95 moveisdevalor.com.br bre o tema a pedido da Móveis de Valor. “No Reino Unido, por exemplo, a criança Alpha influencia a família porque tem preferências claras. No Brasil, ela influencia também porque, na maioria das vezes, é a pessoa mais letrada digitalmente dentro do lar. Em muitas famílias de renda média e baixa, é ela quem opera o aplicativo e quem finaliza a compra. Ela não apenas opina: ela executa. Isso muda completamente o peso da sua influência”, afirma. Além disso, o Instituto Locomotiva (2023) apurou que 88% dos pais brasileiros são influenciados pelos filhos em compras de supermercado e shopping, incluindo eletrodomésticos e viagens. A Kids Corp (2023) mediu índice de persuasão superior a 70% em entretenimento, moda e fast food. Outra diferença importante apontada pelo estrategista é o uso do PIX, um meio de pagamento que só está presente em nosso país. “O Mercado Pago (2023) mostrou que o PIX é o meio de pagamento preferido dos adolescentes Alphas com conta digital. E o Nubank (2025) registrou que transferências PIX com mensagens temáticas de festas mais que triplicaram entre jovens em outubro e novembro. Presentear, para essa geração, virou mandar um PIX com um emoji”, justifica. Enquanto isso, no Reino Unido, segundo Escrivano, o jovem Alpha usa contas supervisionadas de fintechs como GoHenry e Revolut Junior, com limite definido pelos pais e relatório de gastos. “É uma ferramenta de educação financeira, no caso dos europeus. O PIX brasileiro não é educação: é liberdade. E essa liberdade chegou antes da maturidade financeira para saber lidar com ela”, observa. Além dessas diferenças, existe algo particular no Brasil quando falamos sobre essa geração, é como se existissem dois Alphas que não se conhecem, de acordo com a análise de Paulo Escrivano. “Esse talvez seja o ponto mais importante e mais ignorado sobre essa geração no Brasil. Existem dois perfis de jovens brasileiros convivendo, aqueles que possuem tablet próprio, conta digital, skincare importado e vocabulário de marketing, tudo isso com 12 anos. O outro acessa a internet pelo celular do responsável, com dados limitados, mas que, mesmo assim, tem poder de influência sobre os pais na hora da compra”, explica. Ou seja, o comportamento de influência é o mesmo, mas a experiência de consumo é radicalmente diferente. “Os relatórios globais descrevem o primeiro perfil. O segundo está esperando alguém medir”. Outro ponto importante é o que essa geração sente, e por que isso importa para o varejo. Segundo o estrategista de consumo, esse é o dado que muda tudo, e quase ninguém coloca no centro da conversa. “Essa geração está ansiosa. 40% das crianças Alpha relatam sentir solidão, mesmo quando estão online (Open Hearts Counseling, 2025). Um quarto dos adolescentes enfrenta dificuldades frequentes de saúde mental, e quase metade convive com algum grau de desafio emocional (Attest, 2025). Aos 10 anos, uma em cada três crianças já experimenta estresse elevado por comparação nas redes sociais”, relata. E, no Brasil, esse quadro é ainda mais denso. O país lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, e a pandemia provocou aumento de 25% nos Paulo Escrivano, estrategista do consumo
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