71 moveisdevalor.com.br Para o presidente da Sindusmobil, Luiz Carlos Pimentel, a principal preocupação das empresas vai além do aumento das tarifas e está na falta de previsibilidade das relações comerciais internacionais, que afeta diretamente os negócios. “A redução das tarifas de importação certamente é positiva para a competitividade da indústria moveleira”, afirma, destacando que a medida pode favorecer a retomada das vendas ao principal mercado externo do setor. O cenário se agravou no primeiro trimestre de 2026, quando as exportações de madeira e móveis do polo somaram US$ 32,1 milhões, queda de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas vendas aos Estados Unidos, a retração chega a 60%, com impacto ainda mais intenso sobre a indústria moveleira. Pimentel afirma que, após a revisão das tarifas americanas, compradores norte-americanos voltaram a negociar preços, prazos de entrega, projetos em andamento e o desenvolvimento de novos produtos, sinalizando uma retomada parcial das relações comerciais. “Essa indefinição sobre o prazo de 150 dias da medida mantém as empresas cautelosas e continua limitando decisões estratégicas e novos acordos”, afirma. EMPRESAS AFETADAS Entre as empresas mais afetadas está a Móveis Weihermann, uma das marcas tradicionais do polo catarinense. Antes das mudanças tarifárias, cerca de 70% da produção era destinada aos Estados Unidos. Com a retração do mercado, os clientes passaram a reduzir pedidos. “O fato é que os clientes estão negociando em escala menor, pois não sabem como será o cenário futuro. Percebemos que há muita insegurança deles em investir em fornecedores do Brasil”, afirma o diretor Arnaldo Huebl, também vice-presidente regional da Fiesc. Diante da desaceleração, a empresa reduziu sua capacidade produtiva, mas evitou demissões, Foto: divulgação, Móveis Weihermann optando por não repor funcionários que saíram espontaneamente. Na tentativa de reduzir a dependência do mercado norte-americano, empresas do polo intensificaram a busca por novos clientes na América do Sul, Europa e Oriente Médio. Missões comerciais foram realizadas para Argentina, Chile e Paraguai. Apesar do crescimento desses mercados, o volume ainda está distante da demanda historicamente concentrada nos Estados Unidos. A Europa aparece como uma das principais apostas de expansão futura, especialmente pela valorização de móveis em madeira maciça renovável. Segundo Pimentel, trata-se de uma estratégia complexa, porém necessária.
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