Móveis de Valor - Edição 259

39 moveisdevalor.com.br tecnologia facilitar escolhas técnicas, mais importantes serão a escuta, a confiança e a sensibilidade do vendedor", avisou. O diferencial, conclui, estará na combinação entre IA e IH (inteligência humana). Caio Camargo converge ao prever que, em cinco anos, a IA deixará de ser percebida como novidade e passará a compor a infraestrutura do varejo, com uma ressalva: “Empresa desorganizada não se torna excelente apenas porque adotou IA”. LONGEVIDADE: FRONTEIRA DE CRESCIMENTO Na Arena do Conhecimento, Flávia Ranieri, arquiteta e referência em gerontologia, foi taxativa: "Longevidade não é nicho: é mercado". Os números sustentam a afirmação: são 32,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais (15,8% da população), contingente que dobrará até 2050. No Brasil, o mercado 50+ já movimenta R$ 1,8 trilhão e alcançará R$ 3,8 trilhões em menos de duas décadas. Em 2025, os 55 milhões de brasileiros acima dos 50 anos responderam por 24% do consumo privado, fatia que subirá para 35% até 2045. Hoje, oito em cada dez são os principais responsáveis pelo sustento do lar; 38%, os únicos mantenedores. O desafio, contudo, exige repensar o design. "O design adaptado à longevidade não se concentra mais em adicionar funções, mas sim em retornar à vida cotidiana, repensando como as pessoas podem continuar vivendo bem e envelhecendo com dignidade em ambientes familiares", disse. Ela reconhece o atraso: “Estamos atrasados, sinto dizer, mas temos boas iniciativas nacionais", confessou deixando um desafio para a próxima Movelsul: que cada expositor apresente ao menos uma peça pensada para a longevidade. entre o que a empresa promete e aquilo que o cliente realmente vivência", aconselhou. ARMADILHA DO PREÇO X VALOR Max Pezzini, autoridade em estratégia, gestão, vendas e posicionamento e desenvolvimento de mercado, deslocou o debate para o terreno da estratégia comercial, distinguindo três dimensões frequentemente confundidas: valor agregado, valor percebido e valor comprado. Segundo ele, 80% dos agentes do setor transitam no universo do preço e do custo-benefício – o que, por si só, não seria problema se o discurso fosse coerente com o posicionamento. O risco está em tentar migrar para o território do valor sem preparo. E complementou: o maior elemento de valor contemporâneo é a autenticidade. "Em um mercado assoberbado de genéricos que dizem ser de alto padrão, o primeiro convencimento é sobre sua desigualdade, no bom sentido, para só depois você conseguir expor porque você vale mais", indicou. Para ele, o obstáculo é cultural: muitas empresas familiares permanecem presas à centralização, ao despreparo na sucessão geracional e ao foco exclusivo no preço. "São operações que dormiram no improviso amador durante muito tempo e hoje pagam o preço pela demora em profissionalizarem-se em coisas absolutamente básicas", contou sem rodeios A recomendação é: objetivos claros de curto e médio prazo, investimento em gestão e uma autoanálise sincera do negócio, "doa a quem doer". AMBIENTE: ARGUMENTO SILENCIOSO Priscila Bencke, expert em arquitetura de varejo e experiência de compra, introduziu uma variável frequentemente negligenciada: o espaço físico como linguagem. "O ambiente não é neutro: ele influencia emoções, decisões, permanência e comportamento de compra", frisou. Iluminação, cores, sons, organização e circulação comunicam, antes de qualquer abordagem, o valor e o posicionamento da marca — e afetam tanto o cliente quanto a equipe que o atende. É nesse ponto que a discussão sobre inteligência artificial encontra sua dimensão mais humana. Para Priscila, a tecnologia tornará a operação mais eficiente, mas não substituirá a sensibilidade do vendedor. "Quanto mais a

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