79 moveisdevalor.com.br Brasil está num processo de inversão de pirâmide (nasce menos pessoas e tem maior longevidade) acelerado. O que na França, por exemplo, levou 100 anos para se consolidar – dando tempo hábil para o mercado e a indústria se adaptarem –, aqui no Brasil levou apenas 10 anos”. A especialista conta que uma década atrás era preciso alterar peças manualmente para adaptá-las ao público mais velho, o que demanda muito tempo e logística. Hoje, segundo ela, já se encontram modelos de empresas com diferentes tamanhos e opções de adaptação à senioridade. “Ainda sofremos para especificar nossos projetos, mas eu percebo que há maior procura de fabricantes para adequar o mobiliário”, comenta. Um artigo do professor de arquitetura da UFPR, Antônio Castelnou, traz a relação da geroarquitetura com o Desenho Universal, destacando aspectos importantes na criação de peças e ambientes adaptados como acessibilidade para cadeiras de rodas e andadores, eliminação de barreiras e desníveis, uso de revestimentos antiderrapantes, prevenção de acidentes com cantos e quinas, inclusão de barras de apoio em banheiros e iluminação eficiente. Flávia complementa ressaltando a importância de segurança (mobilidade do móvel), estabilidade (uso contínuo da peça), resistência e conforto (promover permanência no espaço). Como exemplo de espaço adaptado à senioridade, a arquiteta apresenta a linha Deca Care, ganhadora do Prêmio Museu da Casa Brasileira, criada por ela e Mariana Quinelato para a marca Deca. O objetivo dessa linha foi transformar a percepção das barras de apoio — tradicionalmente associadas a ambientes hospitalares —, em objetos desejáveis, integrados ao design da casa. “Por isso, os acessórios foram concebidos para oferecer mais de uma função em uma única peça. As barras incorporam prateleiras, porta-objetos e cabides, ampliando sua utilidade no dia a dia”, explica. A arquiteta detalha que os fabricantes de mobiliário ainda não entenderam o tamanho do mercado 50+, e enfatiza que o público sênior não é mais nicho, é mercado. “Quem tem o dinheiro na mão, e quer gastar, é o 50+. O sênior é parte ativa da economia em diversos setores. Hoje ele ainda está trabalhando, sustentando a casa e viajando”. Antes, segundo a arquiteta, havia empresas voltadas ao nicho apenas na região Sul (onde começou a inversão da pirâmide). Hoje, Flávia possui clientes no Brasil inteiro. Isso mostra como o mercado está expandindo por conta da demanda, arquitetos estão se especializando e se aproveitando disso. “O mercado está cada vez maior, precisamos cada vez mais de profissionais e que os industriais trabalhem juntos para desenvolver esse mercado adaptado”, finaliza. Flávia Ranieri, atua com arquitetura, design, treinamentos e consultorias, com foco no mercado da longevidade Sêniores investem em peça que sabem que vai durar, contanto que enxerguem valor Linha Deca Care
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