51 moveisdevalor.com.br A feira prevê mais de 700 expositores, aproximadamente 3 mil estandes e showcases e visitantes de cerca de 100 países e regiões. Aproximadamente 80% dos expositores previstos são fabricantes vietnamitas. Mas os números da exposição dizem menos que o modelo adotado para aproximar fabricantes e compradores. Segundo a Viforest, a verificação dos expositores considera capacidade de produção, rastreabilidade da madeira e credenciais relevantes de sustentabilidade. É uma diferença importante. O Vietnã não está simplesmente colocando centenas de fábricas dentro de um pavilhão e convidando compradores estrangeiros para conhecê- -las. Está procurando reduzir uma das maiores barreiras existentes numa negociação internacional: o risco de comprar de uma empresa que está a milhares de quilômetros de distância. A estratégia continua depois do estande. A programação prevê matchmaking entre compradores e fornecedores, reuniões B2B e visitas às fábricas, permitindo verificar capacidade produtiva, processos e possibilidades de personalização. Há ainda fornecedores trabalhando com quantidades mínimas flexíveis e opções de contêineres mistos, mecanismos que podem facilitar o teste de novos produtos por compradores internacionais. O CONCORRENTE QUE O BRASIL PRECISA OBSERVAR Brasil e Vietnã têm estruturas e condições muito diferentes. O Brasil dispõe de uma importante base florestal, indústria de painéis, capacidade produtiva, tradição moveleira e empresas com experiência internacional. O caso vietnamita, portanto, não deve ser apresentado como um modelo a ser simplesmente copiado. Mas há uma questão que merece reflexão. O Vietnã conseguiu transformar produção de móveis em estratégia exportadora. Construiu escala, integrou-se às cadeias globais, concentrou esforços em grandes mercados e agora procura agregar design, marcas próprias, rastreabilidade, sustentabilidade e serviços para facilitar a decisão do comprador. A própria HawaExpo é consequência dessa estratégia – não sua causa. Para a indústria brasileira, talvez essa seja a principal mensagem. O concorrente internacional não disputa mais apenas preço, qualidade ou capacidade de fabricação. Disputa também confiança, facilidade de fazer negócios, acesso à fábrica, informação sobre origem, flexibilidade e segurança para o comprador. E é justamente aí que o avanço vietnamita merece ser acompanhado com atenção. Porque o Vietnã já não está apenas querendo fabricar mais móveis. Está trabalhando para tornar mais fácil comprar móveis do Vietnã.
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