Móveis de Valor - Edição 256

67 moveisdevalor.com.br O Chile aparece como um mercado em expansão, especialmente para produtos com maior valor agregado ou diferenciação, como móveis metálicos. Em 2010 era o 8ª destino e nos dois últimos anos (2024 e 2025) aparece como terceira força. Já o Paraguai emerge como aposta silenciosa, mas consistente. O crescimento recente sugere mercado em amadurecimento, com potencial para se tornar um parceiro relevante no médio prazo. E, apesar da instabilidade, a Argentina segue no radar, não como porto seguro, mas como mercado de oportunidade tática. Com bom humor, Lélis brinca que “a Argentina é para quem não é cardíaco”. Outro movimento interessante é o Paraguai ganhando relevância como plataforma de custo e acesso. Não é apenas “exportar para o Paraguai”, mas produzir parte da cadeia em ambiente de menor custo estrutural e usar isso como hub para terceiros mercados. Isso inclui: montagem final, componentes, estofaria, semiacabados e painéis e kits. É uma resposta típica de indústria que percebe que a disputa internacional deixou de ser só comercial e passou a ser geopolítica + regulatória + tributária. A Europa segue como promessa recorrente: grande, sofisticada, mas pouco capturada. Acordos comerciais podem abrir portas, mas dificilmente serão suficientes sem um reposicionamento mais claro em nichos que ofereçam design, marca e valor agregado. Alemanha e França têm participação relativamente pequena nas exportações e aqui entra o acordo União Europeia-Mercosul como possível vetor de abertura. O acesso ao mercado europeu tende a se tornar mais simples do ponto de vista tarifário. O desafio está nas exigências não tarifárias, lembrando que esse bloco é altamente integrado, e o comércio intrabloco domina o abastecimento da região. O FATOR MÉXICO A dinâmica indica que há espaço para diversificação da pauta exportadora. E para Lélis, um dos movimentos mais interessantes é o avanço do Brasil em mercados fora do radar da indústria, como Costa Rica, Guatemala e Porto Rico que começam a formar um novo eixo de crescimento. São mercados menores, mas com demanda crescente e, principalmente, menos saturados pela concorrência direta. Porto Rico, em especial, chama atenção pelo seu papel estratégico indireto dentro da dinâmica comercial dos Estados Unidos. Marcos Tadeu Lélis, professor de Economia da Unisinos (RS) Ana Cristina Schneider, assessora de mercado e estratégia do Sindmóveis (RS) Crédito: Augusto Tomasi Mesmo sem visibilidade estatística, o avanço brasileiro em mercados da América Central indica a existência de canais alternativos de entrada em mercados maiores. “O Brasil conseguiu achar um caminho na região”, informa o economista, ressaltando que esse movimento sugere uma mudança relevante: o crescimento externo não depende apenas de grandes mercados, mas também da capacidade de construir presença em redes menores, porém conectadas. E o que dizer do México, que vem se destacando como uma das oportunidades mais promissoras e mais desafiadoras. Com uma indústria local forte, o país não é um destino trivial. Ainda assim, o avanço recente das exportações brasileiras mostra que, uma vez superada a barreira de entrada, há espaço consistente para crescimento. “É difícil de entrar, mas quando entra, cresce”, sustenta Lélis, e emenda: “O México funciona como um mercado de transição, mais complexo que a América do Sul, porém menos saturado que os Estados Unidose”, diz. Ana Schneider, assessora de mercado e estratégia do Sindmóveis (RS), ressalta que o consumidor mexicano tem na sua cultura o hábito de rece-

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