preparar a empresa para diferentes cenários. Não há garantia de sucesso. Mas há decisões que podem reduzir riscos. E quero terminar com uma reflexão. Uma das maiores dificuldades do empresário moveleiro é ter que dedicar tanta energia para enfrentar obstáculos que pouco têm a ver com aquilo que ele sabe fazer: produzir, inovar, vender e gerar empregos. Essa realidade precisa continuar sendo discutida e cobrada, mesmo depois da eleição. Mas existe uma diferença entre o tempo da política e o tempo dos negócios. Governos têm mandatos. Empresas precisam construir continuidade. E o empresário não pode esperar quatro anos para decidir o que fazer amanhã. Cá entre nós... a eleição passou. Os desafios continuam. E o futuro da indústria moveleira não pode ficar esperando a próxima urna.

9

10 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Sócio-diretor do Grupo OFFICINA e vice-presidente da Abimóvel, Adeilton Pereira foi homenageado pelo Sindmóveis-RN durante o CONEMOV 2026. Com quase 30 anos de atuação, o empresário destacou a importância do associativismo para fortalecer a cadeia moveleira e a trajetória da ESSANTO, fabricante de móveis planejados presente em diferentes estados nordestinos. NOTAS FRETE PESA MAIS QUE PREÇO E MUDA DECISÃO DE COMPRA ONLINE RETROFIT ABRE OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA MOVELEIRA NO NORDESTE CONEMOV HOMENAGEIA ADEILTON PEREIRA POR ATUAÇÃO NO SETOR MOVELEIRO Pesquisa E-Consumidor 2027, do Opinion Box e Nuvemshop, revela que 44% dos consumidores priorizam frete grátis ou reduzido, ante 40% que valorizam preços baixos. O custo da entrega leva 59% a abandonar o carrinho, enquanto 67% preferem frete gratuito a descontos. Para o varejo de móveis, a logística tornou-se decisiva na compra e na fidelização. A revitalização de imóveis no Recife amplia a demanda por planejados e móveis multifuncionais para apartamentos, hotéis e empreendimentos mistos. A PPP Morar no Centro prevê 1.128 moradias e investimentos superiores a R$ 500 milhões em 25 anos. Para os fabricantes, o desafio é conciliar escala industrial com soluções adaptadas a imóveis antigos. O endividamento das famílias pode limitar os efeitos da redução dos juros sobre o consumo, segundo o BTG Pactual. O banco projeta desaceleração do crescimento do consumo familiar de 2,2% em 2026 para 0,8% em 2027. Com grandes plataformas concentrando cerca de 70% do comércio digital, móveis e colchões enfrentarão desafios de crédito, logística e competitividade. O Polo Moveleiro de Rio Branco (AC) poderá ganhar 140 lotes industriais para instalação e expansão de empresas. A proposta foi apresentada em encontro com mais de 40 empresários e 400 trabalhadores. Também foi anunciada a revitalização de vias do Distrito Industrial, visando melhorar o transporte de matérias-primas e o escoamento da produção. A iniciativa poderá fortalecer a indústria moveleira e madeireira acreana. QUEDA DOS JUROS PODE NÃO SER SUFICIENTE PARA REANIMAR O VAREJO POLO MOVELEIRO DE RIO BRANCO PODERÁ RECEBER 140 NOVAS INDÚSTRIAS

11

12 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE PERNAMBUCO PUXA CRESCIMENTO DO VAREJO DE MÓVEIS NO NORDESTE nal permaneceu estável. No acumulado de janeiro a agosto, o volume recuou 2,4% e o faturamento nominal apresentou queda de 0,1%. A diferença entre os dois indicadores merece atenção. Enquanto o volume procura medir a evolução real das vendas, a receita nominal reflete o valor comercializado, sem descontar os efeitos da variação dos preços. PERNAMBUCO MANTÉM EXPANSÃO EXPRESSIVA Entre os três estados nordestinos pesquisados, Pernambuco apresenta o desempenho mais favorável. Em agosto, o volume de vendas Vendas avançam no Ceará, Bahia mostra recuperação tímida e Brasil acumula queda de 2,4% no volume O comércio de móveis apresenta comportamentos bastante distintos nos três estados do Nordeste acompanhados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE. Enquanto Pernambuco registra crescimento expressivo, o Ceará apresenta recuperação moderada e a Bahia ainda enfrenta dificuldades para reverter as perdas acumuladas no ano. Os resultados de agosto de 2026 mostram também que os três mercados tiveram desempenho superior à média nacional. No Brasil, o volume de móveis comercializados caiu 1,6% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a receita nomi-

13 cresceu 20,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acompanhado por aumento de 28,2% na receita nominal. O resultado não representa um movimento isolado. No acumulado dos oito primeiros meses, Pernambuco registra expansão de 14,8% no volume e de 19,2% na receita, índices significativamente superiores aos nacionais. Embora o crescimento mensal tenha perdido intensidade em relação a julho, quando o volume avançou 22,8%, o desempenho acumulado continua melhorando. Até julho, a expansão em volume era de 14%, passando para 14,8% em agosto. Os números indicam uma trajetória consistente de crescimento das vendas, embora a pesquisa não permita identificar quais fatores específicos estão impulsionando esse desempenho. CEARÁ CONSEGUE SAIR DA ESTABILIDADE O comércio de móveis cearense também apresenta sinais positivos, embora em intensidade muito inferior à pernambucana. Em agosto, tanto o volume quanto a receita nominal cresceram 3,9% na comparação anual. O resultado representa uma aceleração diante de julho, quando os avanços foram de 1% no volume e 2,1% no faturamento. No acumulado de janeiro a agosto, o Ceará registra crescimento de apenas 0,2% no volume e 0,3% na receita nominal. Apesar de modestos, os indicadores mostram uma mudança importante: o mercado cearense conseguiu reverter as pequenas perdas que ainda apareciam no acumulado até julho. A continuidade desse movimento será determinante para consolidar a recuperação. BAHIA AINDA NÃO RECUPERA AS PERDAS A Bahia apresenta a situação mais delicada entre os três estados analisados. Em agosto, o volume de vendas cresceu apenas 0,2%, enquanto a receita nominal avançou 1,6%. O resultado mensal positivo, entretanto, não foi suficiente para reverter o desempenho acumulado. Entre janeiro e agosto, o volume comercializado caiu 0,9% e a receita nominal recuou 1,9%. Há, contudo, uma melhora gradual. Até julho, as perdas acumuladas eram de 1,1% no volume e 2,4% na receita. Os dados de agosto reduziram essas retrações, mas ainda não permitem caracterizar uma recuperação consolidada. NORDESTE MOSTRA REALIDADES DIFERENTES A comparação dos resultados revela que não existe um comportamento uniforme do varejo de móveis nos três mercados nordestinos pesquisados. Pernambuco cresce em ritmo elevado, o Ceará começa a apresentar resultados acumulados positivos e a Bahia procura recuperar o terreno perdido. Os três, porém, apresentam desempenho em volume superior à média brasileira tanto em agosto quanto no acumulado do ano. Para a indústria moveleira, especialmente os fabricantes que abastecem esses mercados, os números ajudam a identificar diferenças na evolução da demanda regional. O destaque de Pernambuco é ainda mais significativo diante da retração nacional. Entretanto, a distância entre os indicadores estaduais também recomenda cautela: o crescimento de um mercado não significa necessariamente recuperação generalizada do consumo de móveis no Nordeste. Com quatro meses restantes para encerrar 2026, os próximos resultados do IBGE permitirão avaliar se Pernambuco sustentará sua expansão, se o Ceará consolidará a recuperação e se a Bahia conseguirá terminar o ano com crescimento efetivo das vendas.

14 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE MENOS LOJAS E MAIS ESTRATÉGIAS NO VAREJO DO NORTE E NORDESTE A rede Zenir Móveis e Eletros (CE) inaugurou 14 lojas no quinquênio 2020-2025 e desacelerou o ritmo nos dois anos seguintes com abertura de apenas três novos pontos no contexto de uma recalibragem estratégica de capital. “Temos hoje 61 lojas, 22 com cama, mesa e banho e atuamos somente dentro do Ceará”, conta Alan de Araujo de Oliveira, que ao lado do irmão gêmeo Alex Oliveira comanda a empresa. Para 2026–2027, a prioridade é a reforma e modernização de unidades existentes. “Vamos atualizar o layout das lojas antigas e garantir climatização em 100% das unidades", ressalta. Tendo como horizonte o marco de 40 anos de fundação em 2032, o grupo elaborou um plano de expansão fundamentado em densidade demográfiGrandes redes reduzem pontos físicos enquanto players regionais modernizam unidades, reinauguram espaços e ampliam presença em praças selecionadas para preservar margens Custo elevado do crédito, endividamento das famílias, migração para o digital, inflação e riscos climáticos. Em maior ou menor grau tudo isso tem influenciado a venda de móveis, tendo como sequela a permanência dos pontos de vendas de todo o país. Delimitando essa análise às regiões Norte e Nordeste é possível notar que entre 2025 e 2026, o varejo físico em ambas as áreas não expandiu de forma generalizada: houve, sim, redução seletiva nas grandes redes e investiPor Guilherme Arruda, jornalista convidado mentos pontuais em modernização e expansão de players regionais. O Grupo Mateus, com sede em São Luís (MA), por exemplo, encerrou 28 lojas especializadas em eletrônicos e móveis ano passado no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, conforme balanço patrimonial. Motivo: a busca de eficiência operacional, controle de despesas devido a perda de poder de compra da população. No sentido oposto, inaugurou complexos de varejo com áreas de eletro em 2025, como em Rosário (MA), Jaboatão dos Guararapes (PE), Ilhéus (BA), Ananindeua (PA) e Marituba (PA) e o adensamento de rotas em Jaboatão dos Guararapes (PE) e Ilhéus (BA) como parte do forte ritmo do plano de expansão, conforme nota enviada à CVM.

15 ca. Mapeamentos de mercado identificaram 40 municípios cearenses com população superior a 30 mil habitantes onde a rede ainda não possui presença física. A meta estratégica estabelecida fixa o objetivo de atingir 100 lojas físicas no estado do Ceará até 2032. No biênio 2025-2026, a Center Móveis e Eletros (BA) inaugurou 4 unidades e até o final desse ano vai abrir uma em Itapetinga no final de novembro, e outra em Alagoinhas na primeira quinzena de dezembro, totalizando 59 na Bahia e uma em Petrolina (PE). “Não renunciamos a planejamento e temos objetivos muito bem predefinidos. O momento não é propício, sabemos, mas a nossa maneira de ser faz com que sigamos com nossos objetivos e metas de abertura de lojas”, afirma o diretor comercial Maílson de Oliveira Carneiro. “E temos a pretensão de chegar às 80 unidades até final de 2027, início de 2028”, anuncia. Maílson reconhece os desafios, mas não desiste de seguir em frente. “Nossos posicionamentos não são baseados no mercado. Estamos observamos a redução do poder de compra das famílias, o comprometimento da renda cada vez mais e a realidade de crédito limitado. Obviamente esse não é um cenário propício para a expansão, mas se for olhar para a parte de planejamento, seguimos firme e forte”, enfatiza. Seguindo normas de confidencialidade, a companhia restringe a divulgação pública de dados de desempenho comercial. A GBarbosa, por meio da bandeira Eletro Show, reinaugurou 10 unidades no Nordeste em setembro e outras 10 em outubro de 2025 e nesse ano revitalizou 75 lojas. Desde que o grupo sul-africano Pepkor assumiu o controle da rede Avenida, em 2022, foram inauguradas 33 lojas em 2023, outras 33 em 2024 e 15 ano passado, consolidando uma rede com 200 filiais no interior e capitais do Norte e Nordeste. SALDO POSITIVO EM PERNAMBUCO O saldo entre abertura e encerramento das categorias “Varejo de móveis” e “Atacado de móveis” em todo o ano de 2025 alcançou 16 novos estabelecimentos em Pernambuco. Em oito meses de 2026 o superávit avançou para 36 pontos, sendo abril o mês de maior quantidade de aberturas, seguido por julho e agosto. Os dados são da Fecomércio-PE. Mailson de Oliveira Carneiro, diretor comercial da Center Móveis e Eletros Rafael Lima, economista da Fecomércio-PE

16 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE que o consumidor se sinta confortável ao assumir compromissos de longo prazo”, indica. Apesar do dinamismo no emprego, o segmento de móveis ainda enfrenta um cenário desafiador no curto prazo. No acumulado do ano até agosto, o volume de vendas do setor no Brasil registrou recuo de 2,4%, e queda de 2,8% no acumulado de 12 meses. Para que o setor de móveis recupere o ritmo de crescimento, a análise da ETENE/BNB aponta para a necessidade de alinhamento de três fatores: mercado de trabalho continuamente aquecido e formalizado, projeção de queda na taxa de juros, e ações de renegociação e escalonamento de dívidas. PANORAMA BRASIL O mercado nacional de móveis e eletrodomésticos fechou 2025 com crescimento de 4,5% no acumulado de 2025. A região Norte registrou 4,2% e o Nordeste 4,8%, ante um PIB de 2,3%. Em 2026, o cenário mostra acomodação devido à pressão inflacionária residual nos custos logísticos de matérias- -primas e taxas de juros reais elevadas. O relatório Focus, do Banco Central, projeta PIB para o país de 1,8%; já a parcial para as regiões aponta 2,1% no Norte e 2,6% no Nordeste. Um recorte oficial de dezembro de 2025 das duas regiões mostra que juntas receberam 60,1% de todo o valor pago pelo Bolsa Família beneficiando 11 milhões de famílias. A projeção de 2026 é de R$ 158 bilhões no país. Acrescente-se ainda outros programas como Auxílio Gás, Minha Casa, Minha Vida e BPC que juntos somam R$ 160 bilhões. “Esses recursos acabam sendo direcionados para uma série de gastos. O principal é alimentação, mas ele combina com outras receitas, informal ou não, que sustenta o crescimento em diversos segmentos”, conclui Martins, do BNB. Alisson Martins, economista no Banco do Nordeste lidade da atividade econômica. “Creio que por ser um item de valor agregado maior, o móvel muitas vezes não enfrenta problemas de choques de atividade comum em setores como valor agregado mais baixo. O volume de vendas acumulado em 12 meses encerrados em agosto foi de 20,8% e o dos móveis de 28% sobre os 12 meses anteriores”, exemplifica. O spread de 7,2 pontos percentuais evidencia recomposição positiva das margens. PANORAMA NORDESTE O Banco do Nordeste não dispõe de dados sobre abertura e fechamento de lojas na região, mas Alisson Martins, economista do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, braço técnico do Banco do Nordeste (BNB), informa que o avanço do mercado de trabalho formal no Nordeste registrou a inclusão de mais de 300 mil novos trabalhadores com carteira assinada nos últimos 12 meses. “Esse é o principal vetor de confiança das famílias. A formalização do emprego traz a previsibilidade para A rede Império Móveis e Eletro abriu em abril uma nova unidade no Shopping Boa Vista, no Recife, com 600 m². A direção informou que a inauguração faz parte de um plano estratégico de expansão. Agora são mais de 40 lojas. “Grande parte dos estabelecimentos comerciais de Pernambuco é formado por pequenos e médios porte”, explica Rafael Lima, economista da entidade, lembrando que no segundo semestre há uma volatilidade devido a sazona-

17

18 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE O PESADELO LOGÍSTICO DAS ROTAS DE LONGA DISTÂNCIA Embora não haja nenhum estudo oficial, o grau de dependência externa de móveis opera em lógicas opostas nas regiões. Enquanto o Nordeste caminha para consolidação industrial robusta (45%), o Norte vive uma dependência quase absoluta do mobiliário residencial vindos de fora (85%), que o deixa exposto a riscos de logísticas e custos de frete de produtos que adquire em maior volume nos polos de Bento Gonçalves, Arapongas, Mirassol e Ubá. O Nordeste, que virou o jogo nas duas últimas décadas, se abastece majoritariamente em Arapongas, Ubá e Linhares. Aqui entra o fator logístico. Por ser produto volumoso, pesado e sensível a avarias na operação de transporte, exige cargas fracionadas. Móveis de alto valor pagam mais caro nas rotas do Norte e Nordeste. O seguro de carga mais gerenciamento de risco é severamente majorado devido aos índices de sinistralidade (roubo e acidentes) adicionando de 0,5% a 1,2% sobre o valor da nota fiscal do produto. Manaus e Macapá necessitam de balsas: o frete depende do "metro linear" de balsa ou tabelas de contêineres fluviais. Em alguns casos, enviar para o Norte pode custar até dez vezes mais por tonelada do que uma distribuição interna no Sudeste. Uma operação padrão de média e longa distância para transporte de móveis (considerando cubagem/peso e o impacto regulatório dos pisos da Calculadora ANTT 2026), mostra que tendo Salvador, com distância aproximada de 1.950 km, o frete por tonelada/mobiles varia de R$ 650 a R$ 850. Somente uma forte concorrência de transportadoras reduz as margens. Se o destino for Manaus é quase o triplo, varia de R$ 1,8 mil a R$ 2,4 mil – predomina a intermodalidade (rodoviário + Balsa via Porto Velho/Belém) e alto risco de avarias por umidade. Outro problema é que as transportadoras que levam móveis para o Nordeste ou interior do Norte têm imensa dificuldade de encontrar cargas de retorno equivalentes para o Sudeste. Para não voltarem vazias, o custo da viagem de volta é precificado e embutido no frete de ida. Recife e Salvador possuem restrições de circulação de veículos pesados em áreas centrais e comerciais, que exige contratação de centros de cross-docking periféricos e o uso de veículos urbanos de carga para a entrega "última milha". Outro ponto é que o custo proibitivo do frete tem obstruído o avanço do e-commerce no Norte, notadamente, na “última milha”, acrescido da ausência de serviços de montagem: a participação é de apenas 12%, enquanto no Nordeste é de 22% com forte concentração nas capitais: esse é um modelo dependente de cartão de crédito e Pix à vista. Daí o predomínio das lojas físicas alicerçado no fator “toque”, o ecossistema de montagem (por vezes gratuito e integrado) e o financiamento próprio com o uso carnê físico, principalmente, no interior.

19

20 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE O QUE FAZ O CONSUMIDOR ESCOLHER UMA LOJA DE MÓVEIS? quando pretende comprar presencialmente. Vanessa Benato, de São Paulo (SP), consulta Google, redes sociais e avaliações de outros compradores. Em Fortaleza (CE), Marta Cignachi também recorre a sites e redes sociais, priorizando funcionalidade e preço. O varejista, portanto, recebe um consumidor que frequentemente já conhece alternativas e valores. Isso muda o ponto de partida da conversa, repetir informações básicas pode acrescentar pouco, enquanto esclarecer diferenças entre materiais, condições de uso e serviços oferecidos ajuda o cliente a avançar na decisão. A integração entre presença digital e loja física torna-se especialmente importante quando a pesquisa ocorre em vários canais. A LOJA FÍSICA MANTÉM SEUS DIFERENCIAIS Pesquisar online não significa necesPesquisa da Móveis de Valor revela hábitos de compra, expectativas de atendimento e serviços valorizados. Emi Ohashi analisa os desafios do varejo O consumidor de móveis pesquisa preços, compara produtos e consulta avaliações antes de comprar. Mesmo assim, a loja física conserva um papel importante: permite experimentar o sofá, conferir o acabamento do roupeiro e avaliar as dimensões de uma mesa. Para investigar essa jornada, a Móveis de Valor ouviu 80 consumidores sobre hábitos de compra, canais de pesquisa, atendimento e serviços valorizados. O levantamento é exploratório e não representa estatisticamente o mercado brasileiro. Para interpretar os resultados, a MV ouviu a especialista em varejo Emi Ohashi, que destaca a Por Natalia Concentino, jornalista capacitação das equipes e o atendimento consultivo. A COMPRA COMEÇA ANTES DA VISITA Comprar móveis não é um hábito frequente: 70% dos participantes adquirem produtos apenas quando há necessidade e 15% compram a cada dois ou três anos. Para 33,8%, a última aquisição ocorreu há mais de dois anos. Sofás foram os itens recentes mais citados (13,8%), seguidos por armários e móveis de cozinha (12,5%). A baixa frequência ajuda a explicar uma decisão que exige pesquisa e comparação. Na busca por informações, 57,5% visitam lojas físicas e 55% consultam sites de lojas de móveis. Era possível assinalar mais de uma resposta. Ana Paula Rodrigues Morais, de São José dos Pinhais (PR), pesquisa preços, conforto, qualidade e reputação online, mesmo

21 sariamente comprar pela internet. Entre os entrevistados, 43,8% preferem lojas físicas e 26,3% escolhem o canal conforme o tipo de móvel. Ver o produto motiva 83,8% a visitar estabelecimentos; 78,8% querem conferir qualidade e acabamento, 56,3% avaliam dimensões e proporções e 53,8% valorizam o toque. Para Emi Ohashi, a loja deve ser um espaço de experiência e validação “A loja física precisa funcionar cada vez mais como um espaço de experiência e validação, já que boa parte da pesquisa pode começar no ambiente digital”, explica. Experimentar conforto, tocar tecidos e receber orientação personalizada são vantagens difíceis de reproduzir na tela. A apresentação também pesa. Produtos bem expostos foram citados por 66,3%; preços visíveis, por 58,8%; e ambientes montados que ajudem a imaginar o móvel em casa, por 57,7%. Uma exposição clara não é apenas estética, facilita comparações e ajuda a decidir. Ambientes montados podem mostrar proporções e combinações que uma peça isolada não revela. A indicação de preços, por sua vez, evita que o consumidor dependa do vendedor até para obter informações iniciais e torna a visita mais confortável. O VENDEDOR CONTINUA DECISIVO A informação prévia não elimina a importância do vendedor. Para 46,2% dos participantes, ele é importante na decisão; outros 24,4% o consideram muito importante. Juntos, representam 70,6%. Mas o atendimento precisa ir além de mostrar mercadorias e insistir no fechamento. “Como a compra de móveis envolve um tíquete médio mais elevado e tem impacto direto no ambiente e na rotina do consumidor, o atendimento assume papel decisivo”, afirma Emi. Ela defende uma postura consultiva, empática e paciente, na qual o profissional compreende necessidades antes de recomendar soluções. Vanessa relata que ela e o marido desistiram de comprar um sofá porque o vendedor apresentava muitos modelos sem lhes dar tempo para avaliar as opções. Fecharam negócio na loja seguinte. Já Ana Paula percebeu evolução no atendimento ao visitar uma loja de estofados: o vendedor dominava características técnicas, sugeria cores e perguntou sobre o ambiente onde o móvel seria instalado. Os relatos mostram que a abordagem pode tanto conquistar quanto afastar o cliente. INFORMAÇÃO QUE AJUDA A DECIDIR O consumidor espera informações objetivas. Qualidade e durabilidade lideraram as respostas (71,3%), seguidas por medidas (57,5%), materiais e prazos de entrega (48,8% cada). São dados necessários para verificar se o produto serve à casa e à rotina de quem compra. Emi considera indispensável dominar dimensões, materiais, tecidos, densidades de espuma, ferragens, ergonomia, montagem e manutenção. O conhecimento deve incluir obstáculos práticos, como portas e elevadores que podem dificultar a entrega. Mais importante, porém, é traduzir especificações em benefícios: resistência significa vida útil; tecido fácil de limpar, praticidade; ergonomia, conforto cotidiano. “O importante é transformar atributos do produto em benefícios que façam sentido para aquela pessoa”, explica. A capacitação contínua ajuda o profissional a esclarecer dúvidas e responder a objeções sobre preço, prazo e características. Na pesquisa, 48,8% afirmaAna Paula Rodrigues Morais, auxiliar de cartório e moradora de São José dos Pinhais (PR) Vanessa Benato, farmacêutica e moradora de São Paulo (SP) Marta Cignachi, professora de educação física e moradora de Fortaleza (CE)

22 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE escolhido planejados para cozinha e dormitório. Vanessa, depois de viver em imóveis alugados e semimobiliados, passou a considerar necessidades específicas ao adquirir seu apartamento. Seus quatro gatos influenciaram a escolha dos revestimentos; o trabalho do casal exigiu atenção à ergonomia do home office. Moradia, família e rotina podem ser mais relevantes que uma tendência de decoração. Essa diversidade recomenda cautela com abordagens padronizadas. Dois compradores interessados no mesmo sofá podem avaliar critérios completamente diferentes: um procura facilidade de limpeza; outro, conforto, medidas ou resistência. Descobrir essas prioridades é parte do trabalho de venda. MAIS EXPERIÊNCIA, MENOS PRESSÃO A pesquisa da Móveis de Valor indica que a internet ampliou o acesso à informação, mas não substituiu a experiência presencial. O diferencial da loja está na possibilidade de experimentar, comparar e receber orientação confiável. Isso exige equipes preparadas para ouvir, explicar e solucionar problemas, em vez de pressionar pela compra. Os percentuais retratam somente os participantes do levantamento, mas a combinação entre seus relatos e a análise da especialista aponta um desafio concreto: transformar o atendimento presencial em valor percebido pelo comprador. Para o varejista, competir com o digital não significa imitá-lo. Significa explorar aquilo que o espaço físico oferece de melhor: contato direto com os móveis, conhecimento técnico, atendimento personalizado e serviços seguros. O consumidor pode começar diante de uma tela, mas a escolha tende a favorecer quem entende suas necessidades e oferece uma solução adequada. trega rápida foi apontada por 71,3% dos participantes, montagem gratuita por 70% e frete grátis por 66,3%. Assistência pós-venda recebeu 50% das indicações e facilidade de pagamento, 47,5%. Custos adicionais, atrasos e incertezas sobre instalação podem comprometer uma venda mesmo quando o móvel agrada. Emi recomenda clareza sobre garantias, pagamento, medidas, entrega e instalação, sem ansiedade ou pressão. O cliente precisa perceber que está fazendo uma boa escolha, não apenas atendendo à meta do vendedor. No comércio eletrônico, preços melhores seriam o principal estímulo à compra para 61,3% dos entrevistados. Fotos e vídeos detalhados foram citados por 45%, avaliações de consumidores por 41,3% e frete mais barato por 37,5%. A competitividade digital depende, assim, tanto do custo quanto da capacidade de reduzir dúvidas. O CONSUMIDOR MUDA AO LONGO DA VIDA As entrevistas mostram que as prioridades mudam com a fase da vida. Ana Paula lembra que, ao se casar, comprava móveis populares e os trocava com frequência. Hoje prefere durabilidade, atendimento e aproveitamento do espaço, tendo Emi Ohashi, especialista em varejo ram que vendedores explicam adequadamente os móveis na maioria das vezes; 37,5% disseram que isso ocorre apenas às vezes. Há, portanto, espaço para tornar o atendimento mais consistente. A diferença entre uma boa explicação e uma resposta incompleta pode ser decisiva quando o cliente compara produtos semelhantes. Treinamento não se resume a memorizar fichas técnicas, envolve fazer perguntas pertinentes, reconhecer dúvidas e apresentar alternativas compatíveis com o orçamento e o ambiente. SERVIÇOS QUE INFLUENCIAM A COMPRA A escolha não termina no produto. En-

23

24 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE CUSTO E IMPORTAÇÃO PRESSIONAM MAIS A INDÚSTRIA DE COLCHÕES mente os fabricantes de produtos de entrada, nos quais pequenas diferenças de preço podem determinar a decisão de compra. MATÉRIAS-PRIMAS ACUMULAM AUMENTOS Segundo o Observatório do Colchão, os preços de aquisição do TDI e do poliol, utilizados na fabricação de espumas de poliuretano, subiram 15% e 22%, respectivamente, entre janeiro e agosto. A pressão continuou em setembro e no início de outubro, com novos aumentos informados de 20% no poliol e 10% no TDI. O impacto varia conforme a composição de cada colchão, mas a sequência de reajustes reduz a capacidade Produção encarece 21,43% e importações avançam 125% em unidades. Fabricantes enfrentam margens apertadas e maior concorrência no mercado brasileiro A indústria brasileira de colchões enfrenta uma combinação preocupante: custos de produção em alta e concorrência crescente dos importados. Entre janeiro e agosto de 2026, o custo de fabricação de colchões de molas e de espuma flexível de poliuretano aumentou, em média, 21,43% nas empresas pesquisadas pelo Observatório do Colchão. No mesmo período, o Brasil importou 297 mil colchões, movimentando US$ 18,4 milhões. Segundo dados do Comex Stat, as importações cresceram 125% em unidades e 92% em valor, na comparação com os primeiros oito meses de 2025. A China respondeu por 97% das unidades e 93% do valor importado. Essa combinação pressiona especial-

25 das empresas de absorver despesas sem comprometer suas margens. Além das matérias-primas, fabricantes precisam arcar com salários, energia, transporte, tributos e exigências técnicas. Nesse cenário, revisões de preços podem se tornar necessárias, embora cada empresa tenha condições comerciais e estruturas de custos diferentes. CONCORRÊNCIA EXIGE CONDIÇÕES IGUAIS O avanço das importações ocorre em paralelo à redução do número de fabricantes registrados na plataforma Prodcert, do Inmetro. Em um ano, foram contabilizadas 23 unidades ativas a menos. Os dois movimentos não estabelecem, isoladamente, uma relação de causa e efeito, mas reforçam a necessidade de acompanhar as condições de concorrência. A presença de colchões importados regulares faz parte do mercado. A preocupação está na comercialização de produtos, nacionais ou estrangeiros, que não atendam às exigências aplicáveis. Fabricantes que investem em certificação, ensaios e controle de qualidade assumem custos que precisam ser considerados na competição comercial. QUALIDADE TAMBÉM ENTRA NA DISPUTA Os colchões de espuma e de molas abrangidos pela regulamentação brasileira estão sujeitos à certificação compulsória do Inmetro. O processo envolve verificações técnicas destinadas a assegurar o cumprimento dos requisitos estabelecidos. Para o consumidor, nem sempre é possível identificar diferenças de composição e desempenho apenas pela aparência do produto. Por isso, verificar a certificação, a procedência e a identificação do fabricante ou importador é fundamental. A responsabilidade, entretanto, não pode recair exclusivamente sobre quem compra. Fornecedores e comerciantes precisam garantir a regularidade dos produtos, enquanto a fiscalização deve coibir práticas que transformem o descumprimento das normas em vantagem competitiva. A escolha também deve considerar procedência, composição e desempenho China responde por 97% das unidades e 93% do valor importado A indústria nacional precisa de condições para investir, produzir e manter empregos. Com custos crescentes e concorrência mais intensa, a disputa não pode se limitar ao menor preço. Para fabricantes e consumidores, o verdadeiro valor de um colchão também está na qualidade, na segurança e na confiança de que o produto corresponde ao que foi anunciado.

26 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE EXPOMÓVEL PERNAMBUCO TEM EDIÇÃO COM MAIS DE 150 EXPOSITORES mento do consumidor, inteligência de mercado, marketing, gestão, tecnologia e tendências do varejo. Para a organização, o crescimento da Expomóvel demonstra a força do evento como plataforma de negócios, aproximando fabricantes e distribuidores aos principais lojistas dos nove estados do Nordeste. “O perfil qualificado do público contribuiu diretamente para a geração de negócios e para o fortalecimento das relações comerciais entre os participantes desta edição”, afirma Hélio Charles. Os expositores também gostaram da feira. José Silvino, proprietário da J. Confort Colchões (PE), diz que foi a melhor feira para a empresa, tanto em volume de negócios como em novos relacionamentos com Em sua 12ª edição, a feira pernambucana, em Caruaru, recebeu mais de quatro mil visitantes por dia e teve a participação de marcas de móveis, eletros e colchões de todo Brasil Entre 13 e 15 de agosto aconteceu a 12ª edição da Expomóvel Pernambuco, feira realizada no Polo Caruaru, com mais de 150 expositores. Essa é a maior edição já realizada, com mais de quatro mil visitantes qualificados por dia, circulando em um espaço de 15 mil metros quadrados, informou a organização do evento. De acordo com ela, a feira movimentou mais de R$ 200 milhões em vendas durante os três dias. “Sem contar o pós-feira, que deve continuar rendendo muito mais”, comemora Hélio Charles, diretor de marketing da Expomóvel. Outro atrativo importante da feira foi o Expomóvel Talk Varejo, espaço dedicado a palestras, painéis e apresentações de especialistas com temas como inovação, comportaPor Natalia Concentino, jornalista

27 clientes e abertura de mercado. “Percebemos uma visitação muito boa e o nosso estande se destacou em visitações também. Enfim, foi ótima, principalmente para o nosso segmento de colchões”, avalia. O colchão Odim Premium foi um dos destaques da marca, com molas ensacadas e duas lâminas de espumas de alto padrão. “Uma das espumas é high resilience (HR), somada a de viscoelástico na camada de conforto. Tudo finalizado com um tampo em malha com fios de grafeno, material que dissipa a energia estática”, explica Silvino. O gerente comercial nacional da Móveis Bechara (SP), Cláudio Pablos, confirma que a participação na feira pernambucana foi excelente. “Chegamos com uma expectativa positiva, principalmente pela importância do mercado nordestino para a Bechara, mas os resultados superaram o que projetamos. Além do volume de negócios gerado durante o evento, tivemos uma receptividade muito boa dos clientes em relação aos lançamentos e ao momento atual da marca”, avalia. A Bechara apresentou cinco lançamentos, que representam o movimento de renovação do portfólio da marca. São eles: home Loft – compacto e contemporâneo; rack Neo – proposta moderna com forte apelo comercial; painel Línea – desenvolvido com uma linguagem mais leve e com bom custo-benefício; mesa Classic – nova opção para a linha de salas de jantar; e cadeira Bella – feita em MDF para contemplar a linha de jantar. Leonardo Vasconcelos, sócio e diretor da Colchões Ortonobre (PE), concorda que a Expomóvel Pernambuco foi uma experiência muito positiva em termos de negócios e networking. “A feira proporcionou Hélio Charles, diretor de marketing; Nadja Silva, diretora comercial; e Ednaldo Junior, diretor de relacionamento comercial da Expomóvel Colchão Odim Premium, um dos destaques da J.Confort José Silvino, proprietário da J.Confort

28 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE excelentes oportunidades para estreitar o relacionamento com nossos clientes, representantes e parceiros, além de abrir espaço para novas conexões e possibilidades comerciais. Tivemos visitação positiva de profissionais no nosso estande, o que contribuiu para apresentar nossos produtos, fortalecer a marca e identificar novas oportunidades”, analisa. Entre as novidades da Ortonobre está o colchão Black, da Linha Deluxe, que possui malha fria, tecido suede na lateral, molas ensacadas e duas camadas de espuma, sedo uma D33 e outra com camada de viscoelástico. A Malu, fabricante baiana de estofados e colchões, foi outra empresa que conquistou bons resultados. “Tivemos a oportunidade de fortalecer o relacionamento com clientes, além de novos contatos e abrir portas para futuras parcerias. Mais do que gerar negócios durante o evento, acreditamos muito no networking e na aproximação com os lojistas, entendendo melhor as necessidades do mercado e apresentando nossas soluções”, afirma Gleber Brandão, gerente comercial. Gleber destaca o estofado Mônaco como principal novidade na feira. Com espuma D28, base e pés em madeira maciça, com estrutura em percinta italiana, assento com molas, chamou a atenção das visitantes, segundo ele. Fernando Bernardeli, gerente comercial da Imcal (SP), destaca o networking. “O contato direto com os clientes foi muito positivo e reforçou a importância de estarmos próximos do varejo da região. Essa troca nos permite ouvir quem está na ponta, entender melhor o mercado e perceber o que o consumidor está buscando, contribuindo para o desenvolvimento de produtos cada vez mais assertivos e com força comercial”, pontua. Mas, o gerente comercial da Imcal observou um fluxo de visitantes Cláudio Pablos, gerente nacional da Bechara Leonardo Vasconcelos, sócio e diretor da Colchões Ortonobre Colchão Black, da Ortonobre Home Loft foi um dos lançamentos da Bechara apresentados na feira

29 Gleber Brandão, gerente comercial da Malu Estofados e Colchões Fernando Bernardeli, gerente comercial da Imcal Estofado Mônaco, um dos produtos apresentados pela Malu Estofados e Colchões na feira Rack Nord e painel Platz, destaques da Imcal menor nesta edição. “De toda forma, a feira contribuiu para o fortalecimento do relacionamento com o mercado nacional e internacional. Entendemos que a edição de março pode apresentar um momento mais favorável, com potencial para uma presença mais expressiva de lojistas e compradores”, conclui. Um dos destaques da Imcal foi o lançamento da linha Nord, composta por rack, buffet e aparador. “Combina design contemporâneo e atemporal com a lâmina natural de madeira cinamomo, que traz sofisticação e aconchego aos ambientes”, assinala Fernando. A Expomóvel já divulgou as datas dos eventos do próximo ano, com as tradicionais feiras de Caruaru (PE) do primeiro e segundo semestre, além das feiras de Fortaleza (CE), São Luís (MA) e em Goiânia (GO). Expomóvel Nordeste de 25 a 27 de fevereiro Polo Caruaru (PE) Expomóvel São Luís de 10 a 12 de março Multicenter Sebrae – São Luís (MA) Expomóvel Ceará de 05 a 07 de maio Centro de Convenções do Ceará – Fortaleza (CE) Expomóvel Pernambuco de 12 a 14 de agosto Polo Caruaru (PE) Expomóvel Goiás de 15 a 17 de setembro Centro de Convenções da PUC – Goiânia (GO) CALENDÁRIO EXPOMÓVEL 2027

30 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE APÓS ESTREAR EM CAMPINA GRANDE, SALÃO MÓVEL PARAÍBA VISA FORTALECER NEGÓCIOS EM 2027 Com nova localização e posicionamento estratégico no calendário, feira busca ampliar as oportunidades de negociação e consolidar a cidade como polo moveleiro do Nordeste O Salão Móvel Paraíba prepara uma nova etapa para 2027, com a transferência do evento para Campina Grande (PB), feita na edição de 2026. A mudança atende a uma solicitação dos lojistas e reforça a estratégia de posicionar a feira como um ponto de encontro comercial para o setor moveleiro nordestino. Segundo Fábio Ferreira, diretor do evento, a expectativa é ampliar a participação dos compradores e estimular grandes negociações na próxima edição. A escolha por Campina Grande considera tanto sua localização estratégica, que favorece o acesso de lojistas de diferentes partes da região, quanto a estrutura do novo centro de convenções que receberá a feira. Para Ferreira, o espaço, moderno e recém-inaugurado, contribui para oferecer um ambiente adequado aos negócios. Outro diferencial está na proposta de concentrar a experiência dos visitantes nas relações comerciais entre lojistas e expositores. A mudança também está alinhada ao momento escolhido para a realização do evento. O Salão Móvel Paraíba pretende abrir o calendário nordestino de feiras do setor no primeiro semestre, aproveitando o período posterior às principais datas de vendas do varejo. Black Friday e Natal costumam concentrar um volume importante de comercialização, enquanto as liquidações de janeiro podem contribuir para reduzir os estoques das lojas. Nesse cenário, a feira busca se apresentar como uma oportunidade para que os lojistas recomponham seus estoques e planejem as próximas etapas de compras. A expectativa é que os varejistas cheguem ao evento com maior necessidade de reposição, favorecendo o contato com fornecedores e a realização de pedidos. Do lado da indústria, os expositores também se preparam para a edição de 2027, com lançamentos que estarão disponíveis aos compradores durante o evento. A combinação entre novidades de produtos, demanda por reposição e uma localização considerada estratégica pelo setor sustenta a expectativa de bons resultados. Todas essas novidades buscam fortalecer a presença da feira no mercado regional e ampliar sua relevância como plataforma de negócios para a indústria e o varejo de móveis. A edição de 2027 será, assim, um passo importante na estratégia de aproximar fabricantes e lojistas em um ambiente voltado à geração de oportunidades comerciais. Salão Móvel Paraíba 2026. Centro de convenções, em Campina Grande (PB) Fábio Ferreira, diretor do Salão Móvel Paraíba, durante a feira em 2026 Estreando em Campina Grande, a edição de 2026 reuniu, em média, 9 mil visitantes

31

32 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE TUBOARTE: MAIOR CAPACIDADE PRODUTIVA COM TECNOLOGIA E GRANDES LANÇAMENTOS meçou a construir novos galpões. “Contratamos mais profissionais e viajamos a outros países em busca de novidades. No final de 2025 concluímos a expansão e agora conseguimos produzir mais móveis, mantendo a qualidade e gerando satisfação aos nossos clientes e consumidores”, afirma, acrescentando que isso motivou a busca por novos mercados também. “A busca por novas tecnologias, os lançamentos de produtos e o investimento que temos feito na qualificação dos nossos colaboradores tem sido responsável pelo crescimento exponencial da nossa marca em 2026. Vamos fechar o ano com um dos maiores crescimentos da Esses são fatores que resumem 2026 da Tuboarte Móveis. A empresa apresentou um catálogo recheado de novidades, seguindo as principais tendências para o mercado em múltiplos ambientes Com processo de expansão dos setores industrial e administrativo encerrados no final do ano passado, a Tuboarte Móveis iniciou 2026 com 127 mil m² de área construída e um espaço de fábrica equipado com máquinas e tecnologia de última geração, além de profissionais qualificados. Isso proporcionou à empresa cearense maior capacidade produtiva e um catálogo renovado para 2026, com muitos móveis para diversos ambientes da casa, seguindo as principais tendências do mercado. José Edson Nogueira de França, CEO da Tuboarte, conta que desde 2020 sentiu necessidade de ampliar o espaço de fábrica e a empresa coPor Natalia Concentino, jornalista

RkJQdWJsaXNoZXIy MzE5MzYz