Móveis de Valor - Edição 255

15 moveisdevalor.com.br de intensificar estratégias para sustentar o volume de vendas próximo às metas estabelecidas. Não será fácil. O SALTO DA DÍVIDA Cruzando os dados consolidados da Serasa Experian e da CNC de março e abril de 2026, é possível identificar cerca de 12,5 a 13 milhões de brasileiros estão, tecnicamente, com o CPF "verde" para novas operações. Esse grupo representa uma injeção potencial de R$ 22 bilhões no mercado de consumo em 2026. Como 2026 é ano eleitoral, o governo avisa que vai socorrer famílias endividadas ao permitir que trabalhadores usem até 20% do FGTS para pagar dívidas com desconto que pode chegar, em alguns casos, a 80%. A medida pode injetar R$ 7 bilhões na economia. Analistas atribuem a origem do salto no endividamento ao aumento do valor do Bolsa Família, em 2022, que serviu como "passaporte" para a população de baixa renda acessar o mercado de crédito: bancos reduziram restrições, impulsionando cartões e empréstimo consignado. Assim, o benefício foi transformado em uma ferramenta de comprometimento de renda a longo prazo. A SOLIDARIEDADE DA LEBES "Há uma demanda por crédito que nos faria vender mais, mas o consumidor está muito endividado e a gente tem sido muito conservador na aprovação de crédito”, disse Renato Franklin, presidente da Casas Bahia. Não é o caso da Lebes, rede gaúcha de móveis e eletros, com 320 lojas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Aqui, se a pessoa está no SPC e paga, vendo de novo para ele”, diz Otelmo Drebes, presidente do Grupo Lebes. “É um paliativo para resolver uma situação momentânea”, acrescenta. O avanço do consumo depende muito de fundamentos sólidos Liquidez em alta R$ 742 bilhões em estímulos (5,4% do PIB) sustentam a atividade, mas pressionam inflação e juros. Renda comprometida Famílias destinam 29% da renda a dívidas — 10,38% apenas em juros. Inadimplência elevada O calote no rotativo do cartão atinge 63,5%, endurecendo o crédito no varejo. Ciclo travado Juros altos e baixa produtividade limitam o avanço real da renda e do consumo. Pressão política Com 46% percebendo piora econômica, crescem medidas de alívio imediato com viés eleitoral. O PANORAMA DE 2026: ENTRE ESTÍMULO E ENDIVIDAMENTO

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