Móveis de Valor - Edição 260

61 moveisdevalor.com.br Paulo Escrivano, cientista do consumo Catarina Carneiro, economista da CNC A flexibilidade e a multifuncionalidade são importantes para que os móveis acompanhem o crescimento da criança compras de maior valor. De acordo com a economista, a confiança do consumidor caiu 0,6% em agosto, influenciada principalmente pela insegurança em relação ao futuro do emprego. Ao mesmo tempo, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, comprometendo quase 30% da renda com dívidas. Nesse contexto, a decisão de compra de um móvel passa a ser mais planejada. “Quando quase um terço da renda de uma família já está comprometido com dívidas, sobra pouco espaço no orçamento e, principalmente, pouco limite de crédito aprovado para uma parcela nova”, afirma Catarina. Para o mercado infantil, esse comportamento torna ainda mais importante entender o que leva os pais a priorizarem determinada compra. “Ao montar o quarto, os pais estão imaginando a chegada do filho, como vão cuidar dele e como aquele espaço vai fazer parte da vida da família. Existe uma dimensão afetiva importante, mas ela precisa encontrar o orçamento e as condições da casa. O móvel precisa caber no ambiente, facilitar a rotina e fazer sentido pelo tempo que será utilizado”, explica Escrivano. Outro ponto importante é que nem todas as famílias possuem o mesmo perfil de consumo. Enquanto algumas conseguem investir em um projeto completo e personalizado, outras precisam priorizar determinadas peças, aproveitar móveis que já possuem ou distribuir as compras ao longo do tempo. Uma mesma família também pode escolher investir mais em um produto e economizar em outro, de acordo com suas necessidades. Para Escrivano, a indústria e o varejo precisam considerar ainda que quem compra, quem cuida e quem usa o móvel podem ter necessidades diferentes. No quarto do bebê, por exemplo, a escolha está muito relacionada às necessidades dos adultos, como organizar roupas, acomodar o berço e deixar os itens de cuidado por perto. Conforme a criança cresce, porém, o ambiente passa a receber novas demandas. “Ela começa a alcançar os próprios livros, guardar brinquedos, escolher roupas, precisa de um lugar para estudar e passa a participar das decisões sobre o quarto. Essas mudanças trazem necessidades que podem ser atendidas com novas peças, complementos ou adaptações”, observa.

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