101 moveisdevalor.com.br O COLCHÃO É UM SISTEMA Uma das dificuldades da discussão está na tendência de analisar componentes isoladamente. O consumidor não utiliza apenas uma espuma, uma mola ou uma placa estrutural. Ele utiliza um conjunto de elementos que trabalham simultaneamente para proporcionar suporte, conforto, estabilidade e durabilidade. Por isso, especialistas defendem que a avaliação de um colchão deve considerar o comportamento do sistema como um todo e não apenas a presença ou ausência de determinado componente. Um mesmo material pode apresentar resultados distintos dependendo da forma como é especificado, combinado com outros elementos e incorporado ao projeto. Na prática, a engenharia do produto é tão importante quanto a escolha da matéria-prima. O QUE REALMENTE DEVERIA SER AVALIADO Embora existam diferentes visões sobre o uso do EPS, há alguns pontos que podem servir como referência comum para toda a cadeia. O primeiro deles é o desempenho ao longo do tempo. A experiência do consumidor não é definida apenas pela sensação inicial experimentada na loja. Ela é construída durante anos de utilização, quando o colchão é submetido continuamente ao peso corporal, movimentos repetitivos, variações de temperatura e umidade. Nesse contexto, características como estabilidade estrutural, manutenção do conforto, distribuição de pressão e preservação do alinhamento corporal tornam-se fatores decisivos. Mais do que discutir materiais específicos, talvez o setor precise ampliar o foco sobre indicadores objetivos de desempenho e durabilidade. TRANSPARÊNCIA DEVE SER CONSENSO Se existe um ponto capaz de unir diferentes correntes de pensamento, é a necessidade de transparência. O consumidor tem o direito de saber o que está comprando. A regulamentação brasileira já exige a identificação dos componentes utilizados na fabricação dos colchões. Ainda assim, compreender o significado dessas informações continua sendo um desafio para grande parte dos compradores. Termos técnicos presentes nas etiquetas nem sempre são facilmente interpretados pelo público, criando uma distância entre a composição real do produto e a percepção de quem o adquire. Nesse aspecto, a indústria possui uma oportunidade importante de investir em educação e informação, fortalecendo a confiança do consumidor e valorizando empresas que adotam comunicação clara sobre seus processos produtivos. UMA DISCUSSÃO QUE VAI ALÉM DO CUSTO Frequentemente o debate sobre o EPS é reduzido a uma questão econômica. É verdade que fatores como custo, produtividade industrial, logística e competitividade influenciam as decisões de engenharia. Mas limitar a análise a esse aspecto empobrece uma discussão que envolve
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